Mais um ano chega ao fim…

“E tudo o que disserdes ou fizerdes, que seja sempre no nome do Senhor Jesus, por ele dando graças a Deus pai” (Cl 3,17).

Prezados irmãos e irmãs da Igreja de Deus que se faz presente na Diocese de Jundiaí:

O tempo é um dos aspectos mais fascinantes da vida e, por incrível que pareça, é único para cada pessoa, mesmo que os relógios sejam iguais, e o ano tenha 365 dias para todos.

São Paulo afirma: “Sabeis em que momento estamos” (Rm 13,11), ou seja, como cristãos devemos saber o valor do tempo e a maneira correta de vivê-lo. De fato, olhando para mais este ano que chega ao fim, olhando para os dias que passaram, devemos tomar consciência de como aproveitamos o tempo que o Bom Deus gratuitamente nos concedeu.

Falar do “tempo” não é tão simples e óbvio; é frequente encontrarmo-nos numa situação na qual vivemos o tempo como um túnel, contínuo, repetitivo… Trata-se de um tempo que absorve, devora, desgasta, esgota. Desta maneira ele torna-se cada vez mais veloz, fugaz, estressante, uma frenética e acelerada corrida por aproveitar ao máximo cada minuto e cada hora.

Neste sentido é interessante observar a grande diferença que existe entre a concepção grega do tempo e a da Bíblia Sagrada. Para os antigos gregos, cujo pensamento muito influenciou a filosofia daquela época, a concepção do tempo (chrónos, em grego) era movimento circular, repetição do mesmo, sem nenhuma novidade ou futuro auspicioso, sem esperança que sustenta, centrado em si mesmo, sem abertura para o outro, muito menos para o Absoluto: em suma, é um tempo-monstro que nos devora totalmente, sem piedade e compaixão.

Pelo contrário, na concepção bíblica, o tempo (kairós, em grego) é renovação permanente, acontecimento sempre surpreendente e imprevisível, tempo forte de graça e salvação, presença renovadora do amor de Deus em nossa história. O tempo sempre é carregado de sentido, que nos humaniza e nos faz caminhar, com esperança e coragem, em direção Àquele que vem ao nosso encontro, arrancando-nos das nossas rotinas e modos fechados de viver. É preciso viver o tempo intensamente, pois ele não volta mais. Na história da salvação, se faz necessário descobrir a presença do Deus Vivo que completa nosso ser, que plenifica nossa existência e que responde à nossa interrogação sobre o verdadeiro sentido da nossa existência neste mundo. Tempo com a marca da eternidade, pois sem a eternidade do coração que pulsa em nós, que nos unifica e plenifica, a vida se empobrece. São Paulo afirma: “É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação” (2Cor 6,2). Pois cada momento de nosso tempo é o “hoje” de nossa salvação. Na sinagoga de Nazaré, quando Jesus se apresenta pela primeira vez como o Messias tão esperado por longos séculos, após a leitura do profeta Isaías (61,1-2) categoricamente proclama: “Hoje cumpriu-se esta palavra da Escritura que acabais de ouvir” (Lc 4,21).

Neste final de ano, gostaria de lembrar-lhes alguns momentos fortes da presença amorosa de Deus na caminhada da nossa querida e amada Diocese de Jundiaí. Em nível da Igreja Católica este ano foi marcado pela realização da 34ª Jornada Mundial da Juventude (23 a 27 de janeiro), na cidade do Panamá, com o tema “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38). Ganhou muito destaque também a realização, no Vaticano (6 a 27 de outubro), da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazônica, com o tema: “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”. Não se pode esquecer da realização do Mês Missionário Extraordinário, com o tema: “Batizados e enviados: a Igreja de Cristo em missão no mundo”, a fim de reavivar a consciência batismal do Povo de Deus em relação à missão da Igreja, particularmente a missão ad gentes (isto é, além-fronteiras).

Já em nível da Igreja do Brasil, foi celebrada mais uma Campanha da Fraternidade, a 56ª edição desde o seu início no ano de 1964, com o tema: “Fraternidade e Políticas Públicas”, e o lema: “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1,27). Neste ano, aconteceu a 57ª Assembleia Geral da Conferência dos Bispos do Brasil (Aparecida – SP, 1 a 10 de maio), que resultou na aprovação e na publicação das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2019-2023. Estas Diretrizes propõem o fortalecimento e o surgimento de comunidades eclesiais missionárias, tendo como modelo a “Igreja-casa”, fundamentada em quatro pilares: a Palavra, o Pão, a Caridade e a Ação Missionária. Estas novas Diretrizes fizeram surgir na nossa Igreja Diocesana um processo evangelizador renovado, com a realização de Assembleias Paroquiais nos últimos meses deste ano e a programação, no próximo ano, de Assembleias nas onze Regiões Pastorais em duas etapas (8 de março e 7 de junho) e da 8ª Assembleia Diocesana (7 de novembro). Espera-se que este processo da ação evangelizadora diocesana se encerre com a aprovação e a publicação do novo Plano Diocesano da Ação Evangelizadora e com a Peregrinação Diocesana para o Santuário Nacional de Aparecida (28 de novembro). Não se deve esquecer de que neste ano que agora se finda, o Brasil conta com mais uma santa brasileira, Santa Dulce dos Pobres (canonizada no Vaticano no dia 13 de outubro) e com um novo beato brasileiro (Padre Donizetti de Lima, beatificado na cidade de Tambaú – SP, no dia 23 de novembro).

Neste ano, na companhia de alguns Padres, fiz duas visitas aos nossos missionários ad gentes: (1) à Igreja-Irmã de Roraima (RR), onde atuam Padre Adeilson Rodrigues dos Santos e Padre Edmilson de Abreu Silva, e o Diácono Permanente, Paulo Morais de Oliveira e sua esposa, Vera (12 a 19 de março); (2) à Diocese de Pemba, no país de Moçambique, na África, onde atua o Padre Adriano Ferreira Rodrigues (29 de maio a 8 de junho). Graças à oração perseverante e confiante pelas vocações, graças ao projeto diocesano: “Cada comunidade – Uma nova vocação”, neste ano foram ordenados cinco presbíteros (quatro diocesanos: Padre Elias Pavan, Padre João Renan Paisca Bersan, Padre Erickson Ramos da Silva e Padre Salathiel Westphalen de Souza, e um religioso: Padre Adriano Pires, CS, carlista) e dois diáconos transitórios (Diego Marques Araujo e Dom Miguel Machado Laroca, OSB, monge beneditino valombrosano).

Novos organismos importantes para a nossa Igreja Diocesana foram criados no decorrer deste ano, como, por exemplo: o Instituto Diocesano de Filosofia Pe. Eugênio Inverardi e o Tribunal Eclesiástico. Outros eventos que marcam a caminhada da nossa Igreja são: o batismo de cerca 400 pessoas, a maioria delas adolescentes, jovens e adultos, na Vigília Pascal; a prioridade dada aos jovens pelo serviço do Setor Diocesano da Juventude; e a acolhida de três famílias venezuelanas em nosso meio e a celebração dos 175 anos de fundação da Rede Mundial de Oração do Papa (Apostolado da Oração), em Itu.

Neste ano, vários dos nossos colaboradores nos deixaram para contemplar a face misericordiosa de Deus na vida eterna, entre eles, Padre Gregório Lutz, CSSp, que exerceu seu ministério presbiteral durante vários anos na região carente de Santana de Parnaíba (5 de setembro) e o Diácono Permanente Dionísio Pavan, da Paróquia São Pedro Apóstolo, em Jundiaí (15 de junho).

Todos estes acontecimentos foram sinais da presença de Deus em nossa história, tomada de consciência da maior riqueza que está ao nosso alcance: a o amor infinito e misericordioso de Deus.

E assim mais um ano chega ao fim… É tempo de renovar as nossas esperanças, agradecer a Deus por todas as bênçãos recebidas e por tudo que passamos durante o ano que está se findando. É tempo de acreditar em um futuro melhor e que 2020 será também cheio de sinais marcantes e inesperados da bondade de Deus. Que todos os momentos deste ano e as dificuldades que passamos nos sejam acrescentados como experiências e lições de vida, a fim de que as dificuldades e desafios que certamente enfrentaremos no próximo ano sejam superados com mais determinação e sabedoria, para que continuemos a caminhar com mais firmeza a cada passo, sem nunca perder a fé e a esperança em Deus.

O Natal está às portas. Que o nascimento de Deus Encarnado, a irrupção do Menino-Deus em nossa história nos torne mais sensíveis e abertos para acolher a sua presença a cada momento do ano novo que se aproxima.

Um Santo Natal e um abençoado Ano Novo para todos vocês e as suas famílias.

A todos abençoo.

Dom Vicente Costa
Bispo Diocesano

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