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Papa Leão XIV convoca bispos do mundo inteiro para encontro sobre as famílias em outubro

Papa Leão XIV convoca bispos do mundo inteiro para encontro sobre as famílias em outubro

FOTO: VATICAN MEDIA

 

Há 10 anos, era assinada a exortação apostólica pós-sinodal “Amoris Laetitia, sobre o amor na família“, documento do Papa Francisco elaborado após as duas assembleias sinodais que refletiram sobre a realidade familiar no mundo inteiro.

Neste dia 19 de março, quando a Igreja celebra São José, Esposo de Maria, o Papa Leão XIV divulgou uma mensagem por ocasião da marca de uma década dessa “luminosa mensagem de esperança a respeito do amor conjugal e familiar”.

Em seu texto, Leão convoca uma reunião com os presidentes das Conferências Episcopais do mundo inteiro para o mês de outubro, quando irá promover uma “escuta recíproca” em vista de um “discernimento sinodal sobre os passos a dar na transmissão do Evangelho às famílias de hoje, à luz da Amoris Laetitia e levando em conta o que se está a realizar nas Igrejas locais”.

Para o Papa Leão, o aniversário da exortação apostólica é ocasião para “render graças ao Senhor pelo impulso dado ao estudo e à conversão pastoral da Igreja” em relação a temas ligados à família, “dom de Deus e escola de valorização humana”.

O pontífice recordou o caminho feito pela Igreja na atenção pastoral às famílias desde o impulso do Concílio Vaticano II e com a Exortação Apostólica Familiaris consortio, de São João Paulo II, de 1981. Da parte do Papa Francisco, reconheceu o contexto de “mudanças antropológico-culturais”, que motivaram a busca por “comprometer ainda mais a Igreja no caminho do discernimento sinodal”, como o fez durante a XIV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre a família de 2015 ao exortar a uma “‘escuta recíproca’ no meio do povo de Deus”, salientando que não é “‘possível falar da família sem interpelar as famílias’”.

Os ensinamentos de Amoris laetitia

Leão XIV, então, procurou elencar alguns “ensinamentos valiosos” da exortação de Francisco a serviço dos jovens, dos esposos e suas famílias que devem continuar sendo encorajados: a presença amorosa e misericordiosa de Deus inclusive diante de crises familiares; o convite para adotar ‘o olhar de Jesus’, estimulando incansavelmente o amor dentro de casa; o apelo a descobrir que o amor no matrimônio, real e limitado, ‘sempre dá vida’; a necessidade de criar novos caminhos pastorais e de reforçar a educação dos filhos, junto a uma Igreja que acompanha as famílias e procura promover a sua espiritualidade.

O Papa recordou durante o Jubileu da Esperança, ao afirmar aos jovens reunidos em Tor Vergata, em Roma, e, assim, às famílias das futuras gerações, sobre a importância de aprender com a “vocação ao matrimônio exatamente no reconhecimento da fragilidade”: “temos também de apoiar as famílias, em particular aquelas que sofrem tantas formas de pobreza e violência presentes na sociedade contemporânea”.

A existência se renova constantemente no amor, afirmou o Pontífice, por isso “agradeçamos ao Senhor pelas famílias que, apesar das dificuldades e desafios, vivem ‘a espiritualidade do amor familiar […] feita de milhares de gestos reais e concretos’”. A gratidão de Leão XIV também foi dirigida aos pastores, agentes pastorais, associações de fiéis e movimentos eclesiais empenhados na pastoral familiar, tão essencial no “nosso tempo marcado por rápidas transformações”:

“compromisso da Igreja nesse campo “deve ser renovado e aprofundado, para que aqueles que o Senhor chama ao matrimônio e à família possam viver o seu amor conjugal em Cristo e os jovens se sintam atraídos pela intensidade da vocação matrimonial na Igreja”.

Confira a íntegra do documento :

MENSAGEM DO PAPA LEÃO XIV
POR OCASIÃO DO DÉCIMO ANIVERSÁRIO DA EXORTAÇÃO APOSTÓLICA PÓS-SINODAL AMORIS LAETITIA

Queridos irmãos e irmãs!

O Papa Francisco, a 19 de março de 2016, como resultado de três anos de discernimento sinodal sustentados pelo Ano Santo da Misericórdia, ofereceu à Igreja universal uma luminosa mensagem de esperança a respeito do amor conjugal e familiar: a Exortação Apostólica Amoris laetitia. Neste décimo aniversário, queremos render graças ao Senhor pelo impulso dado ao estudo e à conversão pastoral da Igreja e pedir-lhe a coragem de continuar o caminho, acolhendo sem cessar o Evangelho, na alegria de poder anunciá-lo a todos.

Como ensina o Concílio Vaticano II, a família é «o fundamento da sociedade», [1] dom de Deus e «escola de valorização humana». [2] Por meio do Sacramento do matrimónio, os cônjuges cristãos constituem uma espécie de «Igreja doméstica», [3] cujo papel é essencial na educação e transmissão da fé. Na esteira do impulso conciliar, as Exortações Apostólicas Familiaris consortio – escrita por São João Paulo II em 1981 – e Amoris laetitia ( AL) estimularam o empenho doutrinal e pastoral da Igreja ao serviço dos jovens, dos esposos e das famílias.

Tendo em conta «as mudanças antropológico-culturais» ( AL, 32) que se acentuaram ao longo de trinta e cinco anos, o Papa Francisco quis comprometer ainda mais a Igreja no caminho do discernimento sinodal. O seu discurso de 17 de outubro de 2015, proferido durante a XIV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre a família, exorta a uma «escuta recíproca» no meio do povo de Deus, «todos à escuta do Espírito Santo, o “Espírito da verdade” ( Jo 14, 17), para conhecer aquilo que Ele “diz às Igrejas” ( Ap 2, 7)». E especifica que não é «possível falar da família sem interpelar as famílias, auscultando as suas alegrias e as suas esperanças, os seus sofrimentos e as suas angústias». [4]

Hoje, ao colher os frutos do discernimento sinodal, a Amoris laetitia oferece um ensinamento valioso que devemos continuar a perscrutar: a esperança bíblica da presença amorosa e misericordiosa de Deus, que permite viver «histórias de amor» mesmo quando se enfrentam «crises familiares» (AL, 8); o convite a adotar «o olhar de Jesus» (AL, 60) e a estimular incansavelmente «o crescimento, a consolidação e o aprofundamento do amor conjugal e familiar» (AL, 89); o apelo a descobrir que o amor no matrimónio «sempre dá vida» (AL, 165) e que é «real» precisamente no seu modo «limitado e terreno» (AL, 113), como nos revela o mistério da Encarnação. O Papa Francisco afirma «a necessidade de desenvolver novos caminhos pastorais» (AL, 199) e de «reforçar a educação dos filhos» (AL, cap. VII), enquanto convoca a Igreja a «acompanhar, discernir e integrar a fragilidade» (AL, cap. VIII), superando uma concepção reduzida da norma, e a promover «a espiritualidade que brota da vida familiar» (AL, 313).

Como tive a oportunidade de dizer aos jovens reunidos em Tor Vergata durante o Jubileu da Esperança, «a fragilidade […] faz parte da maravilha que somos»: não fomos feitos «para uma vida onde tudo é óbvio e parado, mas para uma existência que se renova constantemente no dom, no amor». [5] Para servir à missão de anunciar o Evangelho da família às novas gerações, temos de aprender a evocar a beleza da vocação ao matrimónio exatamente no reconhecimento da fragilidade, de modo a despertar «a confiança na graça» ( AL, 36) e o desejo cristão de santidade. Temos também de apoiar as famílias, em particular aquelas que sofrem tantas formas de pobreza e violência presentes na sociedade contemporânea.

Agradeçamos ao Senhor pelas famílias que, apesar das dificuldades e desafios, vivem «a espiritualidade do amor familiar […] feita de milhares de gestos reais e concretos» (AL, 315). Exprimo também a minha gratidão aos Pastores, aos agentes pastorais, às Associações de fiéis e aos Movimentos eclesiais empenhados na pastoral familiar.

Ainda mais do que há dez anos, o nosso tempo é marcado por rápidas transformações que exigem uma especial atenção pastoral às famílias, às quais o Senhor confia a tarefa de participar na missão da Igreja de proclamar e testemunhar o Evangelho. [6] Na verdade, existem lugares e circunstâncias em que a Igreja «não pode tornar-se sal da terra» [7] senão através dos fiéis leigos e, em particular, das famílias. Por isso, o compromisso da Igreja neste campo deve ser renovado e aprofundado, para que aqueles que o Senhor chama ao matrimónio e à família possam viver o seu amor conjugal em Cristo e os jovens se sintam atraídos pela intensidade da vocação matrimonial na Igreja.

Considerando as mudanças que continuam a influenciar as famílias, decidi convocar, para outubro de 2026, os Presidentes das Conferências Episcopais de todo o mundo, a fim de proceder, na escuta recíproca, a um discernimento sinodal sobre os passos a dar na transmissão do Evangelho às famílias de hoje, à luz da Amoris laetitia e levando em conta o que se está a realizar nas Igrejas locais.

Confio este caminho à intercessão de São José, guardião da Sagrada Família de Nazaré.

Vaticano, Solenidade de São José, 19 de março de 2026.

LEÃO PP. XIV

 

Fonte: cnbb.org.br
vatican.va

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