A Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate (4) À Luz do Mestre

“Caros amigos, o Papa Francisco coloca no centro do terceiro capítulo, “À Luz do Mestre”, o sermão das bem-aventuranças (Mt 5,3-12; Lc 6,20-23), que são como um “bilhete de identidade do cristão”. A narrativa do Evangelho chama-nos a desafiarmo-nos para uma mudança real de vida, e só poderemos “se o Espírito Santo permear com toda a sua força e nos libertar da fraqueza, do egoísmo, da preguiça, do orgulho” (n. 65). O Papa discorre sobre cada bem-aventurança:

– Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu: “Quando o coração se sente rico, fica tão satisfeito de si mesmo que não tem espaço para a Palavra de Deus, para amar os irmãos, nem para gozar das coisas mais importantes da vida. Deste modo priva-se dos bens maiores. Por isso, Jesus chama felizes os pobres em espírito, que têm o coração pobre, onde pode entrar o Senhor com a sua incessante novidade” (n.68);

– Felizes os mansos, porque possuirão a terra: “Na Bíblia, usa-se muitas vezes a mesma palavra anawin para se referir aos pobres e aos mansos. Alguém poderia objetar: ‘Mas, se eu for assim manso, pensarão que sou insensato, estúpido ou frágil’. Talvez seja assim, mas deixemos que os outros pensem isso. É melhor sermos sempre mansos, porque assim se realizarão as nossas maiores aspirações: os mansos possuirão a terra, isto é, verão as promessas de Deus cumpridas na sua vida” (n.74);

– Felizes os que choram, porque serão consolados: “A pessoa que, vendo as coisas como realmente estão, se deixa trespassar pela aflição e chora no seu coração, é capaz de alcançar as profundezas da vida e ser autenticamente feliz. Esta pessoa é consolada, mas com a consolação de Jesus e não com a do mundo. Assim pode ter a coragem de compartilhar o sofrimento alheio, e deixa de fugir das situações dolorosas. Desta forma, descobre que a vida tem sentido socorrendo o outro na sua aflição, compreendendo a angústia alheia, aliviando os outros. Esta pessoa sente que o outro é carne da sua carne, não teme aproximar-se até tocar a sua ferida, compadece-se até sentir que as distâncias são superadas (n. 76);

– Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados: “Esta justiça começa por se tornar realidade na vida de cada um, sendo justo nas próprias decisões, e depois manifesta-se na busca da justiça para os pobres e vulneráveis (n. 79);

– Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia: “A misericórdia tem dois aspectos: é dar, ajudar, servir os outros, mas também perdoar, compreender. Mateus resume-o numa regra de ouro: “O que quiserdes que vos façam os homens, fazei-o também a eles (7,12) … Dar e perdoar é tentar reproduzir na nossa vida um pequeno reflexo da perfeição de Deus, que dá e perdoa superabundantemente” (n.80-81);

– Felizes os puros de coração, porque verão a Deus: “Quando o coração ama a Deus e ao próximo, quando isto é a sua verdadeira intenção e não palavras vazias, então esse coração é puro e pode ver a Deus. São Paulo lembra, em pleno hino da caridade, que ‘vemos como num espelho, de maneira confusa’ (1Cor 13,12), mas, à medida que reinar verdadeiramente o amor, tornar-nos-emos capazes de ver face a face (1Cor 13,12);

– Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus: “Os pacíficos são fonte de paz, constroem paz e amizade social. Àqueles que cuidam de semear a paz por todo o lado, Jesus faz-lhes uma promessa maravilhosa: serão chamados filhos de Deus (Mt 5,9) … A Palavra de Deus exorta cada crente a procurar, juntamente com todos, a paz (cf. 2Tim 2,22), pois ‘é com a paz que uma colheita de justiça é semeada pelos obreiros da paz’ (Tg 3,18). E na nossa comunidade, se alguma vez tivermos dúvidas acerca do que se deve fazer, ‘procuremos aquilo que leva à paz’ (Rm 14,19), porque a unidade é superior ao conflito (n.88);

– Felizes os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino do Céu: “A cruz, especialmente as fadigas e os sofrimentos que suportamos para viver o mandamento do amor e o caminho da justiça, é fonte de amadurecimento e santificação” (n. 92).

Pe. Enéas de Camargo Bête

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