25 de setembro de 2021

Jundiaí /SP

Celebrando o Jubileu de Prata do jornal diocesano O VERBO

“Cantai ao Senhor, bendizei o seu nome, anunciai dia após dia sua salvação. Proclamai entre as nações a sua glória, entre todos os povos, as suas maravilhas” (Sl 96[95],2-3).

 

Prezados irmãos e irmãs da Igreja de Deus que se faz presente na Diocese de Jundiaí:

A missão da Igreja é evangelizar, isto é, “anunciar dia após dia as maravilhas da salvação que Deus operou em favor de todos os povos” (cf. Sl 96[95],2-3) mediante a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, nosso Salvador.

A História da Salvação, em cada página da Bíblia Sagrada, narra a comunicação de Deus com o ser humano. Deus tudo cria pela palavra (cf. Gn 1,1-27). Criando o ser humano “à sua imagem e semelhança” (cf. Gn 1,27), como “outro além de si mesmo”, Deus institui a possibilidade de um autêntico diálogo entre o criador e a criatura, diálogo este que atinge sua plena expressão na encarnação, o Filho encarnado: “E o Verbo (a Palavra) se fez carne e veio morar no meio de nós” (Jo 1,14). Deste modo, após “muitas vezes e de muitos modos Deus falou outrora aos nossos pais, pelos profetas, nestes dias, que são os últimos, falou-nos por meio do Filho, (…) o esplendor da glória do Pai, a expressão do seu ser” (Hb 1,1-3).

Como continuadora da missão salvífica de Jesus Cristo no mundo, a Igreja tem como missão e única razão de ser o testemunho e a comunicação de tudo aquilo que disse e fez Jesus, como bem expressa o Apóstolo São João no início de sua Carta, dirigindo-se às gerações após o tempo apostólico: tudo “o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e nossas mãos apalparam da Palavra da Vida (…) isso que vimos e ouvimos, nós vos anunciamos” (1Jo 1,1.3). Por isso, anunciar, celebrar e servir são as três maneiras da comunidade cristã edificar e fortalecer o Reino de Deus neste mundo, no decorrer de todos os tempos.

Muito vasto é o mundo das comunicações sociais à disposição da Igreja para ela comunicar a mensagem alegre e salvadora da Boa Nova, ainda mais nestes últimos tempos, quando assistimos a uma verdadeira revolução nas mídias digitais. O leitor da matéria escrita, o telespectador, o ouvinte de rádio, o navegador pelo espaço quase infinito da Internet são os destinatários da missão comunicadora da Igreja. De fato, a mídia cada vez mais está se tornando uma espécie de “escola paralela”, muitas vezes bem mais persuasiva, sedutora e rápida, principalmente para as gerações mais novas, que as formas tradicionais de distribuição de informação praticadas pela educação formal dos tempos passados. Hoje, mais do que nunca, neste mundo globalizado, a Igreja deve assumir a coragem de fazer ecoar sua mensagem com a maior visibilidade e alcance possíveis. Isto nunca será viável sem a ajuda dos valiosos e poderosos meios de comunicação social.

Inúmeras vezes o Papa Francisco tem insistido sobre a necessidade e a urgência da Igreja fazer bom uso dos meios na sua missão de comunicar o Evangelho de Jesus Cristo: “Qual é o papel que a Igreja deve ter com as suas realidades e atividades de comunicação? Em cada situação, independentemente das tecnologias, acho que o objetivo é saber inserir-se no diálogo com os homens e as mulheres de hoje, para compreender as suas expectativas, dúvidas, esperanças. São homens e mulheres por vezes um pouco desiludidos por um cristianismo que lhes parece estéril, com dificuldade precisamente em comunicar de forma incisiva o sentido profundo que a fé dá. (…) Este é o desafio. Levar o homem de hoje ao encontro com Cristo, na certeza, porém, de que somos meios e que o problema fundamental não é a aquisição de tecnologias sofisticadas, embora necessárias para uma presença atual e válida. Esteja sempre bem claro em nós que o Deus em quem acreditamos, um Deus apaixonado pelo homem, quer manifestar-Se através dos nossos meios, ainda que pobres, porque é Ele que opera, é Ele que transforma, é Ele que salva a vida do homem” (Discurso do Papa Francisco aos participantes na Assembleia Plenária do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais – 21/09/2013).

Na nossa Diocese, o Jubileu de Prata do Jornal O VERBO, com suas 555 edições, sem sombra de dúvida, é uma das pérolas mais preciosas da nossa Igreja Particular. À luz da importância dos meios de comunicação social na vida e na missão da Igreja, vale a pena lembrar o contexto em que este jornal oficial da Diocese de Jundiaí surgiu. No início da década de 1990, avançava no mundo e no Brasil a formação de uma nova cultura de comunicação social. Porque, se até então, a imprensa, o cinema, o rádio e a televisão eram os meios mais populares da comunicação social, novas e inauditas mudanças estavam surgindo como as novas redes sociais e a descoberta do mundo como “a aldeia global”. Dom Roberto Pinarello de Almeida, o segundo Bispo da Diocese de Jundiaí, e Dom Amaury Castanho, seu Bispo Coadjutor, já tinham percebido isto, felizmente.

Formaram então, em 1994, um núcleo para a Pastoral da Comunicação Social Diocesana (Pascom), que tinha como integrantes Antônio Carlos Inácio de Souza (um ex-seminarista), Brasílio Antônio, Aldo Paulinetti, Riccieri Leone, José Benassi, Maria Cristina Castilho de Andrade, Pedro Fávaro Júnior e o Diácono João Navarro, do Jornal A Federação da cidade de Itu.

Deste modo, presidida por Antônio Carlos, a Pascom era assessorada por Dom Amaury, jornalista e escritor. Foi com esse núcleo que nasceu, já em meados de 1994, a primeira assessoria de imprensa profissional para a Cúria Diocesana, que triplicou a presença da Igreja na mídia local e regional. Em 1994, ainda, foi realizada a Campanha “Um Real por Católico”, que viabilizou a implantação das torres de repetição da Rede Vida de Televisão, em Jundiaí e Itu, de modo que já em 1995, a Diocese alcançou, de modo pioneiro, as transmissões da primeira emissora católica do País.

Também no episcopado de Dom Roberto, nasceram ainda a Rádio Terra da Uva – uma rádio comunitária – e também o site da Diocese, aliás um dos primeiros sites católicos do país. Tudo isso em um intervalo de tempo bastante curto. E nessa efervescência foi que nasceu o projeto do jornal O VERBO, durante uma viagem feita por Dom Amaury e pelo jornalista Pedro Fávaro Júnior, em meados de 1995, à recém-inaugurada sede da Rede Vida, em São José do Rio Preto – SP.

Dom Roberto partilhou este projeto audacioso com o clero da época, de modo que, após alguns encontros, decidiu-se pela publicação do Jornal Diocesano, tendo como seu primeiro Diretor Responsável, Dom Roberto, e Diretor de Redação, Dom Amaury. Deste modo, em pouquíssimo tempo, O VERBO tornou-se o meio mais privilegiado para a divulgação do Evangelho, para a divulgação das ações católicas em favor da vida e da família e para a formação do povo de Deus e da opinião pública, fazendo frente a veículos anticlericais que já então começavam a se multiplicar.

O jornal diocesano O VERBO ganhou espaço na Conferência Nacional dos Bispos (CNBB), como modelo. Mas também, a partir dele, ainda, as Paróquias de nossa Diocese sentiram-se inspiradas a seguir o mesmo caminho e surgiram, multiplicando-se, os jornais de Paróquias, até a primeira década de 2000, quando as redes sociais começaram a ganhar terreno no Brasil. Deste modo, a Diocese de Jundiaí pode ser considerada como pioneira no setor da comunicação social.

Mas não se pode apenas recordar o passado do Jornal O VERBO: é preciso torná-lo um órgão sempre atualizado e valorizado na vida e na missão de nossa Diocese. Para que isto aconteça, penso que devemos enfrentar, refletir e procurar superar alguns destes desafios, como por exemplo: Como saber conciliar a edição impressa do Jornal O VERBO, que permanece sempre válida, com as novas e variadas tecnologias das redes digitais? Como integrar a nossa mídia com a ação diocesana evangelizadora de modo que nossos meios de comunicação social divulguem mais e ajudem a fortalecer as opções e as atividades da pastoral diocesana? Como tornar O VERBO mais valorizado e assumido pelos membros do nosso Clero (presbíteros e diáconos), religiosos(as) e seminaristas, agentes de pastoral e os que trabalham em nossas secretarias paroquiais? Como nossos meios de comunicação social poderão ajudar a formar o juízo crítico e o discernimento dos nossos usuários, visando à formação da verdadeira cidadania e ética, em prol da construção de uma sociedade mais justa e solidária? Como envolver mais os nossos cristãos leigos e leigas, nossas famílias, como também as gerações mais novas com as nossas mídias?

Creio que o futuro dos meios sociais de nossa Diocese, particularmente do Jornal O VERBO, dependerá, em grande parte, na maneira como, juntos, profissionais da mídia católica e usuários, soubermos responder, com ousadia, coragem e criatividade a estes desafios.

De coração desejo que o nosso Jornal diocesano O VERBO tenha vida longa em nossa Igreja!

E a todos abençoo, particularmente todos aqueles que, de uma maneira ou outra, lutam para preservar a memória do nosso aniversariante, já em seu vigésimo quinto aniversário!

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