Cristãos Leigos e Leigas na Diocese de Jundiaí

“Vós sois o sal da terra… Vós sois a luz do mundo” (cf. Mt 5,13-14).

Prezados irmãos e irmãs da Igreja de Deus que se faz presente na Diocese de Jundiaí:

No último dia 25 de novembro, por ocasião da celebração da Solenidade de Cristo Rei do Universo, comemoramos, com um encontro no Centro de Evangelização Arca da Aliança Mãe da Divina Providência, Paróquia Cristo Redentor, em Várzea Paulista, o Dia Nacional dos Cristãos Leigos e Leigas. A comemoração realiza-se desde 1991 por proposta do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB). Em nossa querida e amada Diocese de Jundiaí, celebramos com bastante alegria este dia com a presença das lideranças das Paróquias, principalmente os missionários e missionárias das Santas Missões Populares. O nosso encontro contou com a assessoria da teóloga professora Rosana Manzini, do Centro Universitário Salesiano de São Paulo e da PUC-SP.

Na oportunidade foi feito um estudo da Exortação Apostólica Christifideles Laici (“Os fiéis leigos”), de São João Paulo II, sobre a “Vocação e Missão dos Leigos na Igreja e no Mundo”, de 1988, marcando assim o encerramento das comemorações aos 30 anos da publicação deste documento tão marcante na história da Igreja. Foi também muito lembrado o tema do Ano Nacional do Laicato: “Cristãos leigos e leigas, sujeitos na Igreja ‘em saída’, a serviço do Reino”, que deriva do Documento 105 da CNBB, intitulado Cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade, com o lema: “Sal da terra e luz do mundo (Mt 5,13-14)”.

Depois de tantos estudos, faz-se necessário reafirmar e destacar o legado que esta comemoração deixa para nossa Igreja: o cristão leigo, membro da Igreja entendida como Povo de Deus, é sujeito eclesial. A grandeza do ministério ordenado não deve ofuscar a beleza da dignidade batismal. O Papa Francisco afirma, em sua carta dirigida ao Cardeal Marc Ouellet, Presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina, de 19 de março de 2016, que “olhar para o povo de Deus é recordar que todos fazemos o nosso ingresso na Igreja como leigos” pelo batismo. Ele explica que ninguém foi batizado padre nem bispo e que “faz-nos bem recordar que a Igreja não é uma elite de padres, consagrados, bispos, mas que todos formamos o Santo Povo fiel de Deus”.

Os cristãos leigos, diferentemente dos clérigos, se fazem presentes nos variados “areópagos” (ambientes vitais) da sociedade. A sua primeira e imediata tarefa não se situa dentro da comunidade eclesial – esse é o papel específico dos ministros ordenados – mas no mundo: por estarem imersos no coração da vida social, pública e política, como também no mundo da cultura, das ciências e das artes, da vida internacional, dos meios de comunicação de massa e outras realidades abertas à evangelização. O Concílio Vaticano II, na Constituição Dogmática Lumem Gentium (“Luz dos Povos”), diz que, “consagrados a Cristo e ungidos pelo Espírito, os leigos, (…) como adoradores que agem santamente em toda a parte, consagram a Deus o próprio mundo” (LG, n. 34b).

Por isso, queridos irmãos diocesanos: a missão central na vida dos leigos e leigas, segundo uma frase incisiva do Documento de Aparecida, faz com que eles sejam “homens da Igreja no coração do mundo, e homens do mundo no coração da Igreja” (n. 209).

Também as nossas comunidades cristãs precisam progredir mais no reconhecimento e na valorização da vida e da missão dos leigos. Nesse sentido não posso deixar de citar uma das doenças que mais tem “freado” a missão dos leigos: o clericalismo, atitude esta que consiste em uma funcionalização do laicato; tratando os leigos como “executores apenas de tarefas”, limitando as suas diversas iniciativas e esforços, anulando a sua personalidade, diminuindo e subestimando assim a graça batismal que o Espírito Santo pôs no coração de cada cristão e de cada cristã.

Como bem salientou o Documento de Aparecida (nn. 365-372), precisamos de uma autêntica conversão pastoral, que renove o nosso coração e as estruturas eclesiais de modo que sejamos testemunhas autênticas da Igreja-Comunhão, comunidade de verdadeiros irmãos em Cristo Jesus. Desta maneira a Igreja torna-se toda ela ministerial, conduzida pelo único Pastor, que é Cristo, onde são valorizados os diversos ministérios, serviços, dons e carismas suscitados pelo Espírito.

Como são atuais as palavras do Decreto Apostolicam Actuositatem (“Sobre o apostolado dos leigos”) do Concílio Vaticano II, que há cinquenta anos exortava para a necessidade de evangelizar as realidades nas quais os leigos encontram-se inseridos. “A missão da Igreja consiste apenas em levar às pessoas a mensagem e a graça de Cristo, mas também animar e aperfeiçoar as realidades temporais (do mundo) com o espírito do Evangelho. Em razão disto, os leigos, desenvolvendo esta missão, exercem o seu apostolado tanto na Igreja como no mundo” (cf. AA, n. 5). Cristãos leigos e leigas da Diocese de Jundiaí, eu lhes encorajo vivamente: sejam missionários, sejam autênticas testemunhas do Senhor Jesus em cada ambiente onde vocês vivem e atuam!

Temos tantos exemplos de cristãos leigos e leigas que se empenharam na edificação do Reino: São Tomás Morus, São Domingos Sávio, Santa Mônica, Santa Maria Goretti, São Juan Diego, Santos Francisco e Jacinta, Beata Nhá Chica, Beato Frederico Ozanam… Bem perto de nós temos a Serva de Deus Maria de Lourdes Guarda, nascida na cidade de Salto, que apesar das limitações impostas por sua enfermidade, engajou-se na busca de melhorias sociais para os deficientes, testemunhando com coragem e tenacidade que a santidade é nossa vocação comum.

Queridos irmãos diocesanos: nesse Ano Nacional do Laicato que encerramos na Solenidade de Cristo Rei, tivemos muitas atividades celebrativas, formativas e sociopastorais. Espero, com amor de pai e pastor, que depois desse ano dedicado à vocação e à missão dos leigos, permaneça este profícuo e vivaz legado para nossa Igreja Particular: que os Conselhos da Ação Evangelizadora e de Economia e Administração sejam mais valorizados; que o Conselho Diocesano de Leigos possa ter maior representatividade nas Paróquias e nas Regiões Pastorais; que os agentes das Pastorais Específicas, Movimentos Eclesiais, Associações Religiosas e Novas Comunidades sintam-se de fato “sujeitos eclesiais”; que cada batizado e crismado sinta-se impelido a salgar e iluminar a sociedade segundo os anseios do Reino de Deus.

Aos meus irmãos Presbíteros e Diáconos peço encarecidamente: continuemos potencializando a corresponsabilidade laical em sua missão, favorecendo a sua plena participação em todas as instâncias, mantendo, no entanto, o foco na eficiência da presença e atuação laical na vida pública.

Que Nossa Senhora do Desterro, nossa Santa Padroeira, interceda por todos os cristãos leigos e leigas de nossa querida e amada Diocese de Jundiaí.

A todos abençoo!

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