A economia do Evangelho multiplica partilhando

Publicamos, a seguir, os principais trechos da homilia que o Santo Padre proferiu durante a missa na Solenidade de Corpus Christi, na Paróquia Santa Maria da Consolação, em Roma, em 23 de junho.

 A Palavra de Deus ajuda-nos a descobrir dois verbos essenciais para a vida de cada dia: dizer e dar.

Dizer. Na primeira leitura, Melquisedec diz: “Abençoado seja Abrão pelo Deus Altíssimo, e bendito seja o Deus Altíssimo” (Gn 14, 19-20). O dizer de Melquisedec é bendizer… Tudo parte da bênção: as palavras de bem geram uma história de bem. O mesmo acontece no Evangelho: antes de multiplicar os pães, Jesus abençoa-os.

Por que faz bem abençoar? Porque é transformar a palavra em dom… A Eucaristia é uma escola de bênção… Vimos à Missa com a certeza de ser abençoados pelo Senhor, e saímos para, por nossa vez, abençoarmos, para sermos canais de bem no mundo.

Entretanto, é triste ver hoje quão facilmente se faz o contrário: se amaldiçoa, despreza, insulta… Não nos deixemos contagiar pela arrogância, não nos deixemos invadir pela amargura, nós que comemos o Pão que em si contém toda a doçura… Diante da Eucaristia, de Jesus que Se fez Pão, deste Pão humilde que contém a totalidade da Igreja, aprendamos a bendizer o que temos, a louvar a Deus, a abençoar e não a amaldiçoar o nosso passado, a dar boas palavras aos outros.

O segundo verbo é dar... O pão não é apenas produto de consumo, mas recurso de partilha… Jesus reza, abençoa aqueles cinco pães e começa a parti-los, confiando no Pai. E não se esgotam mais aqueles cinco pães… Isto não é magia, mas confiança em Deus e na sua providência.

No mundo, procura-se sempre aumentar os lucros, aumentar o volume de negócios… Sim, mas com que finalidade? É o dar ou o ter? O partilhar ou o acumular? A “economia” do Evangelho multiplica partilhando, alimenta distribuindo; não satisfaz a voracidade de poucos, mas dá vida ao mundo (cf. Jo 6, 33). O verbo de Jesus não é ter, mas dar.

E a solicitação que Ele faz aos discípulos é categórica: “Dai-lhes vós de comer” (Lc 9,13)… O Senhor faz grandes coisas com o nosso pouquinho, como no caso dos cinco pães. Ele não realiza prodígios com ações espetaculares, não tem a varinha mágica, mas atua com coisas humildes. A onipotência de Deus é humilde, feita apenas de amor; e o amor faz grandes coisas com as coisas pequenas. Assim no-lo ensina a Eucaristia: n’Ela, está Deus encerrado num bocado de pão. Simples, essencial, pão partido e partilhado, a Eucaristia que recebemos transmite-nos a mentalidade de Deus. E leva a darmo-nos, a nós mesmos, aos outros.

Na nossa cidade faminta de amor e solicitude, que sofre de degradação e abandono, perante tantos idosos sozinhos, famílias em dificuldade, jovens que dificilmente conseguem ganhar o pão e alimentar os seus sonhos, o Senhor diz-te: “Dá-lhes tu de comer”. E tu podes retorquir: “Tenho pouco, não tenho capacidade para estas coisas”. Não é verdade! O teu pouco é tanto aos olhos de Jesus, se não o guardares para ti mas o colocares em jogo. E tu, entra também em jogo. E não estás sozinho: tens a Eucaristia, o Pão do caminho, o Pão de Jesus.

Papa Francisco

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