29 de novembro de 2020

Jundiaí /SP

Encontro virtual reúne Dom Vicente e alunos

A Diretoria do Centro Diocesano de Formação do Laicato Dom Gabriel organizou um encontro virtual diocesano e promoveu um bate papo entre o Bispo Diocesano, Dom Vicente Costa, e os alunos. Por meio da plataforma google meet os alunos dos Núcleos de Formação (5 teológicos, 2 Bíblico catequéticos e 1 de Fé Política e Cidadania), diretamente de sete das 11 cidades da Diocese, a saber: Cajamar, Campo Limpo Paulista, Itu, Jundiaí, Salto, Santana de Parnaíba e Várzea Paulista) puderam conversar com Dom Vicente.

O tema do encontro, realizado em 23 de outubro, foi tirado do Mês Missionário 2020: “A vida é Missão” – “Eis –me aqui envia-me” (Is 6, 8). Já as motivações foram a de receber uma palavra de estímulo do Pastor Diocesano e uma oportunidade para que Dom Vicente pudesse ouvir testemunhos dos alunos e responder as questões que cada um trazia no coração.

A Diretora do Centro de Formação, Irmã Alcinda Primon, CMC,  apresentou o novo assessor eclesiástico, Padre Cristiano Roberto Campelo, SDB, que por motivos da pandemia ainda não visitou os Núcleos e conheceu pessoalmente os alunos.

Evangelização, Missão, Comunicação foram os temas principais sobre os quais foram feitas as perguntas ao Bispo e testemunhos dos alunos.

 

  1. Evangelização – como evangelizar em tempos de pandemia? Dom Vicente respondeu: “É um desafio que ninguém esperava, no entanto, a Igreja se reinventou neste período para evangelizar pelas vias digitais e redes sociais. O perigo é que alguns fiquem acomodados achando mais fácil ficar em casa utilizando a televisão ou outras redes para participar das celebrações”.

 

Como evangelizar pós pandemia? “Não temos a resposta, no entanto, da nossa parte como cristãos discípulos missionários de Jesus, devemos utilizar todos os recursos possíveis, como por exemplo a oração, invocando o Santo Espírito protagonista da missão, também pelo testemunho de vida. O importante é que nós somos da Igreja e continuemos a participar e mostrar a alegria de vivermos juntos a fé, vivendo-a em comunidade, em família. Eu creio, nós cremos, eu participo, mas nós participamos. A Igreja de Jesus é uma Igreja comunitária, em família. Devemos cada vez mais continuar a utilizar os meios de comunicação social, novas formas, novos conteúdos, novas expressões. Não para que as pessoas fiquem acomodadas, mas para incutir alegria e ardor, esta sede de nos encontrarmos em comunidade, acredito que será o maior desafio de colaborar para que as pessoas redescubram a fé comunitária. Todas as vezes que Jesus apareceu aos discípulos, sempre a comunidade estava reunida. Devemos envolver a juventude para evangelizar para que assumam seu papel. Que os jovens se apresentem com sua jovialidade, sua maneira de saber usar as tecnologias com maior destreza na evangelização. Que os jovens se coloquem a disposição e tragam para a Igreja este novo espírito e leveza, o novo ardor missionário, uma nova energia, uma nova audácia. O jovem é o homem do sonho que vislumbra o futuro, que anseia para coisas novas” (Dom Vicente).

Dom Vicente também foi questionado sobre como evangelizar diante dos métodos anticoncepcionais, novos métodos de fertilização, e sobre a questão do aborto. “A ciência avança, mas a teologia e a moral não acompanharam os passos da ciência. Diante disso a razão não pode ser negada, a ciência não pode ser desprezada, porém a fé e a Palavra de Deus como é ensinada, interpretada e atualizada pelo magistério, pelos bispos com o Papa, contando também com a ajuda de assessores poderão colaborar neste campo”. Dom Vicente reconhece que a Igreja precisa investir mais na preparação de assessores nesta área.

“Podemos oferecer novas propostas diante dos novos avanços da ciência. Todo avanço da ciência nunca poderá negar o conteúdo da fé. A fé nos diz que Jesus se fez homem, a vida é para Ele dom absoluto e o maior que recebemos da bondade e misericórdia de Deus. Todo método, progresso, avanço que a ciência consiga descobrir, deve respeitar a vida em toda a sua forma desde a concepção até o seu ocaso natural que é a morte”, continuou o Bispo.

Dom Vicente também recordou a Semana da Vida. Neste evento, a doutora Érica de Brasília (ginecologista) disse que “muitas vezes se nega a vida, se despreza a vida por falta de conhecimento, muitos médicos não conhecem a beleza da bioética, ensinada pela Igreja. Devemos evangelizar com respeito pela ciência, e respeito absoluto pelo Evangelho de Jesus que é o Evangelho da Vida. Não podemos deixar de dar a nossa contribuição, para que a partir do ponto de vista cristão católico possamos dar resposta aos novos avanços que a ciência nos apresenta. O Concílio nos falou muito na Constituição Pastoral Gaudium et Spes, que todo avanço da ciência é fruto do Espírito Santo, que impulsiona esse sopro novo, a tecnologia, que é o fruto da razão, que provém do Espírito que Deus colocou no coração da pessoa humana ao criar o homem e a mulher a sua imagem e semelhança. Somos chamados a evangelizar cada vez mais pelo testemunho, vivência, prática da caridade e fraternidade, sempre em comunhão com o que a Igreja ensina, e a razão mediante os progressos, da ciência e os avanços da tecnologia que nos são apresentados”.

Dando continuidade sobre como evangelizar, Padre Leandro Megeto lembrou-nos sobre a centralidade do querigma que é o grande desafio da pós pandemia, do retorno das pessoas da Igreja, “o anuncio deste conteúdo precioso que nós temos, que é Jesus vivo e Ressuscitado. O Testemunho se dá com a experiência, daquilo que vivo, celebro, rezo, por isso eu anuncio com empolgação e ânimo. Devemos ter paixão ao falarmos de Jesus Cristo, ao falarmos da Igreja. Defende-la é o grande desafio! Quantas pessoas dentro da Igreja estão quebrando essa comunhão. Esse tecido eclesial se rompe todas as vezes que nos deixamos levar por ideologismos, quebrando a unidade da Igreja. O querigma e o nosso testemunho são importantes neste período que estamos vivendo”.

  1. Missão – Disse Dom Vicente: “A vida é missão segundo o tema da campanha missionária deste ano. A missão é a resposta a este dom inesgotável do amor de Deus, que se manifestou no amor encarnado do seu Filho que morreu e por nós ressuscitou. Devemos dizer a cada momento, eis-me aqui Senhor, o que devo fazer, como me comportar, como devo ser sal da terra, luz do mundo na família, no trabalho? Como viver esta fraternidade na forma social? Somos chamados a ser missão, Diante deste mundo moderno e tecnológico que desafia a nossa pertença, que nos faz perder o foco do que é essencial. Hoje tudo é aceito e relativo, faço o que eu quero e que me convém; precisamos redescobrir o valor da mística, da oração, da presença do Senhor, da permanência de Deus na minha vida”.

O Bispo Diocesano também recordou os quatro grandes caminhos que a Igreja do Brasil lançou nas Diretrizes da Ação Evangelizadora de 2019-2023. “Que tipo de Igreja Deus quer que sejamos nessa amada diocese?

  1. “Uma Igreja da Palavra, que saiba ouvir a Palavra, que saiba orar com a Palavra de Deus. Uma Igreja que saiba de verdade valorizar a Bíblia não como qualquer doutrina, mas como um livro onde Deus se revela de verdade.
  2. Uma Igreja litúrgica, que reza, que encontra na celebração a fonte onde bebe para continuar a caminhada com mais coragem, a Eucaristia. Uma celebração que possa nos tornar cada vez mais firmes diante desse mundo moderno.
  3. Uma Igreja da caridade. Somos chamados a viver a práxis de Jesus na sua opção pelos pobres que dá sentido à existência da Igreja. Jesus privilegiava os mais pobres, os fracassados e excluídos, ser uma Igreja caridade. Eu sou Igreja pela caridade numa opção preferencial pelos pobres, sou santo quando vivo em missão.
  4. Uma Igreja missionária. Eu sou missão pela palavra, sou missão pela oração numa espiritualidade encarnada. A Igreja será mística quando sempre for missionária”.

 

  1. Comunicação – os alunos elogiaram a Setor Comunicação da Diocese neste período que esteve presente na vida dos diocesanos, por sua criatividade. Todos os setores se reinventaram. Pediram-nos que continuemos nesta animação virtual, mesmo que retorne o presencial, sendo muito importante para aqueles que têm dificuldades de frequentar, sendo este meio uma grande possibilidade para muitos darem continuidade em sua formação cristã.

O Centro Diocesano de Formação também se reinventou neste período para usar as mídias e poder dar continuidade à formação dos alunos. “No início foi difícil para todos os professores, mas hoje já avaliamos a sua importância, pois conseguimos atingir pessoas de vários estados e até de outros três países além da nossa diocese nas formações oferecidas. Desse mal da pandemia, tiramos um bem, pois fomos obrigados a nos reinventar para sobreviver e ir além dos desafios trazidos pela doença. Virtualmente conseguimos chegar até nossos alunos nos nossos núcleos”, declarou Irmã Alcinda, que continou “A vida é missão, portanto essa é também a missão do Centro de Formação, animar, anunciar testemunhando Jesus também por meio das mídias sociais”.

 

Dom Vicente acolheu este pedido com alegria de pastor e incentivou a direção do Centro Diocesano, os seus professores e alunos a perseverarem e serem firmes na fé.

Todos os envolvidos na ação ficaram muito agradecidos por esta oportunidade de encontrar-se com o Bispo virtualmente e serem confirmados na missão.

 

Colaboração: Irmã Alcinda Primon, CMC

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