O Rosto de Cristo Sacerdote (10): Filho de Maria

“Caros amigos, Maria é a nossa Mãe, que tem a missão de reunir, unir, aproximar seus filhos adotivos, com o seu filho, o salvador Jesus Cristo. Devemos tratá-la sim, como mãe amorosa do Salvador, pois foi agraciada pelo Altíssimo e carregou em seu ventre o Messias esperado, o novo Adão. Dentre todos os personagens bíblicos, seja do Antigo ou do Novo Testamento, ninguém teve honra maior que a Virgem Maria e, por isso, devemos honrá-la, antes de tudo seguindo seu exemplo, como diz Santo Agostinho: “Maria acreditou e nela o que acreditou se cumpriu. Acreditemos também nós para que o que se cumpriu nela possamos também nós aproveitar” (Sermões, 215,4 – PL 38, 1074).

De acordo com o Concílio Vaticano II, Maria está no coração do mistério de Cristo e da Igreja, pois Deus quis que Jesus, Cabeça da Igreja, nascesse de suas entranhas. Prenunciada no Antigo Testamento, ela é apresentada, dentro do Novo Testamento, como aquela que aceitou ser cooperadora do projeto divino de salvação, e como a perene associada de todo o trajeto de Jesus Cristo. Por isso, é venerada como a Mãe dos cristãos, na ordem da graça, experimentando a Igreja sua intercessão fraterna (ler o Capítulo VIII da Lumen Gentium). O Concílio mostra ainda que ela é membro, símbolo e mãe da Igreja, a partir de sua relação ímpar com Jesus. Não se trata somente da maternidade. Maria é mãe, companheira e serva do Senhor, tornando-se assim para nós mãe, na ordem da graça (LG 61). Devido à sua maternidade, à união de missão com Cristo e às suas singulares graças e funções, Maria está também intimamente relacionada com a Igreja (LG 63). Como Maria, a Igreja é mãe e virgem: gera novos filhos pelo batismo, guarda a palavra dada ao Esposo, vive na fé, esperança e caridade (LG 64).

Pois bem, para ser verdadeiro ícone do seu santo Senhor, o sacerdote deve tecer relacionamentos estreitos com o Pai que o abraça de intenso amor, o educa e age à imagem do Filho na contínua assistência do Espírito Santo. O sacerdote, pela sua identificação pessoal e conformação teologal e sacramental com o Filho do Altíssimo e ao mesmo tempo Filho de Maria, deve sentir-se e propor-se ao povo cristão na Igreja como filho da Mãe de Cristo e da Igreja: “Ela, a quem os presbíteros devem amar e venerar com devoção e culto filial, como Mãe do sumo e eterno sacerdote, como rainha dos Apóstolos e auxílio do seu ministério” (Presbyterorum ordinis, 18). Desta feita, o Padre verdadeiramente devoto de Nossa Senhora procura agradar a tão boa Mãe. Antes de tudo, vai agradá-la não ofendendo seu Filho, Jesus Cristo. Em segundo lugar, agrada a Maria tornando-se realmente uma cópia, um retrato de Jesus Cristo, Sumo Sacerdote, pois, como Maria dá Cristo à humanidade, também o sacerdote da Cristo à humanidade, mas de um modo diverso, como é claro: Maria mediante a Encarnação e mediante a efusão da graça e o Sacerdote através do poder da Ordem sacra: “Quando tomardes nas vossas mãos o Corpo eucarístico de Jesus, para alimentar com Ele o Povo de Deus, e quando assumirdes a responsabilidade por aquela parte do Corpo Místico que vos for confiada, recordai a atitude de admiração e de adoração que caracterizou a fé de Maria” (Papa Bento XVI. Discurso de 26 de maio de 2006).

Maria vê no sacerdote que vive com intensidade o seu ministério o Seu próprio Filho Jesus, como o Bom Pastor que conduz aqueles que lhes foram confiados, buscando a salvação de cada um, animando-os pelo perdão, pelas bênçãos e dando-lhes o Alimento de Vida. E no mesmo silêncio com que acompanhou Jesus o cobre e protege com seu manto materno.

Pe. Enéas de Camargo Bête

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