27 de setembro de 2021

Jundiaí /SP

Decidir entre a verdade e a mentira

“Diante do ser humano estão a vida e a morte, o bem e o mal; ele receberá aquilo que preferir” (Eclo 15, 18).

 

Caríssimos leitores e leitoras: a realidade humana é bela, mas complexa. Diariamente somos confrontados com dilemas que exigem respostas claras e decisivas. Hoje surgiram muitas novas situações que desafiam a vida: a fé, a família, a sociedade e o mundo como um todo. Entretanto, penso que qualquer situação pode ser analisada a partir de três princípios fundamentais: a verdade, a mentira e a nossa escolha entre ambas.

Um dos grandes livros sapienciais do Antigo Testamento recorda-nos que Deus concedeu aos seres humanos o dom da liberdade, isto é, a capacidade de poder decidir. Em seu amor de Pai Amoroso, o Criador espera que façamos escolhas acertadas na vida. Afinal o amor forçado não é amor de verdade. Diante de nós são colocados o fogo e a água, a vida e a morte, o bem e o mal. E cada um colherá os frutos, as consequências das escolhas que fizer. (cf. Eclo 15,16-21).

O grande perigo, que muitos não percebem, está em não fazer bom uso deste dom da liberdade. Diante de situações complexas e dilemas intrincados, há pessoas que preferem escolher o mal ou “ficar em cima do muro”, como se diz popularmente. Não escolhem entre o bem e o mal, entre a vida e a morte, entre a justiça e a injustiça, etc. Afirmam que não querem fazer escolha alguma, para não se comprometerem, sem saber que a omissão já é uma dessas escolhas bem ruins.

Caríssimos leitores e leitoras: qualquer tipo de omissão é um atentado contra o amor a Deus e ao próximo. Quando somos omissos e procuramos não nos envolver com os dramas alheios, manifestamos o nosso egoísmo e a nossa falta de amor para com o próximo. Deixando de ajudar os outros, estamos prejudicando a nós mesmos. De fato, não é essa a postura que Jesus espera de nós enquanto discípulos e discípulas.

“Com efeito, eu vos digo: se vossa justiça não superar a dos escribas e dos fariseus, não entrareis no Reino dos Céus”, diz Jesus (Mt 5,20). Ele espera de nós algo mais, um comprometimento maior com o amor, com a verdade e com a justiça. Ele quer de nós uma solidariedade que vá além dos nossos interesses egoístas e que nos una cada vez mais como irmãos e irmãs, sendo todos filhos e filhas de Deus.

Diante dessa palavra de Jesus, fica muito fácil escolher entre a verdade e a mentira. A verdade é o próprio Cristo, que é o Caminho, a Verdade e a Vida (cf. Jo 14,6). A mentira é o próprio diabo, que nos é apresentado pela Sagrada Escritura como o pai da mentira (cf. Jo 8,44).

Então, como fazer corretamente as escolhas? Cristo nos enviou o poder e a luz do Espírito Santo que sonda tudo, até mesmo as profundezas de Deus (cf 1Cor 2,10). Devemos deixar o nosso orgulho, a nossa vaidade e a nossa prepotência para nos colocarmos humildemente nas mãos do Espírito Santo, implorando-Lhe que nos dê a “sabedoria de Deus, em mistério escondida, e que, desde a eternidade, Deus destinou para nossa glória” (1Cor 2,7).

Caríssimos leitores e leitoras: com a ajuda de Deus, façamos sempre as melhores escolhas. Deixando de lado a omissão, saibamos caminhar na Verdade e rejeitar para sempre a mentira, cumprindo assim em nossa vida a vontade do Senhor Jesus.

E a todos abençoo.

 

Publicado no Jornal A Federação em 20.02.2020.

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