Somos homens e mulheres de louvor

Publicamos, a seguir, os principais trechos do discurso do Santo Padre no encontro com os sacerdotes, religiosos, consagrados e seminaristas, em ocasião da viagem apostólica à África, no Colégio São Miguel, em 8 de setembro.

Queridos irmãos e irmãs, ao terminar a minha visita a Madagascar, brotam do meu coração estas palavras de Jesus: “Bendigo-Te, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos” (Lc 10,21). E esta exultação é confirmada pelos vossos testemunhos, pois até os pontos que expressastes como problemas são sinais duma Igreja viva, que procura cada dia estar mais próxima do povo!

A frase do Evangelho faz parte da oração de louvor feita pelo Senhor, quando acolheu os setenta e dois discípulos no regresso da sua missão com os sacos cheios para partilhar tudo o que viram e ouviram. Como eles, também vós aceitastes o desafio de ser uma Igreja “em saída”.

Sei que muitos de vós vivem em condições difíceis. Muitos de vós sentem sobre os seus ombros, para não dizer sobre a sua saúde, o peso das fadigas apostólicas. Mas escolhestes ficar e estar ao lado do vosso povo. Disso vos agradeço!

Quando acolheu os seus discípulos e Se deu conta como voltavam cheios de alegria, a primeira coisa que Jesus faz é louvar e bendizer seu Pai. Isto indica-nos um aspecto fundamental da nossa vocação. Somos homens e mulheres de louvor.

Com frequência podemos sucumbir à tentação de sonhar programas apostólicos cada vez maiores, meticulosos e bem elaborados, mas típicos dos generais derrotados, que acabam por negar a nossa história, bem como a história do vosso povo, que é gloriosa por ser uma história de sacrifícios, de esperança, de luta diária, de vida gasta no serviço, de constância no trabalho fadigoso (cf. Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 96).

É interessante notar que Jesus resume a ação dos seus discípulos falando da vitória sobre o poder de Satanás. Deus frustra a influência do espírito do mal, aquele espírito que muitas vezes nos transmite “uma preocupação exacerbada pelos espaços pessoais de autonomia e relaxamento, que leva a viver os próprios deveres como mero apêndice da vida, como se não fizessem parte da própria identidade. Ao mesmo tempo, a vida espiritual confunde-se com alguns momentos religiosos que proporcionam algum alívio, mas não alimentam o encontro com os outros, o compromisso no mundo, a paixão pela evangelização” (Evangelii gaudium, 78). Então, em vez de ser homens e mulheres de louvor, podemo-nos tornar “profissionais do sagrado”.

Queridos irmãos e irmãs, Jesus louva o Pai, porque revelou estas coisas aos “pequeninos”. Estes pequeninos somos nós: a pessoa simples Deus “vê e escuta” aquilo que nem os sábios, nem os profetas, nem os reis podem ver e escutar: a presença de Deus nos doentes e atribulados, naqueles que têm fome e sede de justiça, nos misericordiosos (cf. Mt 5, 3-12; Lc 6, 20-23).

Transmiti às vossas comunidades a certeza do meu afeto e proximidade, da minha oração e a minha bênção. E, por favor, não vos esqueçais de rezar e fazer rezar por mim!

Papa Francisco

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *