12 de junho de 2021

Jundiaí /SP

Amor, Paciência e Perdão

“O Espírito vem em socorro da nossa fraqueza” (Rm 8,26).

 

Caríssimos leitores e leitoras: muitas vezes nos sentimos fracos diante dos grandes problemas da atualidade. Também na vivência de nossa fé cristã, não é raro nos sentirmos enfraquecidos por causa dos nossos pecados e incapazes de perseverar no desafiante caminho da conversão diária.

Como ensinou o apóstolo Paulo à comunidade de Roma, não precisamos temer, mas sim confiar em Deus que, com seu Espírito, vem em socorro da nossa fraqueza (cf. Rm 8,26). De fato, como afirma o Salmista: o Senhor é “Deus compassivo e clemente, lento para a ira e rico em misericórdia e fidelidade” (Sl 86[85],15). Em outras palavras, o nosso Deus é amor, paciência e perdão.

O primeiro socorro divino nos vem na forma do seu imenso amor. Diz o livro da Sabedoria que “não há, além de ti, outro Deus que cuide de todas as coisas” (Sb 12,13). Se Deus governa todo o universo e de tudo cuida, certamente nos cerca também de cuidados especiais, mesmo que algumas vezes nós não percebamos.

O Papa Francisco nos recorda que esse amor divino é algo pelo qual devemos ser gratos diariamente. Na sua catequese sobre a Oração do Pai Nosso, ele afirma que Deus tem nos amado de muitas formas e por isso lhe devemos ser sempre agradecidos. “Somos devedores, antes de tudo, porque nesta vida recebemos tanto: a existência, um pai e uma mãe, a amizade, as maravilhas da criação… Mesmo se acontece a todos ter dias difíceis, devemos recordar-nos sempre que a vida é uma graça, é o milagre que Deus tirou do nada” (cf. Audiência Geral ­ 10/04/2019).

O segundo socorro divino nos vem na forma de sua imensa paciência. Muitas vezes, nós “não sabemos o que pedir” (Rm 8,26). Igualmente, muitas vezes nós não sabemos como viver realmente tudo o que Jesus nos ensinou no seu Evangelho. Procurando um acerto, muitas vezes caímos em inúmeros erros.

“Quando se pensa na paciência de Deus, é um mistério!”, diz o Papa Francisco. “Quanta paciência Ele tem conosco! Fazemos tantas coisas, mas Ele é paciente!” (cf. Homilia da Capela da Casa Santa Marta ­ 25/03/2013). Realmente é difícil imaginar o tamanho da paciência divina diante de tantos erros nossos e da humanidade em geral. Mas Deus é sempre paciente conosco, porque nos ama, acima de tudo.

O terceiro socorro divino nos vem na forma de sua imensa capacidade de perdoar. Na bela e conhecida parábola do trigo e do joio (cf. Mt 13,24-30), os empregados querem arrancar o joio mau junto com o trigo bom, o que causará um prejuízo na colheita antes da hora. Em relação ao mal que há no mundo, representado pelo joio, Deus age com amor e paciência. Quer que os maus se convertam, aguardando o momento certo de agraciá-los com o seu divino perdão.

Afirma ainda o Papa Francisco, refletindo sobre o encontro misericordioso de Jesus com a mulher adúltera (cf. Jo 8, 1-11): “Deus não perdoa com um decreto, mas com um carinho, acariciando as nossas feridas do pecado. Porque Ele faz parte do perdão, faz parte da nossa salvação… É grande a misericórdia de Deus, é grande a misericórdia de Jesus. Perdoar-nos, acariciando-nos!” (cf. Homilia na Capela da Casa Santa Marta ­ 07/04/2014).

Caríssimos leitores e leitoras: se somos agraciados ao receber tudo isso da parte de Deus, também devemos partilhar uns com os outros o amor, a paciência e o perdão. É fácil? Muitas vezes, não. Mas este é justamente o grande desafio de sermos cristãos e cristãs nos dias de hoje, em um mundo que prega cada vez mais o egoísmo, a intolerância e o discurso de ódio.

Precisamos amar sem distinção, não apenas os que fazem parte da nossa família e de nosso círculo de amizades. As pessoas que menos amamos são justamente aquelas que precisam mais de nossa caridade.

Precisamos ter paciência: compreender e aceitar as nossas fraquezas e as dos outros, crendo que é possível crescer no respeito mútuo. Sem essa paciência não se chega a lugar nenhum, pois a desavença leva à divisão e aos conflitos sem fim.

E precisamos aprender a perdoar mais. Quem ama é paciente e perdoa. Quem é paciente e perdoa, ama. Essas três virtudes são inseparáveis. Quem quer ser feliz e amado, precisa ser paciente e perdoar. Precisa ser agradecido a Deus que também sempre nos ama, é paciente e misericordioso conosco e nos perdoa sem medida.

A todos abençoo.

Publicado no jornal A Federação em 16.07.2020.

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Rolar para cima