Dons do Espírito Santo (III): Ciência

“Toda dádiva boa e todo dom perfeito vem de cima: descem do Pai das luzes” (cf. Tg 1,17). São Tiago aponta, de maneira muito evidente, que os dons e talentos que temos não são produtos de nossa própria capacidade; antes, provém de Deus, a fonte de todos os bens espirituais. Deste modo se dá com o dom da Ciência, o terceiro dentre os sete dons do Espírito Santo.

O dom da Ciência é a graça divina que atua no ser humano a fim de aperfeiçoar a sua capacidade intelectiva, integrando a Fé e a Razão, que, nas palavras de São João Paulo II, são “duas asas que elevam o espírito humano à contemplação da Verdade” (cf. Fides et Ratio) e permitem que se reconheça a grandeza e a glória de Deus também nas coisas criadas por Ele. Através deste dom, o “cristão penetra na realidade deste mundo sob a luz de Deus”, como ensina o Papa Francisco, isto é, o Espírito Santo, no dom da Ciência, torna o homem capaz de ver a Deus em Suas criaturas, como que num espelho. Foi assim que São Francisco de Assis reconheceu a magnificência das coisas criadas, inclusive na natureza, pois via ali uma manifestação do poder e da bondade de Deus para com o ser humano.

Ao mesmo tempo em que permite ao homem ver a Deus nas criaturas, o dom da Ciência capacita-nos para a destreza espiritual, ou seja, nos torna aptos a discernir entre o que é útil ou prejudicial para o crescimento da nossa vida espiritual e no caminho da conquista das virtudes, tão necessárias para o florescimento da vida cristã em nosso próprio coração, mas também na família, na Igreja e na sociedade, onde os cristãos são chamados a ser sinais eloquentes da ação concreta de Deus nas atividades mais ordinárias, simples, de cada dia, tal como ensinava São Josemaria Escrivá: “Aí onde estão as nossas aspirações, o nosso trabalho, os nossos amores, aí está o lugar do nosso encontro cotidiano com Cristo. No meio das coisas materiais da terra é que nós devemos santificar-nos, servindo a Deus e a todos os homens”. 

Iluminados pelo dom da Ciência divina, podemos viver mais perfeitamente a vocação universal à santidade, tal como proclamado pelo Concílio Vaticano II na Lumen Gentium, de modo que a nossa existência no meio do mundo – por causa da fé no Senhor Jesus Cristo – será o testemunho mais expressivo de que há, também em nossos dias, homens e mulheres que são simplesmente aquilo que Deus espera que sejam, vivendo como bons discípulos do Divino Mestre, causando perplexidade apenas por viver na contramão do mundo, como notou o Santo do cotidiano: “É chocante a frequência com que, em nome da liberdade, tantos têm medo – e se opõem! – a que católicos sejam simplesmente bons católicos” (Sulco, 931).

Peçamos a Maria Santíssima, o Auxílio dos Cristãos, que nos ajude a viver iluminados pela Ciência de Deus, a fim de que o Nome do Senhor Jesus seja amado e glorificado em nossas vidas.

Seminarista Jean Carlo Cambuim

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