A paz sem fronteiras

Publicamos, a seguir, a mensagem do Santo Padre em razão da 33ª Reunião de Oração pela Paz, em Madri, de 15 a 17 de setembro.

É uma alegria ver que essa peregrinação pela paz nunca foi interrompida, mas continua e cresce em número de participantes e em frutos do bem.

Este ano, seu itinerário chega a Madri, para refletir sobre o tema “Paz sem fronteiras”. A mente voa para o passado, quando trinta anos atrás, no coração da Europa, o Muro de Berlim caiu e a divisão dilacerante do continente que causou tanto sofrimento terminou. Além disso, a história bíblica de Jericó nos lembra que os muros caem quando são “sitiados” com oração e não com armas, com os anseios de paz e não de conquista, quando sonhamos com um futuro bom para todos. Por isso é necessário orar e dialogar sempre na perspectiva da paz: os frutos virão! Não tenhamos medo, porque o Senhor ouve a oração de seu povo fiel.

Infelizmente, nessas duas primeiras décadas do século 21, testemunhamos com grande tristeza o desperdício daquele dom de Deus que é a paz, desperdiçado com novas guerras e com a construção de novos muros e barreiras. Afinal, sabemos bem que a paz deve aumentar infinitamente de geração em geração, através do diálogo, encontro e negociação. Se o bem dos povos e do mundo é buscado, é tolice fechar espaços, separar os povos ou, mais ainda, se confrontar, negar hospitalidade àqueles que precisam. Dessa maneira, o mundo está “quebrado”, usando a mesma violência com a qual o ambiente está arruinado e a casa comum é danificada, e pede amor, cuidado, respeito, assim como a humanidade invoca paz e fraternidade. A casa comum não suporta muros que separam e enfrentam quem mora lá. Em vez disso, precisa de portas abertas que ajudem a se comunicar, a encontrar, a cooperar para viver juntos em paz, respeitando a diversidade e reforçando os laços de responsabilidade. A paz é como uma casa com muitos quartos em que todos somos chamados a viver. A paz não tem fronteiras. Sempre, sem exceção.

Como crentes, estamos cientes de que a oração é a raiz da paz. Quem o pratica é amigo de Deus, como Abraão, um modelo de homem de fé e esperança. A oração pela paz, neste momento marcada por tantos conflitos e violências, nos une ainda mais, além das diferenças, no compromisso comum com um mundo mais fraterno. Sabemos bem que a fraternidade entre os crentes, além de ser uma barreira à inimizade e às guerras, é um fermento de fraternidade entre os povos.

Estamos vivendo um momento difícil para o mundo. Todos devemos nos unir – eu diria com um só coração e uma só voz – para gritar que a paz não tem fronteiras. Um grito que surge do nosso coração. É a partir daí, com efeito, dos corações, onde devemos erradicar as fronteiras que dividem e enfrentam; e é nos corações que devem ser semeados sentimentos de paz e fraternidade. Que o Deus da paz nos dê abundância de sabedoria, ousadia, generosidade e perseverança.

Papa Francisco

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