11 de abril de 2021

Jundiaí /SP

Setembro Amarelo!

“Eu vim para que tenham vida…” (Jo 10,10)

 

O ano de 2020 com todas as surpresas e desafios vai caminhando para o seu término. Na passagem de 2019 para 2020, quando nos felicitamos com a chegada de mais um ano, jamais imaginamos que viveríamos tudo o que estamos vivendo hoje, sobretudo com esta pandemia que trouxe mudanças radicais em todos os aspectos de nossa vida. No mês de setembro, celebramos o “Mês da Bíblia”, que é a Palavra de Deus que, além de iluminar e formar a fé dos cristãos, dos homens e mulheres de boa vontade, alimenta a nossa esperança, dando-nos a certeza de que a nossa existência e a nossa história têm sentido na perspectiva da fé.

No Brasil, desde 2015, temos a campanha de prevenção ao suicídio, no mês de setembro, porque desde 2003, o dia 10 de setembro foi escolhido para ser o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. Aqui em nosso país, o suicídio é considerado um problema de saúde pública, e sua ocorrência, infelizmente, tem aumentado muito entre os jovens. De acordo com números oficiais, 32 brasileiros tiram a sua própria vida por dia. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), um trabalho de prevenção pode ajudar em 90% dos casos. Ou seja, precisamos estar atentos aos outros e a nós mesmos, pois todos nós podemos passar por crises, depressões e angústias. Como diz a Sagrada Escritura: “quem julga estar de pé, tome cuidado para não cair” (1Cor 10,12).

Tive a imensa alegria de ser bispo auxiliar de um grande homem de Deus, que foi Dom Albano Bortoletto Cavallin, Arcebispo em Londrina, no Paraná. Com ele aprendi muitas coisas da missão de ser bispo. Lembro-me ainda hoje das suas histórias, do seu jeito catequético de explicar as Escrituras e de seu olhar sempre sereno e cheio de misericórdia. E ele dizia uma frase que nos faz pensar muito sobre este tema sobre o qual estamos refletindo. Ele dizia assim: “quem ama, adivinha”. Ou seja, o amor nos faz sentir e perceber o coração do outro; os medos e os sonhos que o outro carrega dentro de si. Estamos vivendo tempos difíceis, quando as pessoas parecem fugir de si mesmas e dos outros também, não conseguimos enfrentar mais o nosso próprio íntimo e nem “adivinhar” o íntimo das pessoas que amamos. Parece que procuramos sempre “refúgio” longe de nós mesmos e longe dos outros. É impressionante saber que o ser humano pisou seis vezes na lua, mas tem dificuldade para pisar no solo sagrado do coração humano.

Enfim, é tempo de estarmos atentos. Prestemos mais atenção aos detalhes da nossa vida e da vida daqueles que caminham, choram, sofrem e sonham conosco. Em relação ao suicídio, se caso já aconteceu em nossa família ou com pessoas ligadas a nós, não julguemos e não culpemos ninguém, mas despertemos para um zelo maior, sobretudo observando e perscrutando as “entrelinhas” das palavras ditas ou guardadas no âmago de cada um. Escutemos mais com o coração. Olhemos mais nos olhos uns dos outros. Observemos o agir dos outros com mais ternura e carinho. E iluminados pela fé saibamos colaborar para que haja vida, e vida em abundância para todos (cf. Jo 10,10)!

 

Publicado no Jornal de Jundiaí em 20.09.2020.

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