27 de setembro de 2021

Jundiaí /SP

A Apóstola dos Apóstolos

“Eu vi o Senhor!” (Jo 20,18).

 

Caríssimos leitores e leitoras: ainda é tempo de Páscoa! Cristo ressuscitou e, por isso, está vivo em nossos corações! Alegremo-nos, porque “Deus, que ressuscitou o Senhor, nos ressuscitará também a nós, pelo seu poder” (1Cor 6,14).

Na Igreja, duas festas por ano, Natal e Pentecostes, se prolongam durante oito dias. A “rainha” das festas cristãs – Páscoa – tem oito dias de preparação – Semana Santa – e oito dias seguidos de celebração festiva, terminando com o domingo “in albis”, ou seja, “em branco”, porque era a data em que os catecúmenos, os recém-batizados e revestidos da veste branca para a cerimônia do Batismo na Vigília Pascal, passados oito dias, se desvestiam desta indumentária. Este domingo é chamado “Segundo Domingo da Páscoa” ou “Domingo da Divina Misericórdia”, uma vez que esta celebração foi instituída oficialmente pelo Papa São João Paulo II durante a cerimônia de canonização de Santa Faustina Kowalska, no dia 30 de abril de 2000.

O Evangelho de São João narra a cena da aparição de Jesus a Maria Madalena (cf. Jo 20,11-18). Maria Madalena vai de madrugada ao sepulcro e sua situação é desesperadora: ela chora, não sabe o que está acontecendo, procura um Jesus morto e, quando Jesus lhe aparece, ela o confunde com o jardineiro. Mas é quando Jesus a chama pelo nome que ela desperta e reconhece o Rabuni (Mestre), o Ressuscitado, que então a envia para anunciar a boa notícia aos discípulos.

Maria recebe assim o encargo de ir anunciar aos discípulos o que viu e ouviu. Santo Tomás de Aquino chama Maria Madalena com a singular qualificação de “apóstola dos apóstolos”, dedicando-lhe este bonito comentário: “Como uma mulher tinha anunciado ao primeiro homem palavras de morte, assim uma mulher foi a primeira a anunciar aos apóstolos palavras de vida” (citado pelo Papa Bento XVI, Audiência Geral: 14/02/2007).

A coragem e a determinação de Maria Madalena a transformaram de discípula em ‘apóstola’ do Ressuscitado. Essa transformação constituiu-se de um processo, vivido no grupo do Mestre, fazendo todos os dias o caminho com Jesus, como sua seguidora, sua discípula. Foi no dia a dia que Maria Madalena tomou sempre mais consciência de que Jesus de Nazaré é o Filho de Deus! Ela enfrentou dificuldades em ser acolhida e valorizada, mas a experiência feita no encontro com Jesus a tornou firme e decidida em continuar no caminho aberto por Jesus.

Muitas vezes, as pessoas querem frisar ou especular qual teria sido a vida passada de Maria Madalena, mas isso não é o mais importante. O mais importante é a vida transformada pela graça de Deus, é a sua fidelidade no seguimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, pois ela nunca mais O abandonou, desde que O conheceu, e se tornou uma discípula fiel de Jesus Cristo e sua “apóstola” amada.

“Eu vi o Senhor!” (Jo 20,18): este foi o testemunho vivo de Maria Madalena aos discípulos de Jesus, mas também é a palavra dirigida a todos nós ainda hoje, em meio de tantas dificuldades por causa desta pandemia do coronavírus, em meio de tantas dores, tantos machucados e ferimentos de nosso tempo. Pois, o cristão, chamado a ser discípulo de Jesus, no seu programa diário de vida, cultiva a intimidade com o Cristo Vivo na Eucaristia, na oração, na leitura assídua do Evangelho e na prática da caridade e da misericórdia, particularmente aos mais pobres e vulneráveis.

Poderemos vivenciar isto, se tivermos a mesma disposição de Maria Madalena: ir contar aos outros que o Senhor ressuscitou, que Ele está vivo e que nós somos suas testemunhas. Esta é a missão do discípulo missionário de Jesus: anunciar o Amor, viver pelo Amor, viver no Amor, viver para o Amor.

Precisamos testemunhar para os outros que Cristo está vivo em nós e na experiência alegre e confiante de nosso testemunho. Não podemos nos comportar no mundo como sendo mortos, tristes, desanimados e sem graça. Não podemos dar um testemunho sem entusiasmo da Ressurreição do Senhor.

Que Maria Madalena, apóstola do Ressuscitado, nos incentive para que todos anunciemos, a cada momento de nossa vida com alegria e fé, que a Ressurreição é a confirmação no amor de Deus, que Ele é Amor e que nunca abandona ou abandonará a humanidade.

A todos abençoo.

Publicado no jornal A Federação em 06.05.2020.

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