A “carta” do Papa Francisco aos jovens: Cristo Vive

“Eu vos escrevi jovens, porque sois fortes, a Palavra de Deus permanece em vós” (1Jo 2,14).

Prezados irmãos e irmãs da Igreja de Deus que se faz presente na Diocese de Jundiaí:

Entre os últimos 19 e 21 de julho, a Diocese de Jundiaí realizou a 7ª Jornada Diocesana da Juventude (JDJ), promovida pelo Setor Diocesano da Juventude, na Paróquia Nossa Aparecida, em Itu. O tema desta Jornada, em sintonia com a 34ª Jornada Mundial da Juventude, foi: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38).

É conhecido por todos o carinho todo especial que o Papa Francisco tem em relação aos jovens. De fato, realizou-se a 15ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos (Roma, 03 a 28 de outubro de 2018). Este encontro eclesial muito importante contou com a participação de um grupo representativo de jovens de vários países, incluindo o Brasil, e teve como tema: “Juventude, Fé e Discernimento Vocacional”. Colhendo as sugestões dos participantes do Sínodo, o Papa Francisco publicou a Exortação Apostólica Pós-Sinodal, com o nome Cristo Vive (CV) (em latim: Christus Vivit) no último dia 2 de abril.

No documento CV o Papa Francisco dirige-se aos jovens, cristãos ou não, em tom muito familiar. Apresento-lhes, a seguir, algumas ideias-chaves entre as mais importantes do documento, embora seja muito válido saborear a sua riqueza, numa leitura em forma impressa ou pela internet.

1º) O encontro pessoal com Jesus Cristo a partir do querigma:

O Papa Francisco enfatiza, ao longo de todo o documento, a necessidade de que Jesus Cristo deve ser a inspiração para a caminhada dos jovens. E o seguimento íntimo e profundo de Jesus na vida do jovem depende do grande anúncio que vem da fé, do querigma.

2º) A juventude de hoje:

Para o Papa, “ser jovem, mais do que uma idade, é um estado do coração” (CV, n. 34). “A juventude não é algo que se pode analisar de forma abstrata. Na realidade, ‘a juventude’ não existe, existem jovens com suas vidas concretas” (CV, n. 71). Aos jovens situados na concretude de sua história pessoal, social e comunitária, com seus desafios, angústias e buscas, a Igreja quer contribuir para que vivam sua juventude como a idade dos sonhos e das escolhas, da vontade de tomar decisões e fazer experiências marcantes no caminho de seu amadurecimento progressivo.

3º) Apesar dos desafios, o caminho da juventude é belo:

 “A juventude, mais do que um orgulho, é um presente de Deus: ‘Ser jovem é uma graça, uma sorte’” (CV, n. 134), e assim “a juventude é um tempo bendito para o jovem e abençoado para a Igreja e para o mundo. É uma alegria, uma canção de esperança e uma bem-aventurança” (CV, n. 135). Apesar de serem desafiados pela cultura do provisório e do descarte, do acúmulo de riquezas e o consumo de bens materiais, da massificação e da manipulação, da banalização da sexualidade, vale a pena ser jovem, ter a coragem de ousar e arriscar, sem “ter medo de apostar e cometer erros” (CV, n. 142).

 4º) Protagonismo dos jovens:

O Papa Francisco várias vezes insiste: “Todos os jovens, sem exclusão, estão no coração de Deus e, portanto, no coração da Igreja” (CV, n. 235). Seus compromissos na Igreja e na sociedade são determinantes. Os jovens ajudam a Igreja a permanecer sempre jovem, a contribuir para sua autêntica reforma, tornando-a mais convertida e participativa, mais atenta aos sinais dos tempos e aos apelos do Reino. Extraordinária também é a contribuição dos jovens na construção de um mundo melhor.

5º) A resposta corajosa da Igreja aos apelos dos jovens:

O Papa Francisco muitas vezes dirige-se à própria Igreja, que precisa renovar sua relação com os jovens, proporcionando-lhes oportunidades eficazes para o encontro com Deus, o cultivo da fé e o engajamento social como sinal de amor ao próximo. Se “criar um lar é criar uma família, (…) criar lares, é criar casas de comunhão” (cf. CV, n. 217), é preciso tornar nossas paróquias e comunidades como lares dos e para os jovens, onde eles sejam realmente acolhidos e apoiados.

6º) Pastoral Juvenil:

Sem oferecer receitas prontas e impor projetos iguais para todos os jovens, o Papa Francisco insiste que uma Pastoral Juvenil só pode ser sinodal, ou seja, capaz de dar forma a um “caminhar juntos”. Devemos saber “aprender uns com os outros” (cf. CV, n. 207), integrando a Pastoral Juvenil na pastoral de conjunto da ação evangelizadora da Igreja, sempre em diálogo com a cultura atual dos jovens. “A Pastoral Juvenil deve sempre ser uma pastoral missionária”, para que os jovens saiam de si mesmos, buscando o bem dos outros (CV, n. 240).

7º) Juventude e discernimento vocacional:

Finalmente, o documento do Papa Francisco insiste que a Igreja precisa acompanhar os jovens no discernimento vocacional, ajudando-os a optar pela vocação que os torne realmente felizes e realizados a serviço do Reino. Realmente, o discernimento é o método e, simultaneamente, o objetivo a ser alcançado: Deus atua na história do mundo, nos acontecimentos da vida, nas pessoas que encontramos. E não se deve esquecer: “Muitas vezes, na vida, perdemos tempo perguntando: ‘Mas quem sou eu?’. E podes levar a vida inteira a questionar-te procurando saber quem és. Mas pergunte a si mesmo: ‘Para quem sou eu?’” (CV, n. 286). Trata-se, portanto, de reconhecer a gratuidade do dom da vocação, com a convicção de que vale a pena colocar a própria vida sem se contentar em avaliar perspectivas de carreira ou ganhos.

Concluo com as palavras do Papa Francisco no final do documento: “Queridos jovens, (…) ‘A Igreja precisa de seu entusiasmo, suas intuições, sua fé. Nos fazem falta! E quando chegarem onde nós ainda não chegamos, tenham a paciência de esperar por nós’” (CV, n. 299). Que Maria abençoe os nossos jovens “com a força de sua oração” e os “acompanhe sempre com a sua presença de Mãe” (CV, n. 298).

E a todos abençoo, particularmente os jovens e todos aqueles que os amam e os acompanham.

Dom Vicente Costa
Bispo Diocesano

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