21 de outubro de 2021

Jundiaí /SP

Ele está no meio de nós!

“Jesus tornou a manifestar-se aos discípulos” (Jo 21,1).

 

Celebrar a Páscoa, que neste ano ocorreu no último dia 04 de abril, significa sentir e crer que a vida sempre triunfa sobre a morte. A palavra Páscoa é sinônimo de “passagem”. Ao longo da vida temos a necessidade de fazer a experiência da mudança, da superação, da transformação do medo para a esperança, da tristeza para a alegria, da derrota para a vitória. Enfim, da morte para a vida! A vida, à luz da fé, é uma constante Páscoa, ou seja, uma passagem para uma realidade bem melhor.

 

Ao olharmos e contemplarmos o Mistério Pascal do nosso Mestre, vemos com clareza que a história de Jesus não termina nem no Calvário, nem na cruz e nem no sepulcro! E é exatamente isso que nos move, nos inspira e nos impulsiona a continuarmos caminhando nesta longa, e nem sempre fácil, estrada da vida. Praticamente penso que todos nós, crendo ou não, já ouvimos falar da história de Jesus, de seu sofrimento, de sua condenação e de sua morte. E penso também que é do conhecimento de muitos, que no terceiro dia, na madrugada de domingo, misteriosa e milagrosamente, a pedra do túmulo de Jesus rolou de seu lugar. Porém, para os que creem, da morte brotou a vida! Vida esta que surge do sepulcro e que abre os caminhos para a grande vitória da vida sobre todos os tipos de morte.

 

Muitas vezes, nos sentimos pressionados pela morte. Muitas pessoas já me disseram: “não tenho mais alegria em viver”; “minha fé está morrendo”; “já não tenho mais esperança”; “há muito tempo não sei o que é sorrir”; “vivo, mas é como se eu estivesse morto”. E tantas outras falas que são verdadeiros gritos pela vida! No fundo, o coração humano anseia por ela, pois fomos feitos para viver, feitos para a vida! A certeza da Páscoa de Jesus tira o nosso coração e a nossa mente do fundo do poço, do fundo das “sepulturas” contemporâneas que tentam sufocar e apagar o brilho dos nossos olhos, que querem ver a Luz da Vida!

 

É interessante observar como uma criança se apavora quando os olhos dela não veem a pessoa em quem ela confia, ou quando ela não ouve a voz daqueles que cuidam dela com amor. Provavelmente muitos de nós já presenciamos uma cena assim ou parecida. Quando a criança se vê “sozinha” ela começa a chorar e gritar, até que o pai ou a mãe ou quem dela cuida, exclama: “eu estou aqui”. Ou alguém diz: “o papai, a mamãe estão aqui”. Como que num passe de mágica, o choro da criança logo se transforma em gritos de alegria. De maneira análoga, podemos dizer que, diante dos choros e gritos da humanidade, sobretudo nestes tempos tão difíceis e incertos, precisamos ouvir que “o Senhor está no meio de nós!”; “o Senhor caminha conosco!” ou: “o Senhor sofre conosco!”. O testemunho dos que creem é um grande anúncio de que a Vida que vence a morte verdadeiramente está no meio de nós!

 

É muito comum as pessoas se unirem na solidariedade e na oração, sobretudo quando estão sendo provadas, seja em relação à saúde, ao trabalho, à família ou diante de outro desafio. Quando não damos espaço à revolta e ao desespero, nos abrimos à ajuda. E assim somos socorridos pela fé e amizade das pessoas que se tornam empáticas conosco e partilham de nossa dor. Quem já passou por alguma tempestade na vida, sabe muito bem a diferença que faz um olhar, um aperto de mão, um abraço, um gesto de carinho, de acolhida e de ajuda. É tão importante, quando alguém se aproxima da minha dor e me diz, confiante e serenamente: “você não está sozinho!”. Ou então: “Deus caminha ao seu lado!”

 

No início deste novo mês renovemos a nossa esperança. Iniciamos um mês muito especial, porque nele comemoramos o Dia do(a) Trabalhador(a), embora saibamos que ainda temos no Brasil mais de 14 milhões de desempregados. No próximo domingo, comemoramos o Dia das Mães: daquelas que estão ao nosso lado, e sentindo também a saudade daquelas que já estão na eternidade, sem nos esquecermos da dor de tantas outras que sepultaram seus filhos, sobretudo vítimas desta tão terrível pandemia. E ainda, comemoramos a histórica abolição da escravatura (13 de maio), no desejo de que ninguém seja escravo de ninguém sob nenhuma justificativa.

 

Que neste novo mês, nas batalhas da vida, lembremos e anunciemos pelos nossos gestos, nossas atitudes e nosso testemunho que: “Ele, o Senhor Jesus, está no meio de nós”!

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