A Presença dos Cristãos Leigos e Leigas na Diocese de Jundiaí

“Sois o sal da terra e luz do mundo” (cf. Mt 5,13-14).

“Prezados irmãos da Igreja de Deus que se faz presente na Diocese de Jundiaí:

A Concentração Diocesana dos Missionários e Missionárias do Projeto das Santas Missões Populares, celebrada com grande entusiasmo e alegria no último dia 26 de novembro, no Centro de Evangelização Arca da Aliança Mãe da Divina Providência, na Paróquia Cristo Redentor, em Várzea Paulista, marcou o encerramento das Semanas Missionárias realizadas em todas as nossas Paróquias, como também a abertura oficial em nossa Diocese, em comunhão com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), do Ano Nacional do Laicato. Gostaria, diante deste importante acontecimento, partilhar com vocês três reflexões:

1- Agradecimento aos missionários e às missionárias:

Em primeiro lugar, como Bispo Diocesano, gostaria de elevar uma prece de agradecimento a Deus pela resposta generosa e pelo incansável trabalho de tantos missionários e missionárias que, nos últimos três anos, dedicaram-se para que acontecesse em nossa querida e amada Diocese de Jundiaí, o Projeto das Santas Missões Populares (SMP). De fato, foi um movimento do Espírito suscitado em nosso meio, para que a nossa Igreja Particular de Jundiaí fosse “sacudida” na celebração dos 50 anos de sua criação e instalação como Diocese.

Sinceramente, não posso deixar de agradecer, a cada momento, o trabalho e a missão dos nossos padres e diáconos, os primeiros agentes na obra da evangelização, na árdua tarefa de anunciar o Evangelho do Senhor Jesus. Eles são “a minha alegria e minha coroa” (cf. Fl 4,1) na ação evangelizadora da Igreja em Jundiaí. No entanto, tenho de reconhecer que toda a ação pastoral-missionária não alcançaria os seus objetivos sem a presença e a atuação de tantos cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade, chamados a serem “sal da terra e luz do mundo” (cf. Mt 5,13-14). O testemunho de tantos irmãos e irmãs que assumiram o Projeto das Santas Missões Populares, nestes últimos anos – como tivemos oportunidade de testemunhar na referida Concentração Diocesana do dia 26 de novembro −, e de tantos outros que, ao longo dos 50 anos da caminhada de nossa Diocese, contribuíram para a edificação desta Igreja Particular me emociona e faz com que continuemos a manter vivo o nosso sonho: tornar nossa Diocese uma comunidade de discípulos apaixonados e missionários fervorosos ao longo dos próximos anos.

2- O ano do laicato na Diocese: “sal da terra e luz do mundo” (Mt 5,13-14):

A Igreja no Brasil celebra, no período de 26 de novembro de 2017 − Solenidade de Cristo Rei − a 25 de novembro de 2018, o Ano do Laicato. De acordo com o Conselho Nacional do Laicato do Brasil, o tema escolhido para animar a mística deste Ano do Laicato é: “Cristãos leigos e leigas, sujeitos na ‘Igreja em saída’, a serviço do Reino”, e o lema: “Sal da Terra e Luz do Mundo (cf. Mt 5,13-14)”, tendo como objetivo geral: “como Igreja, Povo de Deus, celebrar a presença e a organização dos cristãos leigos e leigas no Brasil; aprofundar a sua identidade, vocação, espiritualidade e missão; e testemunhar Jesus Cristo e seu Reino na sociedade”. A CNBB, recentemente, publicou um subsídio muito importante: Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade. Sal da terra e luz do mundo (Mt 5,13-14) (Documentos da CNBB, n. 105) que pretende ser um valioso instrumento para a formação de tantos leigos e leigas para serem verdadeiros “sujeitos eclesiais”.

Portanto, o sentido do Ano do Laicato é despertar discípulos missionários para atuarem não somente na Igreja, mas preferencialmente evangelizar os ambientes onde as pessoas vivem, trabalham, estudam, convivem e se desenvolvem. São os “areópagos modernos”, assim chamados por São João Paulo II e assumidos pelo Documento 105 da CNBB. Este Documento da CNBB destaca alguns destes ambientes vitais, o campo específico da atuação dos cristãos leigos e leigas: a família, o mundo da política e das políticas públicas, o mundo do trabalho e dos sindicatos, o mundo da educação (escolas e universidades), o mundo das comunicações sociais, entre outros.

Em nossa Diocese, acolhendo as sugestões do Conselho Diocesano dos Leigos , dos Conselhos Regionais da Ação Evangelizadora e do Conselho Diocesano da Ação Evangelizadora, desejamos impulsionar a presença e atuação dos nossos leigos e leigas, celebrando os vários ministérios que exercem na Igreja, mas principalmente, a sua atuação na sociedade, como potenciais agentes transformadores das realidades sociais.

Queridos irmãos diocesanos: abrindo meu coração de Bispo, gostaria muito que os Formadores e os Missionários e as Missionárias das SMP, após terem vivenciado os Retiros Diocesanos e Paroquiais, bem como as Semanas Missionárias em suas Paróquias, fossem − juntamente com os demais coordenadores diocesanos e agentes das Pastorais Específicas, Movimentos Eclesiais, Associações Religiosas e Novas Comunidades −, os verdadeiros “sujeitos eclesiais” nos vários ambientes da nossa sociedade. A Missão continua, mas desejo que privilegiemos agora a transformação social, a partir do testemunho da nossa fé cristã. Que bom e frutuoso seria se cada um vivesse sua vocação e missão de cristão leigo e leiga, presença viva de Jesus Cristo, sendo “sal da terra e luz do mundo” (cf. Mt 5,13-14) no ambiente da família, da saúde, da educação, da política, das ciências, das seguranças públicas e militares, do judiciário, do empresariado e comércio, entre outros.

Assim, conclamo todas as forças vivas presentes em nossa Diocese para que vivamos este Ano do Laicato com paixão e intensidade.

  1. A Diocese em estado permanente de missão:

A Missão que recebemos de Jesus Cristo não termina nunca. Ela está no DNA da Igreja. As Santas Missões Populares foram apenas um início importante, um impulso renovador para toda a nossa ação evangelizadora da nossa Diocese. Mas temos muito que caminhar, temos muito a realizar ainda.

Coincidindo com a abertura do Ano do Laicato no Brasil e na Diocese, desejo vivamente que a querida e amada Diocese de Jundiaí se torne verdadeiramente uma Igreja “em estado permanente de missão”. O Documento de Aparecida (2007) assumiu este compromisso: ser discípulo de Jesus Cristo exige necessariamente ser seu missionário. Pois, “discipulado e missão são como as duas faces da mesma moeda: quando o discípulo está apaixonado por Cristo, não pode deixar de anunciar ao mundo que só Ele nos salva (cf. At 4,12)” (DAp, n. 146). O Papa Francisco tem insistido na necessidade da renovação missionária da Igreja.

Queridos irmãos diocesanos: não deixemos que nos roubem o ardor missionário. Aquilo que vivemos e celebramos ao longo dos últimos anos com o Projeto das Santas Missões Populares não se apague de nossas memórias e de nossas ações pastorais. Pelo contrário, que a chama missionária, que tão fortemente ardeu em nossa Diocese nos últimos três anos, neste Ano do Laicato continue sempre acesa com maior intensidade, enfocando a atuação dos cristãos leigos e leigas na Igreja e, principalmente, na sociedade. Que no decorrer do Ano do Laicato encontremos os meios necessários para colocar nossa Igreja Diocesana “em estado permanente de missão” (DAp, n. 551). Eis o novo desafio que devemos enfrentar! Eis a exigência constante da Missão! Que Deus nos ajude para sermos fiéis aos seus novos apelos.

A todos abençoo e agradeço, de coração sincero, o “sim” generoso dos nossos cristãos leigos e leigas, como também de todos aqueles que se envolveram ativamente com o Projeto das Santas Missões Populares”.

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