“Como são belos os pés do mensageiro que anuncia a paz” (Is 52,7).

Na manhã de domingo, 17, Dom Vicente Costa, Bispo Diocesano de Jundiaí, conclui a sua Primeira Vista Pastoral, inaugurou a Tribuna Papa Bento XVI e se despediu da comunidade do Santuário Diocesano Nossa Senhora Aparecida,  Confira abaixo o discurso de despedida do padre Márcio Felipe, reitor do santuário, a Dom Vicente.

“Como são belos os pés do mensageiro que anuncia a paz” (Is 52,7).

Caro Dom Vicente, eis que o senhor chegou à Casa da Mãe Aparecida na última quinta-feira, 14 de junho. Acredito que de lá para cá, aconteceu em nossas vidas o que o profeta Isaías proclamou: eis que o senhor veio para nos trazer a paz, eis que o senhor veio até nós para nos permitir reconhecer que vossa excelência para nós é bispo, mas nos trazendo a paz do Ressuscitado conosco se faz cristão.

Faltam-me palavras para descrever tudo o que vivemos ao longo destes quatro dias. Permita-me fazer memória de duas casas que visitamos. Para mim, sem desconsiderar os outros momentos, nestas casas pude renovar o meu sim a Deus:

A visita a casa da Dona Pina. Além desta senhora, inúmeras pessoas esperavam o senhor para acolher uma palavra amiga, uma bênção. Nesta casa pude me lembrar de um episódio da vida de Jesus: as pessoas ao saberem que o Mestre estava por perto, e apesar da multidão que acorria até Ele, alguns não se intimidaram e fizeram questão de levar um paralítico para que Jesus pudesse tocá-lo (Mc 2,1-5). É claro que na casa da Dona Pina não foi preciso ninguém abrir o teto para trazer até o senhor um enfermo. Ao adentrar naquela casa uma multidão o esperava porque queriam ouvir da boca de vossa excelência uma palavra amiga, uma palavra cheia da graça de Deus. Tenha a plena certeza Dom Vicente: nesta casa foi isso que aconteceu!

 Outro lugar que muito me chamou a atenção foi na casa do sr. Olívio, quando na cama sem poder falar, o senhor se aproximou do sr. Olívio e ao lhe apresentar a imagem da Senhora Aparecida com um ruído e os olhos cheios de lágrimas o sr. Olívio manifestou, a meu ver, o seu desejo de poder contemplar Aquela que nas Bodas de Caná estava, e aos serventes pediu: “fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,6).

Acredito que estes dias em que a comunidade do Santuário pode contar com a presença do senhor, todos nós podemos viver a mesma alegria que os noivos tiveram nas Bodas de Caná. O senhor veio para nos trazer o vinho da alegria.

Sabemos que ainda tem faltado tantas coisas na vida do povo brasileiro. Falta educação em nossas escolas, falta moradia, falta emprego, falta saúde nos hospitais públicos, por que não dizer: falta padres que amem o povo a exemplo de Jesus o Bom Pastor.

Mesmo diante de tantas faltas, o senhor veio para nos exortar que não podemos desanimar, pois como vossa excelência mesmo nos motivou: “devemos ser discípulos apaixonados e missionários fervorosos, sabendo-se sempre que quem nos chamou foi Jesus Cristo”.

O senhor costuma ser o homem das três palavrinhas. Mas nesta Visita Pastoral me parece que aconteceu o contrário. Se não me falhe a memória, na reunião com os membros do Conselho Paroquial da Ação Evangelizadora o senhor pediu insistentemente que nós pudéssemos viver a partir de 5 palavras que sinalizam o perfil do agente de pastoral:

  1. Coração – sermos mais místicos;
  2. Cabeça – acolhermos a proposta de buscarmos a formação permanente;
  3. Boca – não termos medo de anunciar Jesus Cristo;
  4. Mãos – a comunhão e a unidade comigo, que por sua vez, devo estar unido ao bispo;
  5. Pés – aqueles que decidem ser missionários.

É claro que viver estas cinco dimensões não é uma tarefa fácil. Mas acredito que esta proposta que o senhor nos fez, já é uma luz para que possamos nos deixar restaurar pelas mãos de Jesus que nos conduz ao Pai na força de Seu Espírito.

O tema da Novena e Festa da Padroeira 2018 é: “Em Jesus, com Maria, restauramos a vida”. Este tema faz alusão ao dia 16 de maio de 1978 quando um jovem transtornado derrubou a imagem da Senhora Aparecida  no chão e ela se quebrou em 200 pedaços.

Após 33 dias de trabalho, a artista plástica Maria Helena Chartuni, entregou ao Santuário Nacional, no dia 19 de agosto de 1978 a imagem encontrada nas águas do Rio Paraíba do Sul no ano de 1717.

Por que falar deste dia triste da história no encerramento desta Visita Pastoral? Justamente falo deste dia, porque mesmo que seja de modo diferente, o povo brasileiro tem clamado urgentemente pela restauração de suas vidas.

Hoje se faz presente nesta celebração alguns heróis que tiveram a coragem de mostrar para todo o Brasil que estamos cansados de tanta corrupção: os nossos caminhoneiros! Permita-me, uma vez mais Dom Vicente: corrupção não só na política, mas também, infelizmente, a corrupção na Igreja. Parar o Brasil por mais de 10 dias foi um ato de coragem para mostrar que o nosso país não é dos políticos. O nosso país é nosso, é de Deus e está sob o olhar materno da Senhora Aparecida.

Quarenta anos se passaram da destruição e restauração da Imagem da Senhora Aparecida. E me parece que tudo continua da mesma maneira. Só que para nós da Casa de Nossa Senhora ainda existe uma esperança: a certeza de que a presença do senhor veio para nos encorajar e nos dar forças para continuar a caminhada. E sabe por que assim dizemos? Porque vimos que o senhor veio até nós para ser “o Bom Pastor que dá a vida por suas ovelhas” (Jo 10,11).

Concluo rezando pelo senhor, rezando por todos vocês devotos da Mãe Aparecida: “Senhora Aparecida, vossa imagem encontrada nas águas estava quebrada e foi restaurada pelos pescadores. Há quarenta anos ela foi de novo quebrada e, outra vez restaurada por uma mulher leiga. Hoje aqui estamos pedindo pelos enfermos, pelos dependentes químicos, pelos encarcerados, pelas famílias destroçadas, pela natureza depredada, pelas vítimas da corrupção política, pelos famintos de pão material e espiritual, pelos sedentos da água viva que vem do céu, por todos que estão necessitados de reconstruir suas vidas. Vós que sois a padroeira do povo brasileiro, em vosso colo materno nos refugiamos e pedimos inspiração e coragem para os nossos bispos, sacerdotes, e leigos comprometidos, a fim de que, a luz da Palavra de Deus e da doutrina cristã restaurem a Igreja Católica. Pedimos também pelos os que nos governam e por todos os homens e mulheres de boa vontade para que se comprometam com a restauração da vida humana, da natureza, da dignidade da nossa gente. Assim seja: amém!

Ah, não se esqueçam: rezem também por mim!

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