11 de abril de 2021

Jundiaí /SP

Preparando-se para viver mais uma Semana Santa

“Jesus, sabendo que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1).

 

Prezados irmãos e irmãs da Igreja de Deus que se faz presente na Diocese de Jundiaí:

 

  1. Introdução:

 

Na Sagrada Liturgia da Igreja, a Semana Santa compreende o maior mistério de nossa fé: paixão e morte, ressurreição e ascensão de Jesus de volta ao Pai, e a efusão do Espírito Santo sobre sua Igreja. É a confirmação da maior entrega de Jesus Cristo por toda a humanidade. Portanto, a Semana Santa é tempo de graça e contemplação dos últimos dias de Jesus Cristo entre nós. Após o caminho feito durante toda a Quaresma e a preparação concreta feita através da intensificação da oração, da penitência e das obras de caridade, a Semana Santa se conclui com a festa das festas, a Páscoa.

Como no ano passado, a celebração da Semana Santa de forma presencial em nossas comunidades é ameaçada pela terrível pandemia provocada pelo coronavírus. Mas este fato não pode, de forma alguma, ser um empecilho à vivência da Semana Santa do Senhor. Ao contrário, a sensibilidade para com o sofrimento, a dor, a solidão e a insegurança provocados por estes nossos tempos tão tristes deve fazer-nos sair da indiferença fria e paralisante que nos ameaça. A oração e a escuta da Palavra de Deus (na Liturgia da Igreja, este ano de 2021 é Ano B, privilegiando as leituras do Evangelho de São Marcos), a abertura ao outro, a disponibilidade e a solidariedade de tantos irmãos e irmãs para salvar vidas humanas devem estimular-nos a viver com maior intensidade os dias santos, superando ideias erradas que desfiguram o verdadeiro caráter sagrado da Semana, como por exemplo: pensar nesses dias apenas como um “feriadão a mais” ou transformar os símbolos pascais em chocolate e os cumprimentos apenas em cartões.

Assim, desejo propor-lhes o sentido e a maneira de como poderemos vivenciar cada momento importante desta semana abençoada.

 

  1. Domingo de Ramos da Paixão do Senhor:

 

A Semana Santa tem início com a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém (cf. Mc 11,1-10). Nesse dia, a eucaristia é precedida da “bênção e procissão dos ramos”, quando Jesus é reconhecido como o Messias esperado. Os ramos que carregamos são símbolos de vida e de vitória, alegre afirmação de nossa fé e esperança na vida nova. Depois da procissão dos ramos, é proclamada solenemente a narração da Paixão do Senhor (cf. Mc 14,1-15,47) para compreendermos como Jesus alcançou a vitória mediante o sofrimento e a morte.

Proclamemos Jesus como Rei e Senhor de nossas vidas, porque ele instaurou o Reino do Pai, e nele nos introduziu, não através da força nem do poder, mas dando a própria vida por nós. Honremos nosso Rei e Senhor, vivendo os valores do Reino: a fraternidade, a justiça, a verdade, a paz e o amor.

 

  1. Segunda, Terça e Quarta-Feira Santas:

 

Nestes dias da Semana Santa, encontramos Jesus e seus discípulos preparando-se para celebrar a Páscoa, festa principal dos judeus e que Jesus transformou na sua Páscoa: sua passagem da morte para a vida. Na Segunda-Feira Santa, contemplamos Jesus em Betânia, na casa de Marta, Maria e Lázaro, ensinando-nos o valor da amizade e destacando o gesto de Maria, preanunciando o gesto da sepultura, quando o corpo morto do Senhor será embalsamado com perfumes (cf. Jo 12,1-11). Na Terça-Feira Santa, no evangelho, refletimos o que acontece na ceia da Páscoa e a horrível traição de Judas, um dos Doze (cf. Jo 13,21-33.36-38). Já na Quarta-Feira Santa, encontramos Jesus com seus discípulos na véspera de sua morte (Mt 26,14-25). Jesus sofre terrivelmente a traição de Judas, mas permanece livre e decidido a seguir o projeto do Pai.

A leitura e a meditação do Evangelho destes três dias devem alimentar em nós os sentimentos e atitudes como: a mudança de vida, a solidariedade e o arrependimento pela traição ao amor que o Senhor tem por nós.

 

  1. Missa do Crisma:

 

Esta Missa geralmente é celebrada na manhã da Quinta-Feira Santa. Na nossa Diocese é celebrada na Quarta-Feira Santa, à noite. Nesta celebração, o Bispo abençoa o óleo dos Enfermos destinado à unção dos enfermos, o óleo dos Catecúmenos, utilizado no Batismo para a primeira unção e consagra o óleo do Crisma, o óleo perfumado utilizado na administração do Batismo e da Confirmação, na ordenação de bispos e padres, e para a dedicação de igrejas e altares. O Bispo concelebra esta Missa com o seu presbitério, em sinal de comunhão dos presbíteros entre si e com o seu Bispo. Por isso, os presbíteros renovam suas promessas assumidas no dia de sua ordenação sacerdotal.

Somos chamados a elevar nossa ação de graças, pois Deus fez de nós “um reino, povo de sacerdotes” (cf. Ap 1,16). Podemos dedicar mais ternura aos nossos enfermos, viver mais intensamente a unção com o óleo da alegria e orar pelos nossos sacerdotes.

 

  1. O Tríduo Pascal:

 

O coração da Semana Santa está no Tríduo Pascal, que vai da quinta-feira ao sábado. Na Quinta-Feira celebramos a memória da última Ceia do Senhor; na Sexta-Feira, a paixão, crucificação e morte de Cristo na cruz; no Sábado Santo, é dia do repouso e do silêncio que nos prepara para celebrar, na escuridão da noite, a Vigília Pascal, a vitória da luz e da vida, a Ressurreição do Senhor. Deste modo, o Tríduo Pascal é uma celebração que abraça três dias.

O Tríduo Pascal é a fonte da liturgia, dos sacramentos, da catequese e de toda a vida cristã, pois nos ajudam a fazermos a experiência da Pessoa de Jesus Cristo Morto e Ressuscitado em nossa vida.

 

5.1. Quinta-Feira Santa:

 

O Tríduo Pascal inicia-se com a celebração da Missa vespertina da Ceia do Senhor, renovando a memória da instituição da Sagrada Eucaristia. É uma celebração solene, contextualizada num clima de despedida de Jesus dos seus discípulos, quando o Senhor lhes entrega o mandamento do amor (cf. Jo 15,12), num contexto de doação e de serviço, simbolizado pelo Lava-pés. É a celebração que também lembra a instituição do sacerdócio ministerial, isto é, do ministério dos sacerdotes que o Senhor escolheu para continuar a sua obra de salvação. Nesta noite da despedida a Igreja prolonga, de forma solene, sua ação de graças e adoração da Eucaristia, permanecendo em oração até a manhã da Sexta-Feira Santa.

Agradecendo os grandes dons do Senhor – Eucaristia, sacerdócio e mandamento do amor –, somos chamados a fortalecer a comunhão entre nós, servindo uns aos outros com maior compreensão, respeito e confiança. Em nossa oração diante do altar do Santíssimo, louvemos e agradeçamos ao Senhor pelo precioso dom da Eucaristia e pelos nossos sacerdotes que doam sua vida pelo Reino de Deus e pela Igreja.

 

5.2. Sexta-Feira Santa:

 

O segundo grande momento do Tríduo Pascal é a celebração da Paixão e Morte de Cristo. Neste dia, dia de jejum e abstinência, a Igreja não celebra a Eucaristia, mas na celebração realizada à tarde, ela se alimenta com a escuta da Palavra, sobretudo da narração da paixão segundo São João – a mais rica de detalhes pascais –, seguida pela Oração Universal, quando se reza pelas necessidades da Igreja e do mundo, seguida da apresentação e o beijo da Cruz, finalizando com a Comunhão Eucarística. À noite muitas comunidades celebram várias tradições religiosas arraigadas no povo cristão, como a Via-Sacra, a encenação da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, “a procissão do Senhor Morto”.

A paixão e morte de Jesus continuam ainda hoje em tantos irmãos nossos, vítimas de nosso egoísmo e das estruturas injustas que maltratam ou destroem a vida. Não podemos permanecer indiferentes diante de tanta dor e sofrimento. Na celebração vespertina, quando chegar o momento da Adoração da Cruz, tenhamos presente que não estamos diante de um simples madeiro, mas que beijamos e nos curvamos diante da cruz banhada com o sangue do Redentor e de tantos irmãos desprezados e maltratados. Sejamos promotores e defensores da vida.

 

5.3. Sábado Santo:

 

O Sábado Santo é um dia sem celebração: é o dia do silêncio, da espera, da meditação profunda sobre o que foi celebrado na Quinta e na Sexta-Feira Santa. É quando se vive a sensação de grande vazio, que não é tanto o vazio da ausência, mas o vazio da espera; uma espera que logo será premiada com a presença do Senhor Ressuscitado.

Enquanto nos preparamos para a solene e alegre Vigília desta noite pascal, alimentamos nossa esperança e a certeza de que com Cristo venceremos todo mal e divisão.

 

5.4. Vigília Pascal:

 

Enfim, o grande momento do Tríduo Pascal é a Vigília, a celebração mais importante do ano litúrgico. Compreende quatro partes: a celebração da luz, com a bênção do fogo e do Círio Pascal; as leituras da Palavra da Bíblia Sagrada, que relembram as grandes maravilhas de Deus na história; a liturgia batismal, com a bênção da água, da qual nascem os filhos de Deus e a renovação das promessas batismais; e a Liturgia Eucarística, o encontro com o Ressuscitado na Sagrada Comunhão.

A Páscoa de Cristo é nossa Páscoa, a Páscoa da Igreja. Sejamos testemunhas da Luz do Senhor. Vivamos com maior compromisso o projeto amoroso de Cristo, já manifestado desde a criação do mundo até a sua plena realização na morte e ressurreição de Cristo, mediador da Nova e Eterna Aliança. Assumamos o nosso Batismo, que nos fez participar da morte e da ressurreição de Cristo, tornando-nos filhos de Deus e membros da comunidade cristã. Vivamos a Eucaristia, o ponto alto da noite pascal, participando do triunfo de Cristo sobre o mal e sobre a morte.

 

5.5. Páscoa na Ressurreição do Senhor:

 

“Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos!” (Sl 118[117], 24): eis o canto festivo da Igreja neste grande dia. Após os dias da Quaresma, a meditação e a oração dos dias santos, a Igreja se alegra com seu Senhor, vencedor da morte.

Eis nosso compromisso pascal: sermos as testemunhas do Cristo Vivo e Ressuscitado. Participando da nova vida do Senhor Jesus, poderemos agora seguir um caminho antes inimaginável e que se exprimirá sobretudo em nossa forma de relacionamento com Deus e com os outros.

 

5.6. Tempo Pascal:

 

Com a celebração da Vigília Pascal começamos o tempo da Páscoa, inicialmente com uma Oitava (oito dias de festa do Domingo de Páscoa) e que são prolongados durante 50 dias, até Pentecostes.

Com a força do Espírito Santo, somos conduzidos a um processo de ressurreição e de vida nova, contribuindo assim para o crescimento do Reino de Deus em nosso meio.

Uma abençoada Semana Santa e uma Feliz e Santa Páscoa!

E a todos abençoo.

 

Publicado na revista O Verbo em 26.03.2021.

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