25 de setembro de 2021

Jundiaí /SP

Senhor, dai-nos bons Pastores!

“Colocarei à sua frente pastores que as apascentem” (Jr 23,4a).

 

Caríssimos leitores e leitoras: é motivo de alegria o fato de que Deus separou um povo para si, para lhe revelar o seu imenso amor. Ainda mais maravilhoso é observar que Deus escolheu, do meio desse povo, pastores para apascentar o rebanho. Como dirá a primeira leitura a ser proclamada na Liturgia da Palavra do próximo domingo, 16º Domingo do Tempo Comum, Deus sempre cuida de seu povo, enviando-lhe bons pastores para o apascentarem em seu nome (cf. Jr 23,1-6).

Em primeiro lugar, lembremos que toda vocação ao pastoreio do povo é dom divino, reafirmado a cada momento na caminhada daqueles que se sentem chamados. Não basta ter uma grande vontade ou querer alcançar esta condição a qualquer custo. O pastor do rebanho precisa ser abnegado, simples, humilde, de vida espiritual profunda, um conhecedor das realidades do mundo e, principalmente, de coração aberto para vivenciar junto os sofrimentos de seu povo.

Assim, a primeira coisa que precisamos reconhecer, com certa tristeza, é a infeliz existência de maus pastores que oprimem o povo. São mercenários que se aproveitam do rebanho, iludindo as pessoas com falsas promessas de salvação. Não cuidam, mas só exploram. Não curam, machucam. Não dão a própria vida, mas vivem às custas da fé alheia. É contra esses que Deus irá falar nas palavras do profeta Jeremias: “Ai dos pastores que destroem e dispersam o rebanho da minha pastagem! – oráculo do Senhor… Dispersastes, expulsastes as minhas ovelhas, delas não tomastes conta” (Jr 23,1-2b).

O próprio Deus, que concede aos que escolhe o dom da vocação, é o primeiro a revoltar-se contra os que utilizam de modo errado essa dádiva de servir aos irmãos e irmãs com a própria vida. O povo, por sua vez, precisa estar sempre atento e rezar muito pela conversão e pela fidelidade de seus pastores. As críticas, por si mesmas, são compreensíveis e muitas vezes até justas. Porém, somente a oração pode mudar o nosso coração, e esta não pode faltar numa comunidade de fé.

Apesar disso tudo, não sejamos pessimistas! Há um grande número de bons pastores apascentando as ovelhas! São milhares de bispos, padres, religiosos e religiosas, lideranças das comunidades cristãs, ótimos pais de família, líderes dedicados, homens e mulheres de fé genuína com a missão de apascentar o rebanho do Senhor Jesus. De fato, o que seria de nossa vida sem os cristãos e cristãs que diariamente cumprem a vontade de Deus, vivendo e testemunhando os valores do Evangelho?

Um bom pastor sabe que não vive para si, mas para Deus e para os outros. Entende que precisa dar a vida pelo rebanho, lutando contra as injustiças e maldades do mundo. Compreende que, à semelhança de Jesus Cristo, precisa anunciar a paz aos que estão longe e aos que estão perto (cf. Ef 2,17). O povo de Deus precisa também reconhecer e agradecer pelos bons pastores que temos entre nós. Com a força da oração, deve rezar para que o pastor bom persevere, não se canse e jamais desista da missão nobre que lhe foi confiada.

Caríssimos leitores e leitoras: não é o simples caso de separar os bons e os maus, muitas vezes com um julgamento errado e leviano. A questão é mais profunda. Hoje em dia há muitos que não querem acolher o chamado do Senhor para suas vidas. Sentem-se escolhidos por Deus, mas temem enveredar por tal caminho. Sabem que não é uma missão fácil e, por isso, muitas vezes preferem seguir outro itinerário de vida.

Enquanto os maus pastores não se converterem e não mudarem de atitude, ficam os bons sobrecarregados, pois o rebanho é grande e os pastores são poucos (cf. Mt 9,37). Atualmente há o risco do ativismo, da fadiga mental, do estresse físico e emocional, do desânimo como grandes inimigos dos bons pastores. Há muita falta deles para o nosso povo, e por isso a nossa oração por eles deve ser constante.

Dirá o Evangelho do próximo domingo, que quando Jesus viu uma numerosa multidão “encheu-se de compaixão por eles, porque eram como ovelhas sem pastor” (cf. Mc 6,34). Podemos intuir que muitas pessoas até hoje estão afastadas de Deus e sem os necessários cuidados espirituais, porque em muitos lugares faltam os verdadeiros e bons pastores. Peçamos a Jesus, o Bom Pastor (cf. Jo 10,11), que não nos faltem muitos e bons pastores para nos guiarem nos caminhos que levam à plenitude da vida.

 

E a todos abençoo.

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