A Cruz de Cristo e a gula do homem (V)

A gula é uma complacência desordenada na comida e na bebida. Os alimentos e as bebidas não devem ser consumidos somente por prazer. Quando nos preocupamos muito com o corpo, esquecemo-nos da alma. Gastamos duas, três horas por dia nos exercícios físicos, mas é difícil ficar de joelhos cinco minutos em oração.

A reparação de Jesus pelos pecados da gulodice, bebedeira e luxo excessivo começou com o nascimento. Ele, que poderia fazer do Céu o teto da sua casa e das estrelas os seus candelabros, decidiu ser rejeitado pelos homens e expulso até das menores cidades de Israel. Na Cruz, Ele foi despojado de suas vestes e privado de um sepulcro para sair deste mundo como nele tinha entrado: Senhor dele e, mesmo assim, nada possuindo dele. Na Cruz, revela-nos que existe uma fome e uma sede dupla: uma do corpo, outra da alma. À luz dessa duplicidade, nota-se a distinção entre dieta e jejum, pois o cristão não jejua pelo corpo, mas pela alma; a alma é instrumento para o corpo, ou o corpo é instrumento para a alma? O desenvolvimento do caráter depende de qual fome e sede saciamos.

Deus não pode obrigar os homens a sentirem sede do que é sagrado em vez do que é vil, contudo há uma dupla recomendação na Cruz: a primeira é que mortifiquemos a fome e sede corporais; a segunda, que cultivemos a fome e sede espirituais.

Seminarista Edisandro de Lima Rocha

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