27 de setembro de 2021

Jundiaí /SP

A santidade é para todos

“Sede santos, porque eu sou santo” (Lv 11,45).

 

Caros leitores e leitoras: no domingo passado celebramos a Solenidade de Todos os Santos, ocasião na qual são recordados todos os santos e mártires conhecidos e não conhecidos, canonizados oficialmente e não canonizados, pois, todas as pessoas que morreram em estado de graça são santas, mesmo que não tenham sido oficialmente elevadas aos altares das Igrejas para serem veneradas. Além disso, esta Solenidade revela a nossa vocação universal à santidade. A partir do Batismo que recebemos, todos nós somos chamados a sermos santos. Nossa vocação universal para sermos santos expressa o amor de Deus por nós e o nosso a Ele.

A ideia de homenagear todos os santos teria começado por volta do século IV, na Antioquia, quando se recordavam os santos mártires no primeiro domingo após Pentecostes. Mais tarde, no ano 835 d.C, o Papa Gregório IV decidiu dedicar o dia 1º de novembro a todos aqueles que viveram uma vida santa, mas não foram lembrados ao longo do ano, ou que não foram reconhecidos como santos oficialmente pela Igreja.

Desde a Antiga Aliança Deus chama o seu povo à santidade: “porque eu sou o Senhor que vos faço subir do Egito, para ser o vosso Deus. Sede, pois, santos, porque eu sou santo” (Lv 11,45). O desígnio de Deus é claro; uma vez que fomos criados à sua “imagem e semelhança” (cf. Gn 1,26), e Ele é Santo, fonte e princípio de toda santidade, nós devemos ser santos também: “Antes, como é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos, também vós, em todo o vosso proceder” (1Pd 1,15).

Portanto, pertencendo à família divina pelo Batismo, e entendendo-nos como frutos do amor ilimitado da Santíssima Trindade, nascidos do amor de Deus e predestinados ao amor, recebemos a missão sublime de comunicar esse amor aos demais homens e mulheres pelo testemunho, através do próprio modo de viver, do amor e da caridade. No ano de 2018, o Papa Francisco publicou a Exortação Apostólica que tem como tema: o chamado à santidade no mundo atual. Nela, o Papa afirma: “A santidade não é mais do que a caridade plenamente vivida” (Papa Francisco, Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate, n. 21).

O Senhor nos pede que sejamos santos e, em troca, nos oferece uma felicidade que não passa. Ele nos quer santos para nos recordar que não fomos criados para uma vida insignificante, superficial e incerta, mas para uma vida feliz e alegre, que não conhece ocaso. O Papa Francisco revelou sentir alegria, quando percebe a santidade do povo de Deus. Na mesma Exortação Apostólica ele afirma: “Gosto de ver a santidade no povo paciente de Deus: nos pais que criam os seus filhos com tanto amor, nos homens e mulheres que trabalham a fim de trazer o pão para casa, nos doentes, nas consagradas idosas que continuam a sorrir. Nesta constância de continuar a caminhar dia após dia, vejo a santidade da Igreja militante. Esta é muitas vezes a santidade ‘ao pé da porta’, daqueles que vivem perto de nós e são um reflexo da presença de Deus” (n. 7).

Deste modo, Jesus convida todos os cristãos que estão absorvidos nas suas ocupações profissionais a encontrá-lo precisamente nessas ocupações, realizando-as com perfeição humana e, ao mesmo tempo, com sentido sobrenatural: oferecendo-as a Deus, vivendo nelas a caridade e o espírito de sacrifício, elevando no meio delas o coração a Deus. “A santidade compõe-se de heroísmo. Portanto, o que se nos pede no trabalho é o heroísmo de ‘acabar’ bem as tarefas que nos comprometem, dia após dia, ainda que se repitam as mesmas ocupações. Senão, não queremos ser santos” (São Josemaría Escrivá, Sulco, p. 529).

Assim, o nosso ser batizado nos torna capazes de mudar a história e os critérios de discernimento da realidade, de confrontar a nossa vida com a vontade de Deus e nos fortalece a viver em comunhão com Ele e com todos os irmãos, preferencialmente os mais pobres e necessitados, a celebrar o Mistério Pascal de Cristo e a nossa vida na ação litúrgica da Igreja e nos inserir no mundo como testemunhas e obreiros da justiça e da caridade.

Nesta perspectiva, o estilo de vida dos que buscam a santidade revela perseverança, paciência e mansidão, transpira alegria e senso de humor, demonstra audácia e fervor. O caminho da santidade não é de solidão, mas é vivido como caminho em comunidade, atento aos que sofrem e em constante oração, entendida esta não como alienação ou evasão que nega e nos afasta do mundo que nos rodeia, mas um mergulhar em Deus e em seu Mistério.

A vida de um santo é iluminada pelo amor, um amor que não se vive por obrigação, mas por amor a Jesus. Assim cada santo descobriu a maneira de viver o amor, de viver o louvor e ação de graças a Deus em todas as circunstâncias, de perseverar mesmo nas dificuldades e nos grandes desafios. Eles nos ensinam com a vida, com as suas opções, com o seu compromisso, com o seu sacrifício e principalmente com o seu amor radical e ilimitado.

Deixo aqui o convite a todos: sejamos santos como Deus espera que sejamos.

A todos abençoo.

Publicado no jornal A Federação em 05.11.2020.

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