11 de abril de 2021

Jundiaí /SP

Os filhos de Francisco

O Senhor Deus tomou o homem e o colocou no jardim do Éden, para cultivá-lo e guardá-lo(Gn 2,15).

 

É bem provável que muitos dos leitores deste artigo se lembrem de um filme brasileiro de grande sucesso, baseado na história de vida do Sr. Francisco, pai dos conhecidos cantores sertanejos: Zezé Di Camargo e Luciano. Este filme foi lançado em 19 de agosto de 2005. Muitos se emocionaram ao ver na grande tela o esforço de um pai que conhecia o talento de seus filhos e se esforçou para que outros conhecessem também o dom deles de cantar. O filme mostrou que o pai chegou a comprar dezenas de “fichas” para que, de um telefone público, passasse horas ligando para as rádios da cidade e da região, pedindo a música cantada pelos filhos. A mesma música que contribuiu para que a dupla chegasse ao topo do sucesso dentre os cantores brasileiros.

De modo geral, é motivo de orgulho e de alegria para pais e filhos, quando alguém diz que os filhos se parecem com os pais. É admirável quando filhos podem se espelhar nos gestos e atitudes de seus pais. Aliás, uma das maneiras de homenagearmos nossos pais, tanto quando estão vivos ou quando já foram chamados para a eternidade, é viver segundo os bons ensinamentos que deles herdamos.

Todos nós carregamos traços físicos, psicológicos e espirituais dos nossos pais. Não somos frutos do acaso. Temos em nosso sangue, em nosso DNA, marcas e registros inegáveis daqueles que nos colocaram neste mundo. É bem verdade que herdamos virtudes, como também limites. As virtudes precisam ser cultivadas e multiplicadas. Os limites precisam ser percebidos por nós e bem administrados.

Depois da recordação da história relatada no filme “Os dois filhos de Francisco”, quero recordar um outro Francisco, que tem “muitos filhos e filhas” espalhados pelo mundo. É impressionante como este Francisco deixou uma marca indelével na história da humanidade. Falo de Francisco de Assis (1182-1226), que de um pequeno lugar da Itália, conquistou tantos corações e mentes por toda parte.

Cristãos e não cristãos admiram o jeito como este homem viveu e a maneira como se relacionou com Deus, com o mundo e com o próximo, sobretudo o próximo mais necessitado e com a natureza. Francisco inspira-nos a sermos protagonistas de uma cultura que opte pela vida, que promova a paz com profundo senso de justiça e cultivo da Mãe Terra.

O mundo e a humanidade têm muito a ganhar, se mais e mais pessoas desejarem ser herdeiras da vida de Francisco, carregando os seus traços. Seguramente haverá mais “filhos e filhas de Francisco”, lutando por uma globalização do bem, da harmonia universal e do cuidado pela nossa “Casa Comum”.

Nota: Por motivos redacionais deste jornal, o meu artigo será publicado apenas no primeiro domingo de cada mês.

 

Publicado no Jornal de Jundiaí em 04.10.2020.

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