8 de dezembro de 2021

Jundiaí /SP

Ecos da 58ª Assembleia Geral da CNBB

“Não podemos deixar de falar sobre o que vimos e ouvimos” (At 4,20)

 

Prezados irmãos e irmãs da Igreja de Deus que se faz presente na Diocese de Jundiaí:

De 12 a 16 de abril deste ano a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realizou, por via digital, devido à pandemia do novo coronavírus, a sua 58ª Assembleia Geral. A nossa Conferência foi fundada em 16 de outubro de 1952, no Rio de Janeiro, por iniciativa de Dom Helder Câmara, então Bispo Auxiliar daquela Arquidiocese. Em outubro de 1977, a sede da CNBB foi transferida para Brasília, a nova capital do país.

Atualmente existem no Brasil 278 circunscrições eclesiais, entre Arquidioceses, Dioceses, Prelazias, etc., e 475 membros, sendo 309 (Arce)Bispos ativos e 166 Eméritos, isto é, Bispos que já renunciaram ao exercício de seu ministério episcopal por terem completado 75 anos de idade ou por outro motivo justificável. Com tristeza registrou-se o número de 36 Bispos falecidos desde a última Assembleia de 2019 (no ano passado não foi realizada a Assembleia Geral por causa da pandemia), entre eles seis vítimas da Covid-19. Quase 400 pessoas, entre Bispos, assessores e convidados participaram das duas sessões, de manhã e à tarde, dos cinco dias da Assembleia. Pela primeira vez, participou da Assembleia o novo Núncio Apostólico, o representante do Papa no Brasil, Dom Giambattista Diquattro.

Na Igreja, as Conferências Episcopais, como a nossa CNBB, têm como objetivo principal o fortalecimento e a articulação da comunhão dos Bispos entre si para o bem comum das Igrejas Particulares (Dioceses) a eles confiadas. São dois termos centrais que fundamentam a sua existência: (a) “sinodalidade”, isto é, “caminhar juntos” com o Povo de Deus; (b) “missão”, isto é, viver e assumir com mais fidelidade e autenticidade o mandato missionário de anunciar o Evangelho de Jesus Cristo a todos os povos.

As Assembleias Gerais da CNBB sempre acontecem na segunda semana após a Páscoa. Assim como os Apóstolos são testemunhas corajosas e incansáveis das maravilhas que o Cristo Crucificado e Ressuscitado operou em suas vidas, nós, Bispos, sucessores de sua missão, não podemos deixar de testemunhar e anunciar o amor misericordioso de Deus e edificar a Igreja, “vendo e ouvindo”, à luz da Palavra de Deus, a situação de nosso povo. Por isso, as Assembleias Gerais dos Bispos sempre são um forte momento de amizade e fraternidade, partilha de experiências, avaliação e planejamento, oração e espiritualidade. Separados pelas grandes distâncias neste imenso país continente, nós sempre esperamos e aguardamos com alegria e até com ansiedade por este encontro anual. Mesmo realizada por via digital, no decorrer de toda a Assembleia, notou-se o clima alegre, respeitoso e afetuoso entre todos os participantes.

Como sempre, foram vários os temas abordados nesta última Assembleia Geral dos Bispos do Brasil. Permitam-me apresentar alguns e compartilhar algumas das fortes experiências que vivi nestes dias. O Tema Central dizia respeito a um dos quatro “Pilares” que fundamentam as comunidades eclesiais missionárias: a “Palavra” (os outros são: “O Pão”, “A Caridade” e “A Ação Missionária”), segundo as últimas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora na Igreja do Brasil (2019-2023). Eis o grande desafio: como devemos fortalecer o encontro com a Pessoa de Jesus Cristo, Palavra de Deus feita carne (Jo 1,14) e a familiaridade e o contato com a Palavra da Bíblia Sagrada, de forma a serem capazes de gerar comunidades verdadeiramente missionárias que, à semelhança da semente lançada nos corações (cf. Mt 13,1-9.18-23), possam nos transformar em verdadeiros discípulos missionários do Senhor Jesus. Daí a importância da Animação Bíblica da nossa ação evangelizadora.

No início da Assembleia foram apresentadas duas análises da situação interna da Igreja, como também da situação social, ética, política, econômica e cultural do nosso país, principalmente à luz de tanta dor e sofrimento causados por esta pandemia. Primeiro, é preciso olhar e conhecer a fundo a realidade, para evangelizar de forma adequada. Na análise eclesial, foi avaliada a Campanha Ecumênica da Fraternidade deste ano e escolhida a Campanha da Fraternidade 2022, com o tema: “Fraternidade e Educação”, e o lema: “Fala com sabedoria, ensina com amor” (cf. Pr 31,26). Na esteira dos inúmeros benefícios colhidos nas duas edições precedentes à realização do Ano Vocacional (1983 e 2003), foi decidido que se realizará um Ano Vocacional em 2023, pois, sem consciência vocacional, a Igreja não terá o vigor missionário que precisa tanto ter.

A grave situação que o país atravessa por causa da Covid-19 sempre esteve presente em nossas orações, reflexões e partilha de experiências. Foi avaliada muito positivamente a iniciativa lançada, na Páscoa de 2019, pela CNBB com a Ação Solidária Emergencial: “É tempo de cuidar”. Estabeleceu-se como meta prioritária nosso empenho para continuar combatendo a fome, pois ela está sendo um dos grandes dramas de nosso povo. Fomos também vivamente exortados a apoiar a 6ª Semana Social Brasileira, lançada em julho do ano passado, com o tema: “Mutirão pela Vida – por Terra, Teto e Trabalho” e duração de três anos (2020-2022). A inspiração destes três “T” surgiu no primeiro Encontro Mundial dos Movimentos Populares com o Papa Francisco (Roma, 28/10/2014). E renovou-se o forte apoio ao “Pacto pela Vida e pelo Brasil”, firmado, no dia 7 de abril de 2020, pelas entidades muito destacadas no cenário brasileiro: a própria CNBB, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns (Comissão Arns), a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC). Este Documento conclama os cidadãos brasileiros, mulheres e homens de boa-vontade, a nos unirmos na solidariedade e na busca de novas alternativas, visto que “o Brasil vive uma grave crise sanitária, econômica, social e política, exigindo de todos, especialmente de governantes e representantes do povo, o exercício de uma cidadania guiada pelos princípios da solidariedade e da dignidade humana”.

Esta última Assembleia Geral aprovou também a criação de mais um Regional, o Regional Leste 3, formado pelas quatro dioceses do Estado do Espírito Santo, desvinculando-se do Regional Leste 2, que incluía as Dioceses dos Estados de Minas Gerais e do Espírito Santo. Temos então agora 19 Regionais da CNBB. A Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia nos informou que a tradução em português da nova edição do Missal Romano está terminando. Fomos informados de que foi feito o pedido em nome da CNBB à Santa Sé para incluir alguns santos no nosso Calendário Litúrgico, entre os quais: São José de Anchieta, Santa Dulce dos Pobres, Santo Oscar Romero (Bispo de São Salvador – assassinado durante a celebração eucarística em 24/03/1980), Santa Teresa de Calcutá e Santa Maria Faustina Kowalska, apóstola da Divina Misericórdia. Foi também pedido que o Domingo da Palavra de Deus, hoje celebrado no terceiro domingo do Tempo Comum, seja transferido para o quarto domingo de setembro, consagrado no Brasil como o Dia Nacional da Bíblia. Foi, ainda, reforçada a ideia de celebrarmos em nossas Dioceses o “Ano da Família Amoris Laetitia”, inaugurado no último dia 19 de março, em comemoração ao quinto aniversário deste Documento muito importante lançado pelo Papa Francisco (19/03/2016). Sempre é preciso defender e encontrar novos meios para ajudar as nossas famílias na vivência de sua vocação.

Como em todas as Assembleias Gerais da CNBB, um dos pontos mais altos desta Assembleia foram as duas meditações apresentadas pelo Cardeal Sean Patrick O’Malley, capuchinho, Arcebispo de Boston, Estados Unidos. Na primeira meditação, ele refletiu sobre Nazaré e Cafarnaum, dois lugares marcantes na vida de Jesus: Nazaré, o lugar da oração, da intimidade com o Pai e do trabalho laboral, e Cafarnaum: o lugar do anúncio do Reino. Assim, nossa vida cristã deve procurar viver juntas estas duas realidades. Já na segunda meditação, o Cardeal apresentou a misericórdia, como o grande atributo de Deus e que deve marcar a nossa vivência cristã.

A pessoa, o testemunho e o ensinamento do Papa Francisco sempre estiveram presentes nas nossas reflexões. Respondendo a uma Mensagem que lhe foi enviada em nome da CNBB, o Papa Francisco nos surpreendeu com uma mensagem em forma de vídeo. Insistiu na importância de estarmos sempre unidos, como Igreja e como Conferência dos Bispos. Só assim podemos vencer o vírus do coronavírus e outros que desfiguram a nossa vida como o vírus da indiferença, do descaso e da divisão.

Por fim, como em todas as Assembleia Gerais, os Bispos enviaram uma Mensagem ao povo brasileiro (leia em: https://dj.org.br/mensagem-da-cnbb-ao-povo-brasileiro/). Faço minhas as palavras conclusivas desta Mensagem: “Fazemos um forte apelo à unidade da sociedade civil, Igrejas, entidades, movimentos sociais e todas as pessoas de boa vontade, em torno do Pacto pela Vida e pelo Brasil. Assumamos, com renovado compromisso, iniciativas concretas para a promoção da solidariedade e da partilha. A travessia rumo a um novo tempo é desafiadora, contudo, temos a oportunidade privilegiada de reconstrução da sociedade brasileira sobre os alicerces da justiça e da paz, trilhando o caminho da fraternidade e do diálogo. Como nos animou o Papa Francisco: ‘o anúncio Pascal é um anúncio que renova a esperança nos nossos corações: não podemos dar-nos por vencidos!’”.

Que as conclusões tão iluminadoras e chamativas da 58ª Assembleia Geral da CNBB encontrem ecos positivos na nossa querida e amada Diocese de Jundiaí, que também se prepara para celebrar a sua 8ª Assembleia Diocesana da Ação Evangelizadora no próximo mês de novembro.

E a todos abençoo.

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