A 57ª Assembleia Geral da CNBB (II)

“Mas a casa não desabou, porque estava construída sobre a rocha” (Mt 7,25).

Queridos irmãos e irmãs da Igreja de Deus que se faz presente na Diocese de Jundiaí: nesta edição retomo a reflexão sobre a 57ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que teve lugar no Centro de Eventos Padre Vitor Coelho de Almeida do Santuário Nacional de Aparecida – SP, entre os dias 1º e 10 de maio deste ano.

Como salientei na edição anterior deste Jornal O VERBO, a Assembleia teve a grande tarefa de atualizar as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora (DGAE) da Igreja no Brasil para o quadriênio 2019 a 2023. Este documento foi amplamente refletido e debatido até a sua aprovação final, a partir de uma Comissão Especial de Bispos e assessores cuja tarefa era a de elaborar, enriquecer um grande número de sugestões e emendas de muitos Bispos, organismos e pastorais.

O Objetivo Geral das novas Diretrizes da Ação Evangelizadora é: “Evangelizar no Brasil cada vez mais urbano, pelo anúncio da Palavra de Deus, formando discípulos e discípulas de Jesus Cristo, em comunidades eclesiais missionárias, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, cuidando da Casa Comum e testemunhando o Reino de Deus rumo à plenitude”. A atenção especial que a Igreja deve dar ao mundo urbano não deve envolver apenas as cidades do país, mas também a cultura e a visão moderna que se propaga em todo canto graças à nova tecnologia das redes sociais.

O documento está estruturado a partir da imagem de uma Igreja acolhedora, que seja como uma “casa”, não a casa construção, mas como “lar”, principalmente para os mais vulneráveis, como pobres, necessitados, idosos e jovens. Neste novo modelo de Igreja, o cristão, discípulo missionário do Senhor, sai do anonimato da solidão, convertendo-se em sujeito eclesial, testemunha viva numa sociedade cada vez mais pluralista. No centro das novas Diretrizes, como eixo principal, está a comunidade eclesial missionária, sustentada por “quatro pilares”: Palavra, Pão, Caridade e Missão. (1) A Palavra que aprofunda a Iniciação à Vida Cristã, tendo a Bíblia Sagrada como o centro da comunidade; (2) O Pão que aprofunda a Liturgia e a busca da comunidade cristã por viver a espiritualidade rumo à santidade que leva ao encontro de Deus na pessoa do outro; (3) A Caridade que leva a comunidade a defender e promover a vida em todos os sentidos; (4) A Ação Missionária que leva a comunidade a sair de si mesmo e ir ao encontro dos fracos nas periferias geográficas e existenciais.

O texto está estruturado em quatro partes. A primeira, que inclui uma introdução e o primeiro capítulo, aprofunda os rumos da Igreja no mundo com predominância cada vez mais urbano. O segundo capítulo aprofunda o olhar dos discípulos missionários de Jesus Cristo sobre esta nova realidade do país. Já o terceiro capítulo trata da ideia-força da “Igreja nas Casas”, retomando a inspiração das primeiras comunidades cristãs. Por fim, o quarto e último capítulo indica caminhos concretos sobre a melhor maneira de a Igreja do Brasil “em saída missionária” possa estar presente e atuante neste novo mundo urbano. De forma esquemática pode-se resumir as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora (DGAE) da Igreja no Brasil (2019-2023) em quatro palavras-chaves: (1) A cultura urbana como contexto; (2) O discipulado a Jesus Cristo como proposta de vida; (3) A ação missionária como prática e modelo (paradigma); (4) A comunidade eclesial missionária como caminho.

Queridos diocesanos: é meu firme e sincero desejo que a nossa Diocese, em todos os âmbitos da ação evangelizadora diocesana e níveis dos Agentes Pastorais (ministros ordenados, os da vida consagrada, os seminaristas, os cristãos leigos e leigas das pastorais específicas, Movimentos Eclesiais, Associações de Fiéis, Novas Comunidades e Organismos Eclesiais) conheçam profundamente as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora (DGAE) da Igreja no Brasil (2019-2023). A partir deste estudo esperamos ver a melhor maneira como poderemos aplicar estas Diretrizes à realidade da nossa Diocese em vista da elaboração do novo Plano Diocesano da Ação Evangelizadora, fruto das Assembleias que pretendemos realizar no final deste ano ou no decorrer do próximo ano, em estilo sinodal.

Termino esta “Palavra do Pastor” com o último parágrafo das novas Diretrizes: “Sob a proteção da Bem-aventurada Virgem Maria, Senhora da Conceição Aparecida, a Igreja se coloca confiante, na esperança de que as Diretrizes cumpram a função para a qual foram elaboradas, e sirvam como instrumento para manifestar a alegria do Evangelho a todos os corações, especialmente os sofridos e desesperançados. Enfim, toda a nossa ação evangelizadora pressupõe uma atitude discipular para escutar o que o Mestre está pedindo à Igreja no Brasil” (n. 211). Que a nossa querida e amada Diocese de Jundiaí, à luz das novas Diretrizes da CNBB, se torne, verdadeiramente, comunidade dos discípulos missionários do Senhor Jesus, a “casa da Palavra, do Pão, da Caridade e da Missão”, a serviço da alegria do Evangelho do Mestre, testemunhando e fortalecendo o Reino de Deus rumo à sua plenitude. Assim seja!

E a todos abençoo.

Dom Vicente Costa
Bispo Diocesano

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