18 de maio de 2024

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Laudate Deum: “Não se pode mais duvidar da origem humana das mudanças climáticas”

FOTO: Vatican Media

 

Neste dia 4 de outubro, Festa de São Francisco e após oito anos da Laudato si‘, o Papa Francisco lançou a Laudate Deum, uma exortação apostólica dirigida “a todas as pessoas de boa vontade sobre a crise climática”. Uma crise da qual ele denuncia seus vários efeitos, lembrando que a Igreja tem repetidamente apontado que não é “uma questão secundária ou ideológica, mas um drama que prejudica a todos nós”.

O documento faz uma análise da crise climática global, mostrando as “consequências muito graves para todos” do aumento da temperatura global. Francisco denuncia “o desequilíbrio global causado pelo aquecimento global”, que é visível em fenômenos extremos. Em suas palavras, ele desdenha a tentativa de culpar os pobres, ressaltando que “os poucos por cento mais ricos do planeta poluem mais do que os 50 por cento mais pobres de toda a população mundial”, e que “milhões de pessoas perdem seus empregos por causa das várias consequências da mudança climática”.

“não há mais dúvidas sobre a origem humana – antropogênica – da mudança climática”, uma consequência do desenvolvimento industrial, afirma a Laudato Deum.

Um desenvolvimento do poder econômico que está mais preocupado com o lucro do que com a crise climática. Isso está causando danos e riscos, como resultado do aumento da temperatura dos oceanos e do encolhimento do gelo continental, com um risco cada vez maior de “atingir um ponto crítico” do qual não há retorno. O Papa pede “responsabilidade pela herança que deixaremos para trás após nossa passagem por este mundo”.

Francisco considera estar “por trás do atual processo de degradação ambiental”. Isso foi acentuado nos últimos anos pela inteligência artificial e pelos mais recentes desenvolvimentos tecnológicos, nos quais ele vê “a ideia de um ser humano sem limites”, criando uma ideologia na qual “a realidade não humana é um mero recurso a seu serviço”, uma tecnologia que “causa arrepios na espinha”.

Ao citar exemplos históricos de seu mau uso e pedindo “uma ética sólida, uma cultura e uma espiritualidade que realmente o limitem”, ele pede para que repensemos o uso do poder humano.  O texto considera que “a vida, a inteligência e a liberdade humanas integram a natureza que enriquece nosso planeta e fazem parte de suas forças e equilíbrio internos”. As culturas indígenas são apresentadas  como exemplo da interação humana com o meio ambiente.

O Papa reflete ainda sobre o que chama de “o aguilhão ético”, denunciando o controle da opinião pública por aqueles que têm os maiores recursos. E denuncia a política internacional, ao afirmar que o poder monopolizado por uma elite deve ser combatido. O texto fala em “assegurar o cumprimento de certos objetivos inegáveis” e recorda as palavras de Fratelli tutti, onde ele defende “a primazia da pessoa humana e a defesa de sua dignidade além de todas as circunstâncias”.

A exortação apostólica Laudate Deum analisa o progresso e os fracassos das conferências climáticas, destacando a última conferência realizada em Sharm El Sheikh, em 2022. O Papa pede uma transição energética eficiente, obrigatória e fácil de monitorar, que inicie um processo drástico e intenso com o comprometimento de todos.

 Por fim, ele aborda as motivações espirituais, especialmente dos católicos, algo que brota da fé, embora convide membros de outras religiões a fazer o mesmo. Ele pede comunhão e compromisso e em contraste com a visão de mundo judaico-cristã, propõe um “antropocentrismo situado”, que leva a “reconhecer que a vida humana é incompreensível e insustentável sem outras criaturas”, uma consequência da estreita conexão com o mundo ao nosso redor, algo que vem de Deus.

É por isso que Francisco pede o fim da “ideia de um ser humano autônomo, todo-poderoso e ilimitado” e a compreensão de nós mesmos “de uma forma mais humilde e mais rica”. O Pontífice nos convida “a acompanhar esse caminho de reconciliação com o mundo que nos abriga e a embelezá-lo com nossa própria contribuição” e propõe “o esforço das famílias para poluir menos, reduzir o desperdício, consumir com sabedoria” e modificar os hábitos pessoais, familiares e comunitários.

 

Fonte: https://www.cnbb.org.br/nova-exortacao-apostolica-laudate-deum-o-grito-do-papa-por-uma-resposta-a-crise-climatica/

 

Confira a íntegra do Documento:

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