Rumo ao novo Plano Diocesano da Ação Evangelizadora

“Ouça o que o Espírito diz à Igreja” (cf. Ap 1,7).

Prezados irmãos e irmãs da Igreja de Deus que se faz presente na Diocese de Jundiaí:

O Concílio Vaticano II (1962-1965) significou um novo Pentecostes para a vida da Igreja, um sopro do Espírito para uma nova compreensão do ser e do agir da Igreja. Ao repensar a sua missão e sua relação com o mundo, ela renovou profundamente sua maneira de evangelizar. Desde então, a caminhada da Igreja no Brasil seguiu muito de perto as pegadas desta renovação conciliar. O surgimento da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), no ano de 1952, inaugurou nova e promissora fase na vida da Igreja. Desde então, a CNBB adotou o planejamento pastoral como instrumento muito válido e eficaz para animar e articular a ação pastoral em nível nacional e regional (os 18 Regionais da CNBB) como também a partir de cada Diocese deste imenso país. Na verdade, porém, a experiência do planejamento pastoral teve início com o Plano de Emergência (1962), elaborado às vésperas do Concílio.

Entretanto, foi o Plano de Pastoral de Conjunto (1966-1970) que possibilitou a aplicação articulada e planejada de toda a riqueza do Concílio. Já a partir de 1970, adotou-se uma nova metodologia de planejamento pastoral, mais flexível e realista diante da imensa variedade de situações que emergem de um país continental como é o nosso. Buscou-se a unidade em nível nacional através das Diretrizes Gerais da Ação Pastoral da Igreja do Brasil, deixando-se a definição de planos mais concretos da ação evangelizadora para cada Diocese. As primeiras Diretrizes surgiram em 1975, abrangendo sempre um período de quatro anos (1975-1978). Em 1995, uma mudança significativa: as Diretrizes da Ação Pastoral passaram a ser Diretrizes da Ação Evangelizadora, a fim de salientar melhor a evangelização como a grande missão da Igreja. E assim sucessivamente de modo que os Bispos no Brasil, como autênticos mestres da fé apostólica, na sua última Assembleia Geral, realizada em Aparecida – SP, de 1 a 10 de maio deste ano, aprovaram as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil para mais um quadriênio: 2019-2023. Que também nossa Igreja Particular de Jundiaí “ouça o que o Espírito diz à nossa Igreja” (cf. Ap 1,7) através dos nossos pastores.

Por que o planejamento na ação evangelizadora tornou-se tão importante para a Igreja no Brasil, e consequentemente, também para a nossa Diocese? Mais do que uma técnica sofisticada apenas para obter resultados, com o perigo de pretender substituir a presença do Espírito, o planejamento da ação evangelizadora busca, através da reflexão séria sobre a realidade eclesial e social, elaborar pistas concretas que atendam às necessidades atuais. A ação evangelizadora não pode processar-se às cegas, como aquele “que corre sem meta”, ou como aquele “que golpeia o ar” sem atingir o alvo (cf. 1Cor 9,26). Deste modo, a experiência do planejamento da ação evangelizadora torna-se mais pedagogia do que apenas técnica. Pois, este processo não será apenas um instrumento para a Igreja agir mais e melhor, mas um caminho para ela ser mais e melhor na prática e naquilo que anuncia a si mesma: o Evangelho vivo do Senhor Jesus. É o que enfatizou o Documento de Aparecida: toda ação evangelizadora exige uma profunda “conversão pastoral” pessoal e das estruturas eclesiais (cf. nn. 365-372).

Entre as várias metodologias do planejamento da ação evangelizadora destaca-se aquela na forma do “Ver-Julgar-Agir-Celebrar”, sempre procurando ligar fé e vida, reflexão teológica e análise da realidade. Em outras palavras, este processo inclui: a fase de reflexão e da análise da realidade; a fase de contemplar e julgar essa realidade à luz do Evangelho de Jesus Cristo e do ensinamento da Igreja; a fase de tomada de decisões e escolha de objetivos comuns, resultando na elaboração do plano capaz de unir todos os agentes no mesmo caminho e no alcance dos mesmos objetivos comuns, contando com uma competente animação e assessoria, e sendo constante a avaliação em cada momento de todo este processo. E tudo isto realizado e celebrado num clima de fé, com a certeza de que é o Espírito que dirige a Igreja do Senhor.

Em todo este processo de planejamento pastoral, em vista da elaboração do novo Plano Diocesano da Ação Evangelizadora, não se deve menosprezar a participação afetiva e efetiva de todos os que se empenham na ação evangelizadora. Todo o Povo de Deus deve ser o sujeito da evangelização, na diversidade de seus ministérios (ministros ordenados: presbíteros e diáconos e outros não ordenados); religiosos(as) consagrados(as); serviços e carismas (Pastorais Específicas, Movimentos Eclesiais, Associações de Leigos, Novas Comunidades…). Tudo realizado numa modalidade sinodal (isto é: “caminhar juntos”) de profunda comunhão e participação, e, portanto, de verdadeira corresponsabilidade eclesial.

Uma das formas de assegurar a implantação deste processo de comunhão e participação é certamente a realização de Assembleias em vários níveis da Igreja. Aliás, essa prática era bem comum na vida dos primeiros cristãos! Basta lembrar a famosa assembleia entre os apóstolos e os líderes da Igreja, na cidade de Jerusalém, no ano 49 d.C., quando se decidiu a questão de como deveriam ser acolhidos os pagãos convertidos ao cristianismo.

Em nossa Diocese já foram realizadas 7 Assembleias (1983; 1991; 1994; 1997; 2000; 2003; 2006). A fim de conhecer profundamente as propostas das últimas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja do Brasil, contextualizá-las em nossa realidade local e elaborar o Plano Diocesano da Ação Evangelizadora que possa unir, articular e dinamizar a caminhada evangelizadora da nossa Diocese, serão realizadas três Assembleias:

(1) Assembleia em cada Paróquia, com o objetivo de conhecer as novas Diretrizes (outubro a dezembro de 2019);

(2) Assembleia em cada Região Pastoral, com o objetivo de avaliar a caminhada da ação evangelizadora até então percorrida e colher as sugestões das Assembleias Paroquiais (1º semestre de 2020);

(3) Assembleia Diocesana, com o objetivo de fixar objetivos, metas e meios, elaborando o novo Plano Diocesano da Ação Evangelizadora.

Não desperdicemos mais este momento de graça do Senhor e do seu Espírito. Mãos à obra! Suplico a intercessão de Nossa Senhora do Desterro, nossa Padroeira, a fim de que todas as forças vivas da nossa Diocese participem ativa e frutuosamente deste processo de planejamento da ação evangelizadora em vista do novo Plano Diocesano da Ação Evangelizadora.

E a todos abençoo.

Dom Vicente Costa
Bispo Diocesano

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