25 de outubro de 2020

Jundiaí /SP

Os meus dez anos na Diocese de Jundiaí

“Continuemos a afirmar a nossa esperança, sem esmorecer, pois aquele que fez a promessa é fiel” (Hb 10,23).

Prezados irmãos e irmãs da Igreja de Deus que se faz presente na Diocese de Jundiaí:

Foi no dia 7 de março de 2010 que recebi a honrosa e exigente missão de ser o quinto Bispo da Diocese de Jundiaí. Nunca tinha estado aqui antes, e para mim foi uma grande surpresa, quando o Núncio Apostólico de então, Dom Lorenzo Baldisseri, me telefonou no dia 23 de novembro de 2009, comunicando-me a decisão do Papa Bento XVI de transferir-me da Diocese de Umuarama (PR), onde fui Bispo durante sete anos, para a amada e querida Diocese de Jundiaí.

Passados dez anos de pastoreio episcopal, quero, de coração sincero e humilde, como fez Maria no seu encontro com Isabel (cf. Lc 1,46-55), elevar minha ação de graças pelas maravilhas operadas em mim em todo este tempo, contando sempre com a graça de Deus e a colaboração de muitos.

Claro que nestes dez anos encontrei várias dificuldades e obstáculos, incompreensões e adversidades. Mas, como diz a Palavra de Deus, “a qualidade de nossa fé” é comprovada pelos problemas que encontramos na vida (cf. 1Pd 1,7). E preciso confessar também a minha condição humana, fraca e limitada, que nem sempre me ajuda a corresponder àquilo que o Senhor pede de mim. “Contra ti, só contra ti eu pequei… Tem piedade de mim, ó Deus, segundo a tua misericórdia” (Sl 51[50] 6.3).

Nesta ação de graças pelos dez anos de convivência com os diocesanos de Jundiaí, quero salientar, entre tantos outros, alguns pontos que creio serem marcantes. Longe de mim que isto seja motivo de orgulho e vaidade, pois tudo isto foi alcançado pela graça de Deus e pela ajuda de tantas pessoas. “É pela graça que somos salvos, mediante a fé. E isso não vem de nós: é dom de Deus!” (Ef 2,8).

Em primeiro lugar louvo a Deus pela ajuda dos nossos sacerdotes, meus irmãos e colaboradores mais diretos – atualmente são 124 −, chamados a serem discípulos missionários de Jesus, o Bom Pastor. Nestes dez anos quanto trabalho foi realizado pelo serviço do Reino! Neste período alguns já partiram para a eternidade, outros, particularmente pertencentes às Congregações Religiosas Masculinas, foram transferidos para outras localidades e ainda outros escolheram seguir outro rumo em suas vidas. E, graças a Deus, a Pastoral Presbiteral tornou-se muito bem organizada e articulada. Tive a imensa alegria de impor minhas mãos sobre 27 jovens, ordenando-os para o ministério presbiteral. “Eu te louvarei, Senhor, de todo o meu coração, proclamarei todas as tuas maravilhas” (Sl 9,2).

Como não agradecer também a Deus pelos Diáconos Permanentes, chamados a serem discípulos missionários de Jesus Servidor – atualmente são 85 – alguns já eméritos! Temos também um diácono transitório, preparando-se para ser ordenado sacerdote. Louvo a Deus por ter ordenado, no ano de 2012, mais 19 Diáconos Permanentes e, atualmente, 71 são candidatos preparando-se para esta grande missão. “Eu te louvarei, Senhor, de todo o meu coração, proclamarei todas as tuas maravilhas” (Sl 9,2).

Em minha ação de graças a Deus incluo também os consagrados e as consagradas ao Reino, chamados a serem discípulos missionários de Jesus, Testemunha do Pai − algumas de vida religiosa contemplativa – e que assumem a forma de vida que Cristo, casto, pobre e obediente escolheu para vir a este mundo. “Eu te louvarei, Senhor, de todo o meu coração, proclamarei todas as tuas maravilhas” (Sl 9,2).

Graças a Deus, nossa Diocese sempre procurou atender ao apelo de Jesus: “A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao Senhor da colheita que mande trabalhadores para sua colheita” (Lc 10,2). Os seminaristas – atualmente em número de 50 – certamente são sementes de novos padres santos, sábios, pastores, missionários e misericordiosos. “Eu te louvarei, Senhor, de todo o meu coração, proclamarei todas as tuas maravilhas” (Sl 9,2).

Penso que a formação dos seminaristas deve ser uma das grandes prioridades do Bispo Diocesano. Louvo a Deus por, nestes dez anos, poder contar com um grupo de Formadores muito competentes e prestativos, chegando a criar o Conselho Diocesano de Formadores (CONDIF). No início do ano passado, foi criado o Instituto Diocesano de Filosofia Pe. Eugênio Inverardi, para que os nossos seminaristas de Filosofia recebam, aqui mesmo no nosso Seminário, uma preparação mais adequada para o estudo posterior da Teologia. “Eu te louvarei, Senhor, de todo o meu coração, proclamarei todas as tuas maravilhas” (Sl 9,2).

Nesta Diocese extraordinária são também marcantes a presença e a atuação dos cristãos leigos e leigas, chamados a serem discípulos missionários de Jesus, Luz do mundo. Agradeço ao Senhor por tantos Agentes de Pastoral que participam de várias Pastorais Específicas, Movimentos Eclesiais, Associações de Leigos e Novas Comunidades. Peço ao Bom Deus para que eles estejam mais atuantes nos vários ambientes da vida (família, trabalho, educação, política, conselhos de políticas públicas…) contribuindo para a transformação da nossa sociedade segundo os critérios do Evangelho. “Eu te louvarei, Senhor, de todo o meu coração, proclamarei todas as tuas maravilhas” (Sl 9,2).

Nestes dez anos constatei como a Diocese de Jundiaí é vibrante e animada na sua ação evangelizadora. Neste tempo foram elaborados dois Planos Diocesanos da Ação Evangelizadora (2012 e 2014), e estamos em clima de preparação para a elaboração do novo Plano, a partir das Assembleias Paroquiais já realizadas no final do ano passado e das Assembleias programadas para este ano: Assembleias Regionais (08.03 e 07.06) e 8ª Assembleia Diocesana (07.11). “Eu te louvarei, Senhor, de todo o meu coração, proclamarei todas as tuas maravilhas” (Sl 9,2).

Apesar da nossa pobreza, nossa Diocese tem uma índole missionária muito marcante. Vários sacerdotes e famílias vivem sua fé eclesial fora de nossa Diocese, até em outros países, até na África. Temos também um Diácono Permanente com sua esposa na Igreja-Irmã de Roraima (RR). “Eu te louvarei, Senhor, de todo o meu coração, proclamarei todas as tuas maravilhas” (Sl 9,2).

Várias obras foram construídas nestes anos, graças à generosidade das nossas Paróquias que se mantêm, não sem grandes dificuldades, com a colaboração dos nossos dizimistas, benfeitores e outros eventos para captar recursos. Desejo destacar apenas duas obras: (a) A construção da nova Casa de Formação para abrigar os seminaristas de Filosofia, inaugurada no dia 23.08.2016; (b) A Casa dos Presbíteros São João Maria Vianney, destinada a acolher os sacerdotes idosos e enfermos, bem como para ser o local de encontro e de lazer para os sacerdotes, sendo inaugurada neste 7 de março. “Eu te louvarei, Senhor, de todo o meu coração, proclamarei todas as tuas maravilhas” (Sl 9,2).

O futuro a Deus pertence! Segundo as normas da Igreja, devo renunciar ao meu cargo de Bispo Diocesano daqui a dois anos, ao completar 75 anos. Suplico ao Deus bondoso e amoroso que me conserve sempre fiel à minha missão episcopal até o último momento do tempo que Ele me conceder. De fato, “continuemos a afirmar a nossa esperança, sem esmorecer, pois aquele que fez a promessa é fiel” (Hb 10,23).

Que Maria, Nossa Senhora do Desterro, nossa Padroeira Diocesana, sob cuja proteção maternal quis me colocar ao ser eleito para ser Bispo há 21 anos, ao escolher como lema bíblico: “Fazei tudo o que ele vos disser!” (Jo 2,5), me faça cada vez mais “ser Bispo para vós, e convosco ser cristão” (cf. Santo Agostinho: Sermão, 340, n. 1).

Queridos diocesanos e queridas diocesanas: peço-lhes para estarem unidos comigo nesta ação de graças por estes dez anos que convivo com vocês.

 

E a todos abençoo.

 

Dom Vicente Costa
Bispo Diocesano de Jundiaí

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