A Teologia do Corpo (VII): O amor, dom de si

“Uma das maiores necessidades do ser humano é a de amar e ser amado. Quando experimentamos o amor, sentimos um profundo bem-estar que nos afeta física, mental, social e espiritualmente. Jesus indicou o amor ao próximo como sinal para reconhecer os seus verdadeiros discípulos: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13, 35). Por isso, Ele nos exige que quem O ama ame também o próximo.

Como sabemos, “Deus é amor”! (1Jo 4,8) Ele é a fonte de todo amor verdadeiro. Este mistério manifesta-nos primeiramente na fecundidade ilimitada de Deus Pai, que comunica a seu Filho a natureza divina e, por seu Filho, ao Espírito Santo. É o dom de Si, o mais perfeito “modo” de amar (ágape) que se possa conceber e, da mesma forma, a comunhão mais íntima. Num segundo momento esse amor é “direcionado” a todos nós: “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). Portanto, o projeto de Deus para nós é a comunhão na entrega do dom de si.

Somos chamados, pois, a viver não uns sem os outros, sobre ou contra os outros, mas uns com os outros, para os outros e nos outros. Essa relação de amor, em vista da vivência da comunhão, revela-se para nós como fundamento e estímulo da prática da caridade fraterna, do apostolado e do amor entre os esposos. O amor ratifica e expande a pessoa como imagem e semelhança de Deus, e se entende assim, porque o amor, na Teologia do Corpo (TdC), é um dom, no sentido de gratuidade: “o dom feito ao homem por parte de Deus em Cristo é um dom total, ou seja, radical, como indica precisamente a analogia do amor esponsal: é, em certo sentido, tudo o que Deus pôde dar de si mesmo ao homem, consideradas as faculdades limitadas do amor-criatura” (TdC, 29/09/1982).

Ora, já que o ser humano foi criado à imagem e semelhança divina, ou seja, criado à imagem e semelhança do Amor, tendo por fundamento e exigência essa verdade da Sagrada Escritura (cf. Mt 22,37-40), devemos corresponder a essa participação na comunhão da Trindade com atitudes de transbordamento do dom de si. Isto significa acolher e testemunhar conforme a beleza do Evangelho; viver o amor recíproco e para os outros, partilhando alegrias e sofrimentos, aprendendo a pedir e dar perdão, valorizando os diversos carismas. Tudo isto como fruto do uso correto da liberdade, que consegue enxergar a beleza da criação e a bondade divina e não como propriedade e domínio da criatura humana. A gratuidade do amor de Deus, que “alimenta as aves do céu e veste os lírios do campo (cf. Mt 6,25-34), convida todo cristão a abandonar-se confiantemente à providência dele. E uma vez que não há como servir a dois senhores, não podemos servir a Deus e ao nosso próprio egoísmo. Orgulho e gratuidade se excluem, assim como egoísmo e serviço: “Isto permite-nos chegar à conclusão que a troca do dom, na qual participa toda a humanidade deles – alma e corpo, feminilidade e masculinidade – se realiza conservando a característica interior (isto é precisamente a inocência) da doação de si e da aceitação do outro como dom. Estas duas funções da mútua troca estão profundamente ligadas dentro de todo o processo do dom de si. O dar e o aceitar o dom compenetram-se: de maneira que o dar mesmo, torna-se aceitar; e o aceitar, transforma-se em dar” (TdC, 06/02/1980)”.

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