16 de outubro de 2021

Jundiaí /SP

Uma Igreja em processo sinodal

“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Ap 2,7).

 

Prezados irmãos e irmãs da Igreja de Deus que se faz presente na Diocese de Jundiaí:

O Papa Francisco convocou a 16ª Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos, cujo tema é: “Por uma Igreja Sinodal: comunhão, participação e missão” para o mês de outubro do ano de 2023. No entanto, o Secretariado Geral do Sínodo dos Bispos pediu que esta Assembleia fosse precedida por um Processo Sinodal que acontecerá tanto em Roma no próximo dia 9 de outubro deste ano, como também em cada Diocese que se faz presente em cada canto do mundo, no final de semana posterior. A nossa Diocese optou para iniciar a fase diocesana deste Processo com a celebração eucarística no dia 16 de outubro, sábado, às 09h00, no Centro de Evangelização Arca da Aliança, Mãe da Divina Providência, na Paróquia Cristo Redentor, em Várzea Paulista. Este evento também abrirá oficialmente o Processo Sinodal da nossa próxima 8ª Assembleia Diocesana a ser realizada no Mosteiro de Itaici, em Indaiatuba – SP, nos dias 26 a 28 de novembro. Por isso, para esta celebração diocesana, são convocados todos(as) os(as) delegados(as) da Assembleia Diocesana (aproximadamente 500 pessoas que irão participar presencialmente da Assembleia Diocesana e 300 pessoas participarão on-line, por via digital).

Tenho certeza de que está sendo uma feliz e providencial coincidência que a abertura do Processo Sinodal para o Sínodo no final de 2023 seja precedido, na diocese de Jundiaí, pela abertura diocesana deste Processo, porque desta maneira, a nossa futura Assembleia Diocesana pode ser, de fato, realizada em modalidade sinodal.

Por que o tema do sínodo se tornou tão atual? Recentemente, no dia 18 de setembro deste ano, o Papa Francisco, falando aos católicos de sua Diocese de Roma sobre a abertura do Processo Sinodal, assim afirmou: O tema da sinodalidade não é o capítulo de um tratado de doutrina ou de teologia, “muito menos uma moda, um slogan ou o novo termo a ser usado ou explorado em nossas reuniões. Não! A sinodalidade expressa a natureza da Igreja, sua forma, seu estilo, sua missão”. Trata-se de um dinamismo de escuta mútua: “um dinamismo de escuta recíproca, realizado em todos os níveis da Igreja, envolvendo todo o povo de Deus”, sublinhou, pois, “a palavra ‘sínodo’ contém tudo o que precisamos entender: ‘caminhar juntos”. Em primeiro lugar, devemos ouvir a voz do Espírito Santo, o verdadeiro “protagonista da Igreja”, ouvir a Palavra de Deus e orar, principalmente na celebração da Santa Eucaristia. E saber discernir, à luz dos desafios da Igreja e do mundo de hoje, como tornar o Evangelho de Jesus Cristo mais atual em nossas vidas e a Igreja mais a serviço do Reino de Deus.

Todos reunidos para escutar um ao outro, inclusive nós, os pastores, que precisamos caminhar com o povo: como pastores, “caminhamos com o povo, ora na frente, ora no meio, ora atrás. O bom pastor deve mover-se assim: na frente para guiar, no meio para encorajar e não esquecer o cheiro do rebanho, atrás porque o povo também tem ‘nariz’. Ele tem faro para encontrar novos caminhos para a jornada ou para encontrar o caminho perdido”. E saber ouvir a todos, não só aqueles que pertencem às nossas comunidades, mas os que se afastaram da Igreja, por um motivo ou outro, como também “os pobres, os mendigos, os jovens toxicodependentes, todos esses que a sociedade descarta… (pois) o Sínodo é até o limite, inclui a todos”.

E é importante lembrar que o Processo Sinodal não é para gerar estruturas, mas torná-las verdadeiros lugares sinodais, lugares de diálogo autêntico, fraterno e sincero, lugares da decisão. E isto não acontece, de forma alguma, se nós todos, seus membros, não fizermos o processo de conversão pastoral, que o Documento de Aparecida (2007) tanto enfatizou: a conversão do nosso coração e do nosso modo de ser, pensar e agir (cf. nn. 365-372). Enfim, o Processo Sinodal faz a Igreja nascer de novo de um Deus que se comunica em seu Filho Jesus Cristo, Palavra Eterna que tomou nossa carne e que “veio morar entre nós” (Jo 1,14). Creio que, sem este Processo, a Igreja corre o risco de falar sem ser ouvida e de tornar-se cada vez mais afastada da caminhada de nosso povo.

Para orientar todo este Processo Sinodal (outubro de 2021 até outubro de 2023), o Secretariado Geral do Sínodo dos Bispos publicou dois importantes subsídios: (1) Vade-mécum para o Sínodo sobre a Sinodalidade; (2) Documento Preparatório. Este vade-mécum (quer dizer: algo que vai comigo, que me acompanha e me ajuda a esclarecer qualquer dúvida que surgir), certamente será de grande utilidade para a formação dos(as) delegados(as) e a realização da nossa 8ª Assembleia Diocesana em Processo Sinodal (favor conferir este vade-mécum no site da nossa Diocese [dj.org.br]). Apresento-lhes brevemente três pontos deste subsídio.

  1. Qual o processo verdadeiramente sinodal? São três os processos apontados: (a) Espiritualidade: “escutar a Deus, para que com Ele possamos ouvir o clamor do seu povo”; (b) Discernimento: saber descobrir e encontrar a vontade de Deus nos fatos da vida; (c) Participação: ouvir a todos, respeitando as opiniões contrárias.
  2. Quais as atitudes para participar do Processo Sinodal? (a) Saber compartilhar a vida com coragem e honestidade; (b) Humildade: todos têm direito de serem ouvidos; (c) Abertura à novidade; (d) Abertura para conversão e mudança; (e) Não aos preconceitos e pré-julgamentos; (f) “Superar o flagelo do clericalismo”: saber respeitar os dons e carismas de todos; (g) Vencer “o vírus da autossuficiência” e ser dono da verdade, pois “estamos todos no mesmo barco”; (h) Criar esperança e sonhar com o futuro.
  3. Quais as armadilhas (as tentações) a evitar no Processo Sinodal: (a) Sermos liderados por nós mesmos e não por Deus; (b) Ver apenas problemas e não soluções; (c) Focar apenas em estruturas e não nas pessoas; (d) Não olhar para além dos limites visíveis da Igreja: ouvir apenas os que estão na Igreja; (e) Perder o foco dos objetivos do Processo Sinodal; (f) O conflito e a divisão.

O Vade-mécum apresenta uma oração que historicamente era usada em concílios, sínodos e outras reuniões da Igreja e atribuída a Santo Isidoro de Sevilha. Eis um trecho desta oração, e que ela motive e anime o Processo Sinodal de nossa Diocese:

“Aqui estamos, diante de Vós, Espírito Santo: estamos todos reunidos no vosso nome. Vinde a nós, assisti-nos, descei aos nossos corações. Ensinai-nos o que devemos fazer, mostrai-nos o caminho a seguir, todos juntos. Não permitais que a justiça seja lesada por nós pecadores, que a ignorância nos desvie do caminho, nem as simpatias humanas nos tornem parciais, para que sejamos um em Vós e nunca nos separemos da verdade. Nós Vo-lo pedimos a Vós que, sempre e em toda a parte, agis em comunhão com o Pai e o Filho pelos séculos dos séculos. Amém.”

E a todos abençoo.

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