11 de abril de 2021

Jundiaí /SP

No meio do caminho…

Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6)

 

Na véspera de Finados, é bom lembrar que a vida é um caminho a ser percorrido. Uma das belezas intrínsecas da existência humana é a possibilidade de passar por este mundo, optando pelo caminho que nos conduzirá à realização de nossos ideais e à felicidade que cremos que seja eterna. Ao longo da nossa história ouvimos falar de tantos caminhos. A família nos ensina o caminho da convivência fraterna, da fé e dos laços íntimos que nos dão segurança! A fé nos apresenta o caminho que conduz à salvação.

“No meio do caminho” é o título de uma das poesias do memorável poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade. Essa sua poesia insiste o tempo todo sobre a existência de uma pedra no caminho. “No meio do caminho tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho. Tinha uma pedra. No meio do caminho tinha uma pedra…”. No vocabulário popular, falar de pedra no caminho significa ressaltar as dificuldades, obstáculos, privações e sofrimentos que todo ser humano enfrenta independentemente dos caminhos que percorre.

É muito interessante que os Evangelistas colocam várias vezes nos lábios de Jesus a palavra pedra, que em aramaico é “cefas”, significando rocha, fortaleza, firmeza. Jesus diz para Pedro: “Tu és pedra, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja e as portas do inferno nunca prevalecerão contra ela” (Mt 16,18). A perspectiva aqui já não é mais simplesmente de obstáculo, mas sim, de uma força sobrenatural que nos faz vencer as pedras-desafios. Em outra passagem, Jesus nos lembra que a casa construída a rocha resiste às intempéries da vida e não desaba de forma alguma (cf. Mt 7,25).

Portanto, no meio do nosso caminho sempre uma pedra ou outra haveremos de encontrar. Na hora da dor, as pessoas podem escolher o caminho da revolta, da apatia ou do desistir de tudo e de todos. Mas, podem escolher também o caminho da resiliência, da persistência, da perseverança e da esperança, para superarem as pedras.

Dia por dia precisamos fazer escolhas, tomar decisões, optar por um caminho ou outro. E neste vai e vem de dezenas de tarefas e compromissos, seremos muitas vezes surpreendidos positiva ou negativamente! Caberá a cada um de nós darmos um significado a cada pedra. E ao longo de todo caminho transformarmos cada pedra em matéria prima para a construção de uma nova história, uma nova família, um novo mundo e uma nova humanidade! Bem-aventurados são aqueles que perseverarão até o fim, crendo firmemente que a pedra ficou removida do túmulo de Jesus na manhã da Páscoa (cf. Lc 24,2), abrindo assim o caminho para uma vida que não conhece ocaso.

Publicado no Jornal de Jundiaí em 01.11.2020.

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