12 de junho de 2021

Jundiaí /SP

Três lições…

“No mundo, tereis aflições, mas tende coragem! Eu venci o mundo” (Jo 16,33).

 

Caríssimos leitores e leitoras: nada acontece ou deixa de acontecer por acaso. Sempre há uma razão, um sentido, uma causa e um objetivo nos acontecimentos de nossa vida. Sendo assim, em meio à pandemia e ao enfrentamento desta ameaça, precisamos tirar algumas lições para a nossa própria vida e nos preparar para o tempo que vem chegando, quando esperamos ter vencido este contágio. Muitas lições podem ser tiradas deste tempo que estamos vivendo. Convido à reflexão de três lições, entre tantas outras.

A primeira é sobre a fragilidade humana. De um lado, parecemos tão fortes e resistentes a tantas coisas. Por outro lado, um vírus invisível, que é vencido com água e sabão, com álcool em gel, uso de máscaras e isolamento social, chega e causa tanta ruína na vida de milhares de pessoas. Este invisível vírus já fez no Brasil um grande estrago, porque já são mais de 3 milhões de infectados e chegamos a mais de 100 mil mortos, vítimas da COVID-19. Analisando a situação, percebemos rapidamente o quanto somos fracos e vulneráveis, e como de um momento para o outro tudo pode mudar na nossa vida. O ser humano é, ao mesmo tempo, forte e frágil. Às vezes sobrevive a grandes tempestades, e às vezes, algo com aparência tão insignificante ceifa tantas vidas e histórias.

As outras duas lições estão ligadas ao cuidado e ao reaprender a viver. É muito comum falarmos e ouvirmos a seguinte frase: “quem ama, cuida”. O amor nos leva ao cuidado com nós mesmos e ao cuidado com os outros. A pandemia tem nos ensinado que todo cuidado é pouco, tendo em vista a prioridade de salvar e preservar a vida da gente e dos outros. Cuidar de si mesmo e cuidar dos outros brota do amor a Deus e do amor ao próximo como a si mesmo. Amando a Deus, vemos a nossa vida como um presente que vem do Alto. Se a minha vida é um dom, a vida do outro também o é; e a vida da pessoa que eu amo é para mim um grande tesouro. Realmente, cuidar faz parte do amar.

E mesmo em meio a tudo isso que estamos vivendo, não deixemos de ter sonhos, de ter ideais, de ter projetos para hoje e para o amanhã que vem chegando. O enfrentamento da pandemia exige de nós coragem, fé, solidariedade e criatividade. É como se tivéssemos que nos reinventar e, ao mesmo tempo, reaprender a viver, a conviver e a realizar nossa missão e nossas relações com Deus, com o mundo, com o outro e com nós mesmos. As celebrações online em nossos igrejas e locais de culto se multiplicaram; as reuniões por videoconferência têm sido uma alternativa fabulosa; há saxofonistas e violinistas que alegram seus vizinhos tocando nas sacadas; famílias e amigos têm feito grupos em diferentes aplicativos para se verem, se falarem e até celebrarem datas significativas. Os apertos de mãos, abraços e beijos foram substituídos por acenos, gestos e expressões pelo olhar, mesmo distante. A verdade é que muitas coisas mudaram, estão mudando e vão continuar nos desafiando. Mais do que nunca, a Palavra de Deus vem para nos dar norte e segurança, pois, “quando sou fraco, então sou forte” (2Cor 12,10).

Sejamos todos capazes de aprender e viver estas três lições tão decisivas para melhorar as nossas vidas.

 

Publicado no Jornal de Jundiaí em 23.08.2020.

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