O mal da Pornografia (4): Suas consequências

Caros amigos, a Conferência Episcopal dos Estados Unidos lançou um importante documento pastoral, condenando o mal da pornografia e chamando “todos os homens de boa vontade” a trabalhar por uma “cultura de pureza” e de respeito à sexualidade humana. O título da declaração é Create in Me a Clean Heart (Criai em mim um coração que seja puro, Sl 50,21). Na linha do Catecismo da Igreja Católica, que condena a pornografia como pecado grave (§ 2354), a declaração dos bispos esclarece que “esse pecado precisa do perdão de Deus e deve ser confessado através do Sacramento da Penitência”, sem o qual não se pode “receber o Sacramento da Eucaristia dignamente”. O pecado mortal, diz ainda o documento, “destrói em nós a caridade, sem a qual a bem-aventurança eterna é impossível, rompe o relacionamento de uma pessoa com Deus e coloca em risco a sua salvação”. O documento afirma ainda que a pornografia gera uma desconexão com a realidade, apresentando modelos de pessoas e de relações que causam ilusão, distorcendo a visão que o usuário tem a respeito da sexualidade e dos relacionamentos, uma coisificação do outro, como já vimos, de modo especial da mulher.

Um outro estudo, da “Family Research Council”, afirma que a pornografia é uma grande ameaça ao matrimônio. Patrick F. Fagan, diretor do Centro de Investigação sobre o Matrimônio e a Religião, descreve os efeitos sociais e psicológicos da pornografia em seu estudo “The Effects of Pornography on Individuals, Marriage, Family and Community” (Efeitos da pornografia no indivíduo, no casamento, na família e na comunidade, em https://www.frc.org/issuebrief/the-effects-of-pornography-on-individuals-marriage-family-and-community): a pornografia cria dependência, e os neurocientistas começam a estabelecer o substrato biológico dessa dependência; os usuários tendem a tornar-se insensíveis ao tipo de pornografia que usam, fartam-se dela, e procuram de seguida formas mais perversas de pornografia; os homens que veem pornografia regularmente têm uma maior tolerância para a sexualidade anormal, incluindo a violação, agressão sexual e promiscuidade sexual; o consumo prolongado de pornografia pelo homem leva-o a ter uma noção das mulheres como mercadorias ou como “objetos sexuais”; os homens casados que estão envolvidos em pornografia sentem-se menos satisfeitos com suas relações conjugais e menos emocionalmente ligados às esposas. As esposas revoltam-se e preocupam-se com a diferença nos seus comportamentos; o uso da pornografia é um caminho para a infidelidade e o divórcio, e frequentemente é um fator importante nessas catástrofes familiares; entre os casais afetados pelo vício de um dos cônjuges, dois terços experimentam uma perda de interesse sexual; ambos os cônjuges vêm a pornografia como equivalente a infidelidade; uma menor autoestima e uma menor capacidade de levar uma vida social significativa. Em relação aos jovens, diz o pesquisador: quanto mais material de sexo explícito os adolescentes veem na internet, mais insistentemente pensam em sexo. Definitivamente, entram em um círculo vicioso; quanto mais os adolescentes consomem pornografia, mais existirá a possibilidade de eles estarem propensos ao sexo ocasional e a ter relações sexuais mais cedo; se os adolescentes estiverem expostos a material pornográfico com cenas de violência, muito provavelmente eles terão hábitos sexuais agressivos; quanto mais material pornográfico os adolescentes consumirem, haverá mais possibilidade de eles caírem em depressão ou cometerem suicídios; as meninas tendem a se sentir fisicamente inferiores às mulheres que elas veem nos materiais pornográficos; os meninos tendem a ter medo de não estar à altura dos homens que eles veem nos vídeos.

O Dr. Fagan cita ainda um estudo que revelou que 40% desses viciados em sexo perdem suas esposas. Um estudo sobre relatos de advogados de divórcio indicava em 68% os casos de divórcios ocasionados por uma das partes que se envolveu em interesses amorosos na internet, e 56% os casos em que uma das partes tinha um interesse obsessivo nas páginas pornográficas da web.

 No próximo artigo veremos sobre a Virtude da Pureza.

Pe. Enéas de Camargo Bête

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