A Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate (2) – O Chamado à Santidade

“Caros amigos, o capítulo I da Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate, do Papa Francisco, “O Chamado à Santidade”, apresenta a contextualização desse chamado universal à santidade a partir não só de conceitos, mas também de exemplos de quem já fez esse caminho, ou seja, os santos e santas. São eles uma “nuvem de testemunhas” que já venceram a batalha e, agora, na glória eterna, intercedem junto a Deus por nós (cf. Hb 11-12).

A santidade é a síntese, na Bíblia, de todos os atributos de Deus. Isaías chama Deus de “o Santo de Israel”, aquele que Israel conheceu como o Santo. “Santo, santo, santo”, é o grito que acompanha a manifestação de Deus no momento do seu chamado (Is 6,3). A motivação então da santidade é a própria santidade de Deus: “Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo” (Lv 19,2); “Na verdade, ó Pai, vós sois Santo e fonte de toda santidade” (Oração Eucarística II).

Jesus, Mestre e Modelo divino de toda a perfeição, pregou a santidade de vida, de que Ele é autor e consumador, a todos e a cada um dos seus discípulos, de qualquer condição: “sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48). Importa, pois, ter Cristo como modelo e segui-lo, na humildade, contemplando e agindo, de um lado, e agindo e contemplando, de outro, em plena harmonia. Quanto mais imitarmos Jesus, tanto mais entramos no mistério da santidade divina.

Contamos também com a graça do seu Espírito regenerador que nos torna participantes da natureza divina e nos capacita para um viver condizente com o sublime nome que carregamos (cf. 2Pe 1,3). Assim ensina o Papa sobre o quê dissemos até aqui: “O desígnio do Pai é Cristo, e nós n’Ele. Em última análise, é Cristo que ama em nós, porque a santidade mais não é do que a caridade plenamente vivida. Por conseguinte, a medida da santidade é dada pela estatura que Cristo alcança em nós, desde quando, com a força do Espírito Santo, modelamos toda a nossa vida sobre a Sua. Assim, cada santo é uma mensagem que o Espírito Santo extrai da riqueza de Jesus Cristo e dá ao seu povo” (n. 21).

Caríssimos irmãos, como sabemos, há muitos tipos de santos. Para lá dos santos oficialmente reconhecidos pela Igreja, muitas outras pessoas comuns não foram inscritas nos livros de história, mas o seu contributo para mudar o mundo foi decisivo, pois, a santidade também cresce por meio de pequenos gestos: recusar dizer mal de alguém, escutar com paciência e amor, trabalhar com dignidade, entre outros. É preciso, então, olhar também para pessoas que não foram canonizadas, mas são santas. São os santos e santas que estão, como fala o Papa, “ao pé da porta”, pois estão “nos pais que criam os seus filhos com tanto amor, nos homens e nas mulheres que trabalham a fim de trazer o pão para casa, nos doentes, nas consagradas idosas que continuam a sorrir. Nesta constância de continuar a caminhar dia após dia, vejo a santidade da Igreja militante. Esta é muitas vezes a santidade ao pé da porta, daqueles que vivem perto de nós e são um reflexo da presença de Deus, ou – por outras palavras – da ‘classe média da santidade’” (n. 7).

Ora, se somos “chamados a ser santos”, se somos “santos por vocação”, então fica claro que seremos pessoas verdadeiras, realizadas, na medida em que formos pessoas santas: “Não tenhas medo da santidade. Não te tirará forças, nem vida nem alegria. Muito pelo contrário, porque chegarás a ser o que o Pai pensou quando te criou e serás fiel ao teu próprio ser. Depender d’Ele liberta-nos das escravidões e leva-nos a reconhecer a nossa dignidade” (n. 32)”.

Pe. Enéas de Camargo Bête

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