Iniciando o Ano Novo…

“Eu tenho claro meu desígnio em relação a vós… É um desígnio de paz, não de sofrimento: eu vos darei futuro e esperança!” (Jr 29,11).

Prezados irmãos e irmãs da Igreja de Deus que se faz presente na Diocese de Jundiaí:

Acabamos de iniciar um ano novo que Deus nos concede na sua bondade e gratuidade infinitas. “Novo” significa inusitado, aquilo ainda não vivido e experimentado… Mas a partir da visão da fé, o novo e o futuro, por mais incertos e desconhecidos que sejam, significam uma nova etapa do tempo e não podem causar em nós medo, angústia e desânimo, pois “o projeto de Deus para nós é de paz e de esperança” (cf. Jr 29,11), já que o Deus da História dirige os passos daqueles que nele confiam. A Providência Divina nunca nos abandonará (cf. Mt 6,34). Portanto, tenhamos plena certeza de “que tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu desígnio” (Rm 8,28).

Queridos irmãos diocesanos: nesta “Palavra do Pastor” da 1ª edição do Jornal Diocesano O VERBO, gostaria de compartilhar com vocês alguns projetos e sonhos, entre tantos outros já programados, que pretendemos viver e realizar juntos com a graça de Deus, como também alguns desafios que precisamos vencer e superar.

No cenário da Igreja Católica, queria destacar dois projetos importantes:

(1) A Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a região Pan-amazônica (Nove países compõem a Pan-Amazônia), a ser celebrada em Roma, no próximo mês de outubro. Segundo as palavras do Papa Francisco, ao convocar este Sínodo, o seu objetivo principal é: “identificar novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, especialmente dos indígenas, frequentemente esquecidos e sem perspectivas de um futuro sereno, também por causa da crise da Floresta Amazônica, pulmão de capital importância para nosso planeta” (Oração do Ângelus, 15/10/2017). Que este evento ajude a encontrar novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral naquela região tão vital para a humanidade.

(2) O Mês Missionário Extraordinário a ser celebrado também no mês de outubro, mês dedicado às Missões. Em 22 de outubro de 2017, Dia Mundial das Missões, o Papa Francisco, durante o Ângelus, anunciava para toda a Igreja sua intenção de proclamar um Mês Missionário Extraordinário para celebrar o centenário da Carta Apostólica “Maximum Illud” de seu predecessor, o Papa Bento XV (1854-1922), cujo tema principal é: “Sobre a atividade missionária desenvolvida pelos missionários no mundo”. Este Mês Missionário Extraordinário, com o tema: “Batizados e enviados: a Igreja de Cristo em missão no mundo” quer despertar a consciência da missão “ad gentes”, isto é, “além-fronteiras” e retomar com novo impulso a transformação missionária da vida e da pastoral da Igreja. Será um momento muito propício para a renovação da vocação missionária da nossa Igreja Diocesana, após a maravilhosa experiência das Santas Missões Populares.

No que diz respeito à Igreja do Brasil, destaco:

(1) A Campanha da Fraternidade 2019 que terá início em todo o país no dia 6 de março (Quarta-feira de Cinzas), com o tema: “Fraternidade e Políticas Públicas”, e o lema “Serás libertado pelo direito e pela Justiça”. Com esta Campanha da Fraternidade, a Igreja do Brasil buscará estimular a participação em Políticas Públicas, à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja, a fim de que todos tenham vida digna.

(2) A 57ª Assembleia Geral da CNBB, em Aparecida – SP, 01 a 15 de maio, com o tema central: “Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil − 2019-2023)”. Estas novas Diretrizes Gerais devem inspirar e motivar a ação evangelizadora diocesana nos próximos anos.

(3) O 4º Congresso Vocacional do Brasil, em Aparecida – SP, 05 a 08 de setembro, com o tema: “Vocação e Discernimento”, e o lema: “Mostra-me, Senhor, os teus caminhos” (Sl 25,4).

Quanto à Igreja que se faz presente na querida e amada Diocese de Jundiaí, as seguintes atividades, entre tantas outras, merecem uma atenção especial:

(1) O novo Instituto Diocesano de Filosofia Pe. Eugênio Inverardi, a ser inaugurado oficialmente no dia 11 de fevereiro. Tendo como patrono, Pe. Eugênio Inverardi (1927-1953) − ex-Padre salvatoriano, homem muito culto e de grande zelo pastoral nas Paróquias por onde passou −, a Diocese de Jundiaí pretende formar os seus seminaristas em nosso Seminário Diocesano, a fim de fornecer-lhes um estudo filosófico mais focado à posterior formação teológica.

(2) A Instalação do Tribunal Diocesano de Jundiaí, com a realização da Sessão Solene no dia 28 de fevereiro. Este Tribunal, com sede na Cúria Diocesana, certamente ajudará no encaminhamento de muitas causas canônicas, particularmente no acompanhamento de casais após a ruptura de seu matrimônio sacramental.

(3) A visita do Bispo Missionário aos nossos missionários: a visita ao Pe. Adeilson Rodrigues dos Santos e ao Diácono Paulo Morais de Oliveira e sua esposa, Vera, na Diocese de Roraima – RR (12 a 19 de março), como também ao Pe. Adriano Ferreira Rodrigues, na Diocese de Pemba, Moçambique (01 a 10 de junho).

(4) O estudo e a aplicação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da CNBB para a nossa realidade social e eclesial, visando à realização de Assembleias em nível de Paróquia, Região Pastoral e Diocesano. Estas Assembleias, programadas para o final deste ano ou para o próximo ano, realizadas em modalidade sinodal, terão como objetivo a elaboração do novo Plano Diocesano da Ação Evangelizadora.

(5) A elaboração de novos documentos que deverão iluminar e fortalecer a nossa caminhada evangelizadora. Entre eles, destaco: (a) As Normas e Diretrizes Diocesanas para o Sacramento do Matrimônio; (b) O novo Regimento dos Conselhos de Economia e Administração (Diocesano, Paroquial e Comunitário).

Queridos irmãos diocesanos: como se percebe, há muito trabalho a ser feito neste ano. Certamente as dificuldades e os desafios não faltarão! Precisamos fazer bom uso do tempo, evitando a ociosidade vazia e estéril. Todos os nossos projetos fracassarão sem a comunhão íntima com Deus e a comunhão fraterna entre todos (ministros ordenados, religiosos e religiosas, cristãos leigos e leigas). Nossa ação evangelizadora não requer apenas uma organização estrutural e a calendarização das atividades, “mas também a conversão de nossa mente (‘metanoia’), de nossa maneira de rezar, de administrar poder e o dinheiro, de viver a autoridade e também de como nos relacionamos uns com os outros e com o mundo” (Carta do Papa Francisco aos Bispos dos Estados Unidos − 03/01/2019).

Outro desafio que precisamos vencer é a plena e eficaz inserção das nossas pastorais específicas, movimentos eclesiais, associações de fiéis e novas comunidades na ação evangelizadora diocesana. Todos estes organismos, mesmo conservando o objetivo específico, o carisma próprio e as orientações dos seus fundadores e assessores − muitas vezes, provindos de outras experiências extradiocesanas − só têm sentido eclesial enquanto assumirem uma comunhão sólida e convicta com a nossa Igreja Diocesana. Esta será uma das prioridades do futuro Plano Diocesano da Ação Evangelizadora.

Enfim, suba até à presença divina, pela intercessão de Nossa Senhora do Desterro, nossa Padroeira Diocesana, nossa humilde e confiante súplica para que o Senhor abençoe este Ano Novo. Em tudo aquilo que fizermos, deixemos um sabor do Evangelho de Jesus Cristo, para que venha a nós o Reino de Deus.

Feliz e abençoado Ano Novo, e a todos abençoo.

Dom Vicente Costa
Bispo Diocesano

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