11 de abril de 2021

Jundiaí /SP

Adoro-te com devoção. ó Hóstia Santa

A mulher veio prostrar-se diante dele, implorando: “Senhor, socorre-me!” (Mt 15,25).

 

Caríssimos leitores e leitoras: no dia de Corpus Christi, a Igreja Católica manifesta publicamente sua fé no Santíssimo Sacramento, a Eucaristia, adorando-a como verdadeiro Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Corpus Christi é uma expressão em latim que significa “Corpo de Cristo”. A comemoração ocorre sempre após a Festa da Santíssima Trindade, 60 dias após a Páscoa. Portanto, não tem data fixa, podendo cair entre os dias 21 de maio e 24 de junho. Este ano a Igreja celebrará essa solenidade no dia 11 de junho.

Penso que seja muito importante conhecer a história do início desta festa eucarística. No ano de 1263, um padre de nome Pedro de Praga, vacilante sobre a veracidade da transubstanciação – pão e vinho que se transformam substancialmente no Corpo e Sangue de Cristo após as palavras da consagração feitas pelo sacerdote −, fez uma peregrinação a Roma, a fim de alcançar uma graça, para que esta tentação o deixasse. Foi, então, que o prodígio ocorreu, enquanto celebrava a Santa Missa em Bolsena.

Padre Pedro, no momento da consagração, viu gotejar sangue da Hóstia então consagrada e banhar o corporal e os linhos litúrgicos. O sacerdote, impressionado com o acontecimento, foi para Orvieto, onde estava o Papa Urbano IV, o qual mandou para Bolsena o Bispo Giacomo, para verificar o ocorrido e recolher o linho manchado com o Sangue de Cristo.

A Hóstia cheia de sangue foi guardada. Naquela mesma época, a Beata Juliana de Cornillon havia pedido ao Papa Urbano IV a introdução da festa de Corpus Domini, isto é, do “Corpo do Senhor”, no calendário litúrgico da Igreja. O Santo Padre pediu então a Deus um sinal, para saber se era Ele que queria essa festa ou se era apenas um desejo humano. Quando o Papa soube do acontecido em Bolsena, deslocou-se para lá e, ao ver a Hóstia cheia de Sangue, ajoelhou-se e disse, simplesmente: Corpus Christi. Em seguida, guardou a Hóstia e levou-a para Roma, juntamente com os objetos de culto. Ao regressar a Roma, o Papa colocou a Hóstia, ainda com vestígios do sangue, no ostensório e andou pelas ruas da cidade, em procissão. Para a passagem de Jesus, todos os romanos enfeitaram suas ruas.

No ano seguinte, o Papa promulgou a bula “Transiturus” que instaurava para toda a Igreja a Festa do Corpo de Deus, naquele tempo em que alguns hereges negavam a verdadeira presença de Jesus na Eucaristia. Para celebrar a festa de Corpus Christi, o Papa Urbano IV encarregou a São Boaventura e a Santo Tomás de Aquino, dois teólogos muito sábios da época, da elaboração de orações próprias para esta data. Diz a história que, quando o papa começou a ler em voz alta o ofício feito por Santo Tomás de Aquino, São Boaventura foi rasgando o seu em pedaços, por considerar o hino composto por Santo Tomás profundo e de sublime significado.

A oração em forma de hino: Adoro te devote (“Eu vos adoro devotamente”) é um dos cinco hinos que Santo Tomás de Aquino compôs em louvor a Jesus presente no Santíssimo Sacramento, e marcou tanto a Igreja, que ainda hoje é cantado em todo o mundo católico.

Sendo o pão uma comida que nos serve de alimento, Jesus Cristo quis ficar na terra sob as espécies de pão, não só para servir de alimento para os que o recebem na Sagrada Comunhão, mas também para ser conservado no sacrário e tornar-se presente no meio de nós, manifestando-nos por este extraordinário meio o amor que tem por nós: “Não vos deixarei órfãos” (Jo 14,18).

Portanto, as visitas ao Santíssimo Sacramento, as exposições e bênçãos devem ser um momento para aprofundar em nós a graça da comunhão com Deus e entre nós, reavivar nosso compromisso na vivência da caridade, para que a Igreja seja “um só corpo” em Cristo e a maior vivência da Palavra de Deus. Esta dimensão individual do tranquilo silêncio da oração, estando diante da Eucaristia no amor, deve impulsionar-nos ao encontro dos irmãos, sobretudo os mais necessitados e carentes, aprendendo a estar com eles na comunhão fraternal e missionária.

Posso imaginar a dor no coração dos adoradores de Nosso Senhor presente na Eucaristia nesse tempo de pandemia. Que ela seja fonte de nossa fé, esperança e amor.

Termino com a última estrofe do hino Adoro te devote, pedindo que se realize isto em nossas vidas: “Ó Jesus, que velado agora vejo. Peço que se realize aquilo que tanto desejo. Que eu veja claramente vossa face revelada. Que eu seja feliz contemplando a vossa glória. Amém”.

Que a Santa Eucaristia seja o nosso refúgio e o centro da nossa vida. Viva o Santíssimo Sacramento!

A todos abençoo.

Publicado no jornal A Federação em 04.06.2020.

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