12 de junho de 2021

Jundiaí /SP

A força do Amor

“Pedro, tu me amas?” (cf. Jo 21,15)

 

Em todo momento, o tema do amor é sempre oportuno, atual e favorável. Porém, estamos vivendo um momento histórico, em que o mundo todo está alerta; todos nós andamos perplexos, medrosos e preocupados, pois de um momento para o outro tivemos que mudar hábitos e costumes numa verdadeira batalha contra um vírus. Sendo assim, refletir e viver sob a força do amor pode fazer toda diferença na nossa vida. Não é apenas um “slogan” ou um dito popular: mas é fato, e é verdade que somente a força do amor nos conduz à plena vitória.

O amor vai além das palavras. O amor define nossa postura, nossa maneira de agir e reagir diante dos fatos e circunstâncias, mesmo adversos. O amor dá um novo sentido à cruz, à dor, ao sofrimento e até à morte. À luz do amor, o sofrimento não é castigo, mas sim, oportunidade de se amadurecer em meio às pedras e espinhos. A cruz não é derrota, mas um símbolo da vitória da vida sobre a morte, do bem sobre o mal. E a morte não é o fim. Ela é, sim, o começo de uma nova vida, a entrada para uma vida nova e inimaginável.

É muito interessante fixar os olhos e o coração na cena em que Jesus pergunta por três vezes a Pedro: “Pedro, tu me amas?” (cf. Jo 21,15-29). Pedro responde sempre que sim, e ainda apela para o conhecimento de Jesus, dizendo que Ele sabe todas as coisas e, por isso, sabe perscrutar o interior das pessoas, vendo quem ama e quem não ama. E nisso Pedro estava repleto de razão, pois Jesus olhava nos olhos das pessoas e logo conhecia o coração delas. Porém, nas três vezes em que Jesus pergunta a Pedro se O amava, nas entrelinhas parece que queria lembrar-lhe que, mesmo após esta tríplice confissão de amor, tinha sido ele que antes renegara o Mestre por bem três vezes diante dos outros. Isso nos mostra com profundidade que o amor não pode limitar-se às palavras. O amor é muito mais do que dizer para alguém: “eu te amo”. O amor nos leva até às últimas consequências, como doar e dar a vida por alguém.

Sempre me recordo do dia em que uma mãe aflita, depois de saber que sua filha estava com suspeita de uma enfermidade grave, me procurou e disse-me que preferia que a doença fosse nela do que na filha e que se houvesse qualquer possibilidade de oferecer a saúde dela para a filha, assumindo ela mesma essa enfermidade, o faria imediatamente, sem titubear. O amor nos dá esta coragem e esta capacidade de se decidir pelo outro.

Soubemos que, recentemente, em Bergamo, Norte da Itália, um sacerdote, internado devido a Covid19, renunciou ao aparelho de respiração, que seus paroquianos tinham comprado para ele. Pe. Giuseppe Berardelli, de 72 anos, optou por doar o aparelho para que uma pessoa mais jovem fosse socorrida. O padre morreu, e o jovem sobreviveu ao coronavírus. É o amor que nos leva a atitudes e escolhas extraordinárias, muitas vezes incompreensíveis aos nossos pensamentos.

Realmente, o amor simplesmente age e faz a diferença. Aliás, o amor nos ensina que, quando uma pessoa menos merece, é quando mais precisa ser amada. Olhemos à nossa volta, olhemos para os olhos uns dos outros, e acreditemos na força do amor. É esta força que nos levantará e que nos recriará e fará de nós uma nova humanidade. O amor “tudo sofre, tudo crê, tudo espera” (1Cor 13,7). A força do amor vence tudo e todas as sombras que pairam sobre nossa vida e nossa história! Tenhamos certeza disto!

Publicado no Jornal de Jundiaí em 01.04.2020.

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