Encerramento do Ano Nacional Mariano

“Fazei tudo o que ele vos disser!” (Jo 2,5)

Prezados irmãos da Igreja de Deus que se faz presente na Diocese de Jundiaí:

No dia 11 de outubro de 2017 encerrou-se o Ano Nacional Mariano lançado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em comemoração aos 300 anos do encontro da Imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Este evento começou no 12 de outubro de 2016, com o objetivo de celebrar, fazer memória e agradecer tão distinto acontecimento que marcou profundamente a história do nosso país.

Foi nos meados do remoto ano de 1717, que as redes lançadas ao rio, em meio às fadigas de um dia inteiro de trabalho, trouxeram imprevistamente à luz uma pequena imagem barroca da Imaculada Conceição. Ela estava enegrecida pelo contato com águas do Paraíba do Sul e passou a ser conhecida como a imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Os três pescadores se chamavam: Domingos Garcia, João Alves e Felipe Pedroso. Por isso, é motivo de grande júbilo e alegria celebrar tão distinto acontecimento em nossa pátria.

Queridos irmãos diocesanos: ao contemplar a pequenina Imagem da Senhora dos brasileiros, venerada hoje no Santuário Nacional, na cidade de Aparecida, mergulhamos no amor infinito de Deus, pois quis Ele nos oferecer Sua própria Mãe. Venerando a Imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, nós louvamos a Deus por Maria ser um autêntico modelo para quem busca ardentemente se identificar com Jesus e viver os valores do Evangelho. Ela não só escutou atenta e calorosamente a Palavra de Deus e a pôs em prática, como também concebeu em seu ventre virginal o Verbo de Deus que se fez homem e se tornou o nosso eterno Redentor. “Feliz é Maria que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor foi cumprido!” (cf. Lc 1,45). Portanto, Maria sempre nos conduz até Jesus, nosso Salvador, para sermos seus discípulos missionários: “Fazei tudo o que ele vos disser” (Jo 2,5).

Por que esta pequena imagem de Nossa Senhora Aparecida é tão querida para todos nós? Encontrei uma reflexão muito interessante e iluminadora (da autoria de José Ulysses da Silva, padre redentorista) que nos ajuda a ver nesta imagem um sinal do fortalecimento da nossa fé e do nosso seguimento a Jesus Cristo.

  1. Maria Aparecida nos traz Jesus: ao olharmos a querida imagem da Senhora Aparecida nos deparamos com uma primeira mensagem: é uma mulher grávida. Nesse detalhe podemos mergulhar no infinito amor de Deus pela humanidade, pois “a Palavra se fez carne e veio morar entre nós” (Jo 1,14). Em Maria, a Imaculada Concebida, deparamo-nos com o mistério da Encarnação de Jesus. Eis a missão de Maria: oferecer-nos Jesus, fruto bendito do seu ventre.
  2. Maria Aparecida nos reúne em comunidade: a pequena e singela imagem é de barro “terracota”. Ao ser recolhida pelos pescadores, não tinha cabeça, pois essa foi achada depois e unida ao corpo. A cabeça não pode estar separada do corpo. Deste modo, Maria, sinal e tipo da Igreja, representa simbolicamente o Povo de Deus, como corpo, que precisa sempre estar profundamente unido ao próprio Cristo, como Cabeça de uma humanidade. Eis a vocação de Maria: ser Mãe da unidade, reunindo os discípulos de seu Filho em comunidade. Assim a Igreja será “um só corpo e um só Espírito” (cf. Ef 4,4).
  3. Maria Aparecida nos convida a sermos Igreja: a imagem foi pescada e colocada dentro de uma pequena barca. A barca é o símbolo evangélico da Igreja de Jesus (cf. Mt 14,22-33; Mc 4,35-41; Lc 5,1-11). Ela nos convida a viver dentro da Igreja, como participantes fiéis e ativos, comprometidos com a evangelização. Na travessia muitas vezes tempestuosa da vida Maria nos acompanha ao porto seguro da salvação eterna.
  4. Maria Aparecida nos convida à oração: estando de pé, a imagem tem as mãos postas em oração, revelando seu papel de intercessora junto a Deus por nós e convidando-nos a nos unir a ela em oração, suplicando pela humanidade. Como nas Bodas de Caná, quando ela captou o apuro dos noivos por falta de vinho, ela percebe as nossas necessidades físicas, espirituais e morais e vem em nosso socorro, intercedendo por nós diante de seu Filho, Jesus: “Eles não têm vinho!” (Jo 2,3)
  5. Maria Aparecida nos ensina a ser humildes: a imagem pequenina de 36 cm apenas, quase que se esconde dentro da imensa Basílica Nacional de Aparecida: é tão pequenina! É preciso ser humilde para que o Senhor possa fazer grandes coisas em nossas vidas. Como Maria respondeu à saudação de sua prima, Isabel, ela repete: “A minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque ele olhou para a humildade de sua serva” (Lc 1,47-48).
  6. Maria Aparecida brota das águas: a imagem de Nossa Senhora é achada nas águas. A água é elemento de vida e de purificação. Por isso, o seu encontro nas águas simboliza a água do batismo pelo qual nascemos para Deus pelo Espírito Santo e formamos a Igreja de Cristo, sinal de sua presença no mundo. Jesus foi batizado nas águas do rio Jordão para ser solidário conosco (cf. Mc 1,9). Como Maria é puríssima e sem mancha do pecado, a água lembra também a importância da nossa conversão e do Sacramento da Reconciliação, como purificação e perdão.
  7. Maria Aparecida é solidária com os pobres: a imagem foi pescada por três pescadores pobres e trabalhadores. A pescaria milagrosa os liberta da ameaça dos poderosos. Assim, Nossa Senhora é solidária com os simples e os sofredores. O seu olhar aberto e compassivo mostra sua bondade e misericórdia para com os necessitados. Como cantou no Magnificat: Deus “encheu de bens os famintos, e mandou embora os ricos de mãos vazias” (Lc 1,53).
  8. Maria Aparecida é solidária com os negros: a cor negra da imagem traduz a solidariedade de Maria com a raça negra, tão injustamente escravizada antes da extinção da escravidão no Brasil pela Lei Áurea assinada pela Princesa Isabel (13/05/1888). Sua cor denuncia o pecado do preconceito racial e anuncia a esperança de libertação. Maria nos indica que a Redenção realizada por Jesus Cristo é universal e que não se pode excluir ninguém, pois todos somos filhos e filhas de Deus (cf. Gl 3,28).
  9. Maria Aparecida é esperança de unidade: partida em 165 pedaços por um doente mental, no dia 16 de maio de 1978, o corpo da imagem foi restaurado por mãos carinhosas e sua unidade foi refeita. Ela, Mãe da Unidade, nos mostra que sempre é possível reconstruir a unidade dentro e fora de nós, através do carinho, da reconciliação, da paciência. “Que todos sejam um” (Jo 17, 21), foi o que nos ensinou Jesus.
  10. Maria Aparecida é o sorriso de Deus para nós: os lábios da imagem estão entreabertos num doce e leve sorriso, refletindo o carinho e a alegria de Deus por cada um de nós. É um sorriso de bondade maternal, que alimenta nossa confiança na misericórdia de Deus para conosco, pois eis o nosso pedido: “que o Senhor sorria para ti” (Nm 6,25).

Queridos diocesanos: “Permaneçamos na escola de Maria” (cf. Documento de Aparecida, n. 270). Que a veneração da Imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, continue sustentando nossa fé e alimente nossa esperança.

E pela intercessão da Mãe de Deus

Dom Vicente Costa
Bispo Diocesano

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