Dons do Espírito Santo (V): Entendimento

“Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondestes estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos” (Mt 11,25). Com estas palavras, nosso Senhor Jesus Cristo mostra a quem foi dado conhecer os desígnios de Deus por ocasião de Sua vinda a este mundo: aos que se fazem pequenos diante da grandeza onipotente de Deus que “amou o mundo de tal maneira, que deu Seu Filho Unigênito” (Jo 3,16). Este é o dom do Entendimento ou Inteligência, sobre o qual refletiremos brevemente.

O dom do Entendimento é a luz do Espírito Santo que ilumina a alma humana – aquele grande e belo castelo, que deve servir de paraíso ao Rei dos reis, onde Ele encontra seus deleites, como descrito pela Doutora de Ávila, Santa Teresa, n’As Moradas do Castelo Interior (Primeira Morada, Cap. I) – para que o pobre homem, criado à imagem e semelhança de Deus eterno, possa aprofundar-se no conhecimento das verdades reveladas por este mesmo Deus que chamou a Si os doentes, não os sadios (Mc 2,17). Ora, o dom do Entendimento não se refere ao mero estudo das verdades sagradas, pois este estudo pode ser feito sem o amor necessário que conduz à contemplação de Deus e pode, tantas vezes, fechar o homem no orgulho do simples saber dos livros, ao invés de abri-lo à misericórdia manifestada no lado aberto de Cristo Crucificado.

Assim se expressou o Papa Francisco (30.04.2014) sobre o dom do Entendimento: “Não se trata da inteligência humana, da capacidade intelectual de ser mais ou menos dotado. Mas é um dom que torna o cristão capaz de ultrapassar o aspecto exterior da realidade para perscrutar as profundezas do pensamento de Deus e do seu plano de salvação”. Esta capacidade de mergulhar nas profundezas de Deus está, portanto, intimamente ligada à fé, que recebemos no Batismo, quando passamos da condição de criaturas à condição de filhos no Filho e, assim, nos possibilita viver em profundidade o mistério da união de Cristo com a Sua Igreja, como ensina o Apóstolo Paulo na Carta aos Efésios (5,32).

O dom do Entendimento nos faz compreender, ainda que não seja possível abarcar completamente o seu significado nesta vida, a profundidade da união com Cristo a que somos chamados, que Santa Teresa d’Ávila denomina “matrimônio espiritual”, que é “esta união secreta (que) acontece no mais profundo interior da alma, onde se encontra o próprio Deus” (Sétima Morada, Cap. II).

Peçamos sempre e confiadamente à Virgem Maria, causa de nossa alegria, que nos alcance a graça de um aprofundamento diário no conhecimento de Deus e de Seus mistérios de amor que nos envolvem, e que a nossa participação no Divino Banquete Eucarístico seja um momento privilegiado para viver a plena doação a Cristo – Esposo de nossas almas – de tudo o que temos e somos.

Seminarista Jean Carlo Cambuim

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