O Mês Missionário de outubro 2017

“Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações” (Mt 28,19)

Prezados irmãos e irmãs da Igreja de Deus que se faz presente na Diocese de Jundiaí:

Na Igreja, o mês de outubro é dedicado à missão. É uma ótima oportunidade para acendermos, com maior intensidade, o ardor missionário, intensificando as orações, bem como para assumir com maior compromisso o mandato do Senhor: “Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações” (Mt 28,19).

Queridos irmãos diocesanos: para a maior vivência deste mês missionário, apresento-lhes três motivações importantes:

(1) Em âmbito da Igreja Universal. Neste ano comemoramos o 91º aniversário do Dia Mundial das Missões, iniciado pelo Papa Pio XI, em 1926. Para este evento, celebrado neste ano no dia 22 de outubro, o Papa Francisco enviou uma Mensagem para a Igreja, com o título: “A missão no coração da fé cristã”. Ele aborda três questões importantes: Qual é o fundamento da missão? Qual é o coração da missão? Quais são as atitudes vitais da missão?

A missão da Igreja, destinada a todas as pessoas de boa vontade, consiste no anúncio do Evangelho de Jesus Cristo, “a Boa Nova portadora duma alegria contagiante, porque contém e oferece uma vida nova: a vida de Cristo ressuscitado, o qual, comunicando o seu Espírito vivificador, torna-se para nós Caminho, Verdade e Vida (cf. Jo 14,6)” (n. 1). Portanto, a missão anuncia e torna presente a Pessoa do próprio Cristo, de modo que ele se torna nosso “contemporâneo”, a fim de podermos partilhar de sua vida e do mistério pascal de sua morte e ressurreição. De fato, “o mundo tem uma necessidade essencial do Evangelho de Jesus Cristo” (n. 5), do Bom Samaritano que cura as muitas feridas da humanidade, do Bom Pastor que dá descanso e vida a tantos que andam perdidos e sem rumo nos caminhos da vida.

Na sua Mensagem, o Papa insiste que a missão da Igreja, e, portanto, a nossa missão deve ser animada e inspirada “por uma espiritualidade de êxodo contínuo” (n. 6), pois precisamos sair de nós mesmos, do próprio comodismo para termos coragem de alcançar tantos irmãos e irmãs que vivem nas periferias existenciais da vida, comunicando-lhes vida, esperança e amor à luz do Evangelho.

Por fim, o Papa Francisco lembra que os jovens são a esperança da missão, os protagonistas da missão, os “‘caminheiros da fé’, felizes por levarem Jesus Cristo a cada esquina, a cada praça, a cada canto da terra”. Neste sentido, afirma o Papa: “A próxima Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, que terá lugar em 2018 sobre o tema ‘Os jovens, a fé e o discernimento vocacional’, revela-se uma ocasião providencial para envolver os jovens na responsabilidade missionária comum, que precisa da sua rica imaginação e criatividade” (n. 8).

(2) Em âmbito da Igreja do Brasil. Como em outros anos, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou a Campanha Missionária neste mês de outubro. O tema da Campanha Missionária 2017 é: “A alegria do Evangelho para uma Igreja em saída”, e o lema: “Juntos na missão permanente”. A Igreja do Brasil reforça a importância de caminharmos juntos na missão, após nos deixarmos encontrar por Jesus Cristo, pois a missão se realiza com a participação de todos, na sinodalidade, isto é, no caminhar juntos e na comunhão.

O tema da Campanha Missionária deste ano foi aprofundado no 4º Congresso Missionário Nacional, realizado nos dias 7 a 10 de setembro de 2017, na Arquidiocese de Olinda e Recife (P)E. Algumas pessoas da nossa Diocese participaram deste Congresso (veja a reportagem nesta edição, páginas 6 e 7). O objetivo do 4º Congresso Missionário nacional foi impulsionar as Igrejas do Brasil para um dinamismo de saída e de um caminhar juntos no testemunho da alegria do Evangelho, da comunhão e do profetismo. Este evento faz parte do 5º Congresso Missionário Americano (CAM 5), a ser realizado em 2018, na Bolívia. No Brasil, a Campanha Missionária é coordenada pelas Pontifícias Obras Missionárias (POM) que envia subsídios (cartazes, novena, oração…) para serem distribuídos em nossas comunidades com o objetivo de ajudar na reflexão, na oração e na oferta generosa feitas no Dia Mundial das Missões (21 e 22 de outubro).

(3) Em âmbito da Igreja local. A querida e amada Igreja de Jundiaí ainda respira e vive o sopro renovador do Espírito Santo a partir do projeto das Santas Missões Populares, iniciado no ano de 2015, com a realização do 1º Retiro Missionário Diocesano (26 a 28 de junho). Nesse ano, a maioria das nossas Paróquias realizou as Semanas Missionárias com belíssimas experiências de missão. Mas a missão não pode parar: ela é permanente. Na Mensagem para o Dia Mundial das Missões 2017, Papa Francisco insiste na necessidade de todos os membros da Igreja viverem uma “espiritualidade missionária profunda vivida dia-a-dia e dum esforço constante de formação e animação missionária (…) para que, em cada um, cresça um coração missionário” (n. 9). Só assim poderemos dar uma resposta evangélica e eficaz às graves e vastas necessidades da evangelização, principalmente em relação aos cristãos batizados que não participam ativamente da comunidade cristã. Outro grande desafio à missão é a falta da presença do Evangelho, por falta de cristãos leigos e leigas que são chamados a ser “sal da terra e luz do mundo” (cf. Mt 5,13-14) em ambientes vitais da sociedade, como por exemplo: a família, o mundo da política, do trabalho, da cultura e da educação, dos meios de comunicação social, entre outros.

Queridos irmãos diocesanos: como tornar a nossa Igreja Diocesana em estado permanente de missão? Eis a questão crucial e essencial da evangelização.

Termino com as palavras conclusivas do Papa Francisco na sua Mensagem para o Dia Mundial das Missões 2017: “Façamos missão inspirando-nos em Maria, Mãe da evangelização. Movida pelo Espírito, Ela acolheu o Verbo da vida na profundidade da sua fé humilde. Que a Virgem nos ajude a dizer o nosso ‘sim’ à urgência de fazer ressoar a Boa Nova de Jesus no nosso tempo; conceda-nos um novo ardor de ressuscitados para levar, a todos, o Evangelho da vida que vence a morte; interceda por nós, a fim de podermos ter uma santa ousadia de procurar novos caminhos para que chegue a todos o dom da salvação” (n. 10). Assim seja!

E a todos abençoo.

Dom Vicente Costa
Bispo Diocesano

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