O mal da Pornografia (3): Uma nova droga

Caros amigos, o impacto da pornografia no cérebro é mais amplamente compreendido agora do que em qualquer outro momento. As varreduras do cérebro e pesquisas continuam a relatar o constante impacto negativo desse vício. Embora o termo “dependência de drogas” tipicamente seja reservado para substâncias químicas ingeridas fisicamente (ou inaladas ou injetadas) no corpo, a pornografia afeta quimicamente e fisicamente o cérebro de um modo semelhante tal qual outra droga qualquer, como a nicotina (cigarro), álcool, cocaína, heroína ou crack, só que mais viciante e persistente.

Um estudo publicado pelo Instituto Max Planck para o Desenvolvimento Humano, na Alemanha, revelou que quanto mais tempo assistindo vídeos pornográficos passar uma pessoa, menor o tamanho e movimento de algumas partes do seu cérebro – especialmente no corpo estriado, uma parte que está associada a emoção, recompensa e desejo (https://www.mpib-berlin.mpg.de/en/media/2014/06/viewers-of-pornography-have-a-smaller-reward-system).

Isto está diretamente ligado ao papel da dopamina neste processo. A dopamina é o hormônio do prazer – quando você vê algo desejável, seu cérebro libera dopamina. Normalmente, essas reações químicas são muito úteis. Elas nos fazem sentir prazer e nos permite criar vínculos com outras pessoas, e elas nos motivam a sempre realizarmos atividades importantes que nos fazem felizes. O problema é que o sistema de recompensa pode ser sequestrado, pois, a busca por mais dopamina leva ao usuário a repetir constantemente aquilo que desencadeou a sua liberação. Quanto mais um usuário de pornografia assiste a conteúdo pornográfico, mais esses caminhos consolidam-se no cérebro, tornando-se cada vez mais fácil ao usuário a voltar a consumir droga/pornografia, quer ele queira quer não. Em outras palavras, a pornografia na internet faz mais do que simplesmente cravar o nível de dopamina no cérebro para uma sensação de prazer. Ela literalmente muda a matéria física no cérebro de modo que novos caminhos neurológicos requeiram material pornográfico por mais tempo e mais “pesado”, a fim de desencadear a sensação de recompensa desejada.   (procure Gary Wilson. Your Brain on Porn: Internet Pornography and the Emerging Science of Addiction; assista também o vídeo: The Science of Pornography Addiction, disponível no Youtube; infelizmente em português é muito escasso o material de pesquisa sobre a pornografia).

Um outro problema com a pornografia é que é oferecido aos consumidores um número ilimitado de pessoas supostamente “dispostas”. Toda vez que uma pessoa vê um novo parceiro potencial, mesmo que na tela de um computador, isso faz com que o seu comportamento sexual pelo desejo seja frequente. Mark B. Kastleman, autor de “L’ultima droga. La pornografia su Internet e il suo impatto sulla mente”, sugere que, como quaisquer outros usuários de drogas, os dependentes de pornografia começam a tratar as pessoas como objetos que devem se adequar a seu prazer. Ele escreve: “E quando as imagens já não são mais suficientes, muitos começam a retratar e a buscar no mundo real o que veem na pornografia virtual” (pg. 15).

Próximo artigo trataremos dos males sociais e espirituais da pornografia.

Pe. Enéas de Camargo Bête

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