200 anos do Servo de Deus Padre Bento Dias Pacheco

Dedicando mais de 40 anos de sua vida ao cuidado dos portadores de hanseníase, enfermidade também conhecida como lepra que naquela época era uma doença contagiosa sem cura, Padre Bento resplandecia a Caridade de Cristo. Após sua morte, em março de 1911, muitas pessoas recorreram a intercessão do presbítero com pedidos de graças, aumentando a devoção por este Servo de Deus que está em processo de beatificação.  

Para celebrar a vida deste “Apóstolo da Caridade”, a paróquia Senhor do Horto e São Lázaro, em Itu, promoveu de 11 a 17 de setembro a 50ª Semana Padre Bento Dias Pacheco com uma programação especial de homenagens, missas e celebrações. Para divulgar a vida e a obra do presbítero, crianças de algumas escolas da cidade visitaram a igreja matriz da paróquia, onde está o túmulo de Padre Bento, podendo conhecer um pouco sobre sua história e o imenso amor que dedicava aos abandonados pela sociedade.

O encerramento e ponto alto da semana foi a celebração solene em ação de graças pelos 200 anos do nascimento de Pe. Bento presidida por Dom Vicente Costa, concelebrada por padres da Diocese de Jundiaí e com a presença de paroquianos das dez paróquias de Itu. Dom Vicente destacou a ação do Servo de Deus que, de 1869 a 1911, foi Capelão do Hospital dos Lázaros onde manteve o convívio com os leprosos.

Ao final da missa, foi lançado oficialmente a reedição do gibi Bento Dias Pacheco, “o Apóstolo da Caridade” que conta a história do padre. O material apresenta uma nova linguagem visual e será distribuído nas catequeses das 10 paróquias ituanas, atingindo crianças de 7 a 15 anos. Também serão distribuídos nas escolas do Bairro Padre Bento e na Secretaria de Cultura de Itu.

Gibi

Fábio Ceratti, editor do “O Getsêmani”, jornal da Paróquia Senhor do Horto e São Lázaro, sentindo a necessidade de divulgar a vida de Padre Bento, resolveu reeditar um antigo gibi editado pela Fasben (extinta instituição que divulgava vida e obra de Pe. Bento) feito em 1986.

O designer ilustrador, Fabiano Andrade, realizou o trabalho empregando a técnica de Mangá. Fabiano foi o responsável pelos desenhos, adaptação de roteiro e arte final do gibi, fazendo com que a história contada seja de interesse, tanto da criança, como do jovem e dos adultos.

Com a primeira parte vencida, faltava a verba para a impressão. Em reunião com o empresário Antonio Carvalho, do Grupo Maggi, ele se comprometeu a pagar os custos da criação e com a impressão de 10.000 gibis.

Colaboração: Tadeu Italiani/ Fotos: Juliano Christofoletti

Com a intercessão de Padre Bento

Muitos devotos dão testemunhos de agradecimento pelas graças alcançadas pela intercessão de Padre Bento. Um deles é de Neuza de Fátima Masson Halter, esposa do Diácono Paulo Halter que exerce o ministério na Paróquia Nossa Senhora da Candelária, em Itu, como ela mesmo conta:

 “Meu nome é Neuza de Fátima Masson Halter, sou casada há 36 anos com Paulo Halter e temos três filhos: Paulo Matheus (falecido), Talissa Fernanda casada com Guilherme e Thomaz Diego casado com Bruna, e dois netos Joaquim e Diana, em janeiro chegará outra neta, Helena.

Em 1 de dezembro de 2012, tive leves dores nas costas. Fui ao médico e ele me disse: “você não tem nada”. No dia dois, comecei a sentir uma certa fraqueza e não conseguia me manter em pé. Retornei ao médico e novamente voltei para casa sem diagnóstico. Dia três passei muito mal, tive uma crise respiratória em que não conseguia respirar e tremia muito. Meu marido e meu filho me levaram até o PAM (Pronto Atendimento Municipal) do Jardim Padre Bento (era de madrugada). Chegando lá, o médico imediatamente mediu a oxigenação do sangue que estava muito baixa, mandou-me às pressas de ambulância e aparelho de oxigênio para o Hospital São Camilo, em Itu.

Quando cheguei, estava com suspeitas da SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave). Depois de vários exames, os médicos chegaram ao diagnóstico: Choque Séptico. Começou então, uma corrida contra o tempo, precisava sair daquele quadro em 72 horas para que meus órgãos não viessem a ter complicações por causa das bactérias instaladas.

 Então, meu filho Thomaz pediu a Padre Bento pela minha cura e depois de 48 horas saí do risco de vida, surpreendendo os próprios médicos. Comecei um tratamento no hospital e continuei em casa, lutando contra essas bactérias.

Com a graça de Deus e a intercessão de Padre Bento estou curada. A cada dia, cada respiro agradeço: “Obrigada Senhor!”

“Estive doente e cuidastes de mim”

Padre Bento Dias Pacheco nasceu em 17 de setembro de 1819, na Fazenda da Ponte, que pertencia a cidade de Itu, interior de São Paulo. Seus pais, Ana Antônia e Ignácio Dias Ferraz, eram ricos, agricultores e donos de engenho.

Depois de ordenado sacerdote – pela imposição das mãos de Dom Manuel Gonçalves, na época, Bispo de São Paulo- Padre Bento teve pouco tempo de trabalho paroquial. Em função da morte de seu pai, ele voltou para a fazenda da família para cuidar e ajudar a mãe na administração dos bens da família. Porém, nunca deixou de exercer o ministério, uma vez que prestava os serviços apostólicos a toda vizinhança, administrando os sacramentos, visitando os doentes e presidindo missas.

A caridade do Padre Bento já era conhecida, especialmente, pela forma com que ele cuidava dos escravos da fazenda, a “quem tratava como filho”, como reporta um texto publicado no jornal A Federação, de Itu, em 3 de maço de 1907, de autoria de Tristão Mariano da Costa.

Por volta de 1870, Padre Bento concedeu a liberdade para todos os escravos e, após a morte da mãe, se despojou e doou todos os bens que possuía e passou a trabalhar no hospital da cidade que cuidava dos doentes portadores de hanseníase,  de quem o presbítero se tornou “anjo tutelar”.

Uma doença contagiosa, naquela época sem cura e com poucas opções de tratamento, a hanseníase causava medo e repulsa na população. A doença causa erupções cutâneas que, sem o devido cuidado, evoluí para úlceras na pele, podendo levar, inclusive, a perda de alguns membros do corpo, como os dedos. Por isso, os enfermos eram isolados e poucos se dispunham a cuidar deles. Foi por essas pessoas, porém, que o coração do Padre Bento se encheu de amor.

“Consola o morfético moribundo à borda do leito, exalta-o nos momentos de dor, conforta-o, anima-o quando nos gestos de rebeldia não se conforma com o isolamento a que é condenado, pensa as chagas cancerosas, pratica a ablução das mazelas, banha a extrema-unção no leproso agonizante; abre as sepulturas, ajuda a enterrar com as próprias mãos o cadáver decomposto pela lepra; purifica quotidianamente os “seus melhores amigos” com o sacrifício da missa e a comunhão”, escreveu o advogado Ermelindo Maffei em 1927, em um texto publicado no jornal O Estado de São Paulo.  

A este serviço Padre Bento se dedicou até o final da vida, tendo falecido em 6 de março de 1911, aos 93 anos de idade, sem nunca ter sido contagiado pela hanseníase.

Após a missa, com o corpo presente, a população de Itu, em peso, a alma trespassada pela dor, acompanhou, à última morada, o santo morto. Chegando ao portão do hospital foi feita a última vontade do morto: os doentes receberam o ataúde, conduzindo-o ao cemitério, onde foi dado à sepultura, bem no meio dos que foram os seus melhores amigos”, narra Maffei o dia do sepultamento de Padre Bento no cemitério reservado somente àqueles que tinha a hanseníase.

Desde sua morte, seu túmulo encheu-se de pessoas pedindo graças e agradecendo pelas mesmas alcançadas. Atualmente, seus restos mortais estão na matriz da Paróquia Senhor do Horto e São Lázaro, podendo ser visitado se segunda à sexta, das 8h às12h e das 13h30 às 17h30 e aos sábados, das 8h às 11h30. A igreja se localiza na Praça Padre Bento Dias Pacheco, s/n, Vila Padre Bento, em Itu.

Graças

Se alguém recebeu alguma graça especial pela intercessão de Padre Bento, entre em contato com o Tribunal Eclesiástico da Diocese de Jundiaí pelo telefone: (11) 4583-7474 ou no endereço Rua Engenheiro Roberto Mange, 400, Anhangabaú, Jundiaí, SP. CEP 13208-240.

Hanseníase

A hanseníase, ao contrário do que se sabia na época de Padre Bento, tem cura e, uma vez iniciado o tratamento, já não há mais o risco de contágio.

A doença é provocada pela bactéria Micobacterium leprae que atinge principalmente a pele e os nervos periféricos. Alguns dos sintomas são: manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas na pele com perda ou alteração da sensibilidade térmica e tátil; área com diminuição dos pelos e do suor; dor e sensação de choque, formigamento, fisgadas e agulhadas ao longo dos nervos do braços e pernas; úlceras nas pernas e pés; febre, edemas e dor nas juntas.

Ela é transmitida pelas vias aéreas superiores (tosse ou espirro). Entretanto, não havendo tratamento, é necessário um longo período de exposição à bactéria para que haja contágio.

O tratamento é feito de acordo com cada caso da doença, sendo ambulatorial, ou seja, sem necessidade de internação. O Sistema único de Saúde (SUS) disponibiliza o tratamento e acompanhamento da doença em unidades básicas de saúde.

Em caso de suspeita ou dúvidas, procure um médico.

As informações são do Ministério da Saúde do Governo Brasileiro.

 

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