26 de outubro de 2020

Jundiaí /SP

Uma Páscoa diferente

Queridos diocesanos e diocesanas:

Neste ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo celebramos a Quaresma e agora entramos na Páscoa num ambiente inesperado. A palavra ambiente significa “aquilo que está ao redor”, no entorno, de cada um de nós. Este ano, nós sacerdotes estaremos ligados, por um ambiente digital, diretamente ao ambiente familiar, à igreja doméstica, às casas de cada um dos fiéis. Não porque queremos que seja assim. Mas porque a valorização e a preservação à vida, na luta contra o coronavírus, exigem que assim seja, neste momento.

Muitos, em suas casas, sentirão falta do perfume do incenso, do calor do fogo novo ou da corrida ao círio pascal, para sinalizar o esplendor da Luz de Cristo que iluminou a história de cada um. Por certo, sentirão falta de seu lugar cativo, no banco preferido da sua paróquia. E sentirão ainda mais e muito mais, a falta de receber presencialmente a Sagrada Comunhão. Da mesma forma, os bispos, padres e diáconos sentirão a falta dos fiéis, contemplando bancos vazios onde antes havia uma multidão.

Tão brusca mudança faz recordarmos que toda a liturgia existe para que, pela fé, nossos sentidos – tato, visão, audição, olfato, e paladar – sejam capazes de perceber e celebrar a presença viva de Deus na história, pela obra de salvação realizada em nosso favor, no Cristo. As celebrações presenciais dos Sacramentos, portanto, como as relações pessoais, são insubstituíveis. Todavia, as tecnologias suprem as necessidades, em momentos emergenciais. Desta vez, em uma pandemia que atinge a todos e exige cautela de todos. Assim, para defender a vida, evitar o colapso no sistema de saúde, protegermo-nos e protegermos a quem amamos, é necessário e justo que celebremos nossa Páscoa de modo diferente, este ano. E nisso nos tem ajudado a tecnologia.

A noite desta Páscoa, aliás, como cantam os judeus, será diferente de todas as outras noites pascais já celebradas por nós. Nela, por certo, sentiremos também a falta da alegria de nossos ágapes, após a grande exultação das nossas vigílias, sempre tão bem preparadas em nossas matrizes e capelas. Mas, que não sintamos falta da comunhão espiritual, com Deus e com todo o povo, a Igreja que caminha neste mundo e toda a humanidade que sofre.

É esta comunhão que deve irmanar o povo católico, neste ambiente provisório, passageiro. Ela, aliás, dá pleno sentido ao uso das mídias sociais e eletrônicas, dos recursos tecnológicos, para que a força da Palavra e as graças da Eucaristia alcancem os corações de todos, neste momento global de revisão de vida,  momento de passagem para uma nova existência, em que de fato se valorize a verdade e a justiça, a esperança seja maior do que nossos temores e tenhamos sempre os olhos postos naquele que venceu a miséria humana do pecado e a morte, o único protagonista desta nossa maior festa: “Cristo, ontem e hoje, princípio e fim, Alfa e ômega, a Ele o tempo e a eternidade, a glória e o poder, pelos séculos sem fim. Amém!”.

E a todos abençoo, com os sinceros votos de uma Feliz e Santa Páscoa.

Dom Vicente Costa
Bispo Diocesano

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