Projeto da Cáritas Diocesana acolhe refugiados venezuelanos

 

Rede de apoio ajuda os imigrantes a recomeçar a vida em território diocesano.

Diariamente, centenas de venezuelanos chegam ao Brasil pela fronteira com Roraima com o desejo de recomeçar a vida, trazendo na bagagem além de seus pertences pessoais, sonhos e muita esperança. Sem comida, sem segurança, sem saúde, tentar a vida em outra localidade é a única chance de sobrevivência. Diante dessas dificuldades, não há escolha senão deixar tudo para trás e procurar abrigo no Brasil.

Sensibilizados com a causa, a Cáritas Diocesana de Jundiaí mobilizou uma rede de apoio para acolhimento das famílias em situação de refúgio, vindas da Venezuela, implantando o Projeto Caminhos de Solidariedade da Diocese de Jundiaí.

Essa grande rede de apoio que se formou com entidades assistenciais ligadas a Igreja Católica e muitas pessoas solidárias possibilitou trazer três famílias venezuelanas, que chegaram em 5 de agosto, e foram instaladas nas cidades de Jundiaí e Louveira.

A rede de apoio do Projeto Caminhos de Solidariedade está formada com a participação de muitas mãos; muitas doações chegaram e continuam chegando, em demonstração de solidariedade. A Sociedade de São Vicente de Paulo e a Cáritas Paroquial Nossa Senhora Mãe dos Homens e Santo Antônio de Pádua, em Louveira, que estão contribuindo financeiramente com o projeto, e outras tantas organizações que contribuem na articulação, orientação e inserção das famílias na sociedade, tais como, Centro Scalabriniano de Promoção do Migrante (CESPROM), Pastoral do Migrante,  Serviço de Obras Social (SOS), Pastorais Sociais e  movimentos, que formam uma rede comunitária de apoio aos migrantes.

 O Projeto tem como princípios orientadores os quatro verbos que o Papa Francisco apresentou para a Campanha Mundial “Compartilhe a Viajem”: Acolher, Proteger, Promover e Integrar. Essa campanha mundial tem por objetivo a sensibilização para as questões de migração e refúgio.

A iniciativa da Cáritas de Jundiaí não é isolada e vem de encontro ao apelo do Papa Francisco, bem como consolida a rede de apoio do Projeto Caminhos de Solidariedade da Diocese de Roraima (saiba mais www.caminhosdesolidariedade.org.br).

Mas por que um projeto para tratar do drama dos venezuelanos, se há tantos brasileiros, bem perto de nós, em situação igual ou pior que esses imigrantes? Para além de promover uma profunda reflexão, busca-se um  olhar de caridade. E, se esse olhar não puder ser por meio de um gesto concreto, que seja ao menos, por compaixão, afinal somos todos iguais perante Deus. Como disse o Papa Francisco “A presença dos imigrantes e refugiados constitui hoje, um convite a recuperar algumas dimensões essenciais da nossa existência cristã e da nossa humanidade” .

Chegada na Diocese

No aeroporto de Viracopos, em Campinas, Luis Alfredo Tovar Macuare, 36 anos, e sua família foram acolhidos pela equipe da Cáritas Diocesana de Jundiaí. E não foram só eles, também chegaram as famílias de Enemencio Agustin Subero Centeno, 58 anos; e Henry Jose Villalba Betancourt, 30 anos, totalizando seis adultos, uma adolescente e cinco crianças; esses foram encaminhados para as suas novas residências, duas em Jundiaí e uma em Louveira.

Por meio do Projeto Caminhos de Solidariedade da Diocese de Jundiaí foi possível alugar três casas e mobiliá-las e também garantir ajuda com o custeio das despesas, por três meses. A rede de apoio formada por voluntários das organizações  orienta e acompanha as famílias em busca de seus direitos sociais, regularização da documentação, inscrição nas unidades de saúde e cadastro na assistência social e, principalmente a inscrição das crianças e dos adolescente nas escolas próximas a nova residência da família. Todos já estão estudando e inseridos no convívio escolar. Nesse tempo, a rede de apoio não só ajuda, mas acompanha com a adaptação da família o que torna a nova vida mais fácil. Mas a ideia é torná-los independentes; os venezuelanos assinam um termo de compromisso que prevê que, nesse tempo, eles se estabeleçam de forma que consigam viver do próprio trabalho no Brasil.

De acordo com Maria Rosangela Moretti, da Cáritas Diocesana, “o  Projeto Caminhos de Solidariedade da Diocese de Jundiaí é uma grande oportunidade de exercitar as três virtudes teologais: Fé, Esperança e Caridade, esta última, concretizada nos gestos de solidariedade e no serviço voluntário, dos que acolherão as famílias sem restrições. A Fé, manifestada na ação do Espírito Santo, que iluminou os caminhos das organizações da Rede de Apoio e, a Esperança que, não apenas estas famílias sejam integradas em nossa sociedade, mas que outras pessoas em situação de migração e refúgio encontrem caminhos de inserção no mercado de trabalho”.

 

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