22 de outubro de 2020

Jundiaí /SP

Experiência Missionária

 

Confira o testemunhos dos seminaristas diocesanos Eduardo e Wellington, que estão em estágio pastoral, na Diocese de Roraima.

“Estamos em terras roraimenses há quase 3 meses, nesse período foi possível perceber, adaptar, conhecer e abrir mão de muitas coisas a fim de entrar em um caminho de evangelização. Quando Jesus Ressuscitado apareceu novamente aos discípulos e deu um mandato missionário claro: ir pelo mundo anunciado a todos os povos (Cf. Mc 16,15), os discípulos com grande êxito partiram anunciando após o Pentecostes, até encontrarem Pedro fazendo um longo e belo discurso em Jerusalém após curar um paralítico na porta do Templo (At 3,12-26).

Ao vermos os exemplos de Pedro, Tiago, André, Paulo, João anunciando somos tomados de grande desejo de ser também um anunciador, e quando surge a oportunidade de ser um missionário parece que nosso desejo será concretizado.

Ao chegarmos na realidade missionária, de cara percebemos que é um povo como o de Atenas, quando São Paulo anuncia e ninguém dá atenção ao anúncio dele (At 17,22-31). Aqui muitíssimas pessoas preferem viver livres, sem a Igreja ou Deus chancelando sobre sua conduta. Preferem os lotes, os banhos de rio do que a Igreja viver a alegria do Ressuscitado e rezar em comunidade. Da minoria que frequenta nossas comunidades, vemos que se faz necessário uma adaptação daquilo que somos e fazemos sem perder de vista o anúncio que fazemos.

Quando chegamos, pensamos em fazer como fazemos aí no sul do país, achamos que o povo possuí alguma iniciação na fé, então poderíamos pensar em formar e ensinar as áreas teológicas, por exemplo. Precipitado esse pensamento. Seguindo a metáfora paulina, a fé deste povo onde estamos é uma fé que ainda não pode receber alimentos sólidos (Cf. 1Cor 3,2). Assim, surge a adaptação da nossa conduta para trilharmos um caminho de evangelização primordialmente querigmático.

Interessante que nesse pouco tempo, conhecemos muitas pessoas, e iniciamos processos de evangelização com catequistas, grupos de jovens, equipes de liturgia, e até começamos a pensar uma catequese bíblica com o povo, o advento do Covid-19, como em todo o mundo, barrou nossas atividades. Por enquanto, seguimos com nossas formações via whatsApp, temos conseguido nos aproximar mais de nossos paroquianos e continuar a Evangelização. Claro que esse não é a maneira mais eficaz de ser presença, mas, é essa a maneira que Deus nos iluminou para não pararmos de vez com nossas atividades.

Chegamos teoricamente no meio de nosso período missionário, e uma das coisas que já podemos constatar que não voltaremos como viemos. Pode parecer clichê, uma frase pronta, mas reflete verdadeiramente aquilo que uma experiência missionária produz no coração do ser humano. Abrir mão de algumas convicções pode parecer absurdo na sociedade moderna em que cada um tem sua opinião ilibada e essa não pode ser maculada, mas é justamente o que mais temos que fazer para nos encontrar com Jesus, com o outro e conosco mesmo. De fato, gostaria que a missão fosse de diversas formas, mas não é como o planejamos. Culparemos alguém por isso? Claro que não, pois o tempo e a atuação da graça de Deus em nós nos auxilia a reorganizar as estruturas e as nossas convicções.

Assim sendo, temos mais alguns meses nessas terras do extremo-norte do Brasil. Seguimos daqui rezando todos os dias pedindo a Deus para que sejamos dóceis a vontade Dele que sempre tem uma palavra de ânimo e encorajamento para nos mantermos firmes onde Ele nos colocou. E mais lindo saber que com pouco tempo, lançamos sementes e deixemos que outros venham e colham daquele pouco que lançamos (Cf. Jo 4,36-37). E vivendo a unidade, ano após ano, missão após missão, essa comunidade de fé vai sendo estruturada e rica forças para manifestar que Jesus Cristo é o Senhor de todas as coisas”.

Eduardo Augusto Belão e Wellington Felício da Silva

Seminaristas Diocesanos

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